terça-feira, 13 de junho de 2006

Bandeiras (Actualizado)

Quem nestes dias entrar na Igreja matriz de Ouca poderá encontrar, sobre o lado direito, duas bandeiras: a bandeira portuguesa e a bandeira do Vaticano. Trata-se de um sinal de exteriorização e festejo pela criação da paróquia de S. Martinho de Ouca a 50 anos atrás, cujas celebrações decorrem neste momento. Uma freguesia em festa!

Desculpem, disse freguesia? Não, queria dizer paróquia... ou pelo menos deve ser assim entendido porque a bandeira da freguesia não está presente.

Qual será o significado desta ausência? Será que, por ser uma festa religiosa, não faz sentido fazer alusão à freguesia, área administrativa onde a paróquia está inserida? Se é assim, então porque é que está lá a bandeira nacional, símbolo de um estado laico e que ainda por cima pretende deixar cair a Igreja do Protocolo do Estado?

Ou será que determinadas pessoas, baseadas em simples critérios pessoais, resolveram excluir a Junta de Freguesia? Não deixa de ser estranho o total virar de costas por parte de alguns (assumidos) responsáveis na Comissão Fabriqueira à Junta de Freguesia após as eleições autárquicas. Será porque a Presidente eleita não era a candidata deles? E se assim for, a Comissão Fabriqueira, ou quem quer que tenha tomado as rédeas da festa do jubileu, não devia ser politicamente neutra? Ou a Igreja, ou quem quer que fale em nome dela, já pode imiscuir-se na política e tomar partidos?

O mais interessante disto tudo é que, ao tentar excluir a actual presidente de junta da freguesia de Ouca, põe em causa o trabalho feito pelo executivo anterior, responsável pelo brasão da freguesia de Ouca, processo que acompanhei de perto uma vez que na altura eu fazia parte da assembleia de freguesia.

E o mais irónico é que, no texto descritivo das armas do brasão pode ler-se «Escudo de púrpura, com dois cachos de uvas de ouro, folhados e gavinhados de prata, alinhados em faixa; em chefe, uma cruz prelatícia e um báculo, passados em aspa, tudo de ouro; em campanha, onça agachada de prata, carregada de quatro bandas de azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “OUCA”», sendo a cruz prelatícia e o báculo símbolos alusivos ao São Martinho, orago da paróquia, colocados intencionalmente em lugar de destaque.

Será que pelo menos sabiam disso, antes de excluir a bandeira da freguesia?


Pequeno apontamento histórico sobre Ouca

É necessário deixar claro que a Paróquia de S. Martinho de Ouca e a Freguesia de Ouca, apesar de geograficamente coincidentes, estão separadas no tempo em dez anos.

A Paróquia de S. Martinho de Ouca, formada pelos lugares de Ouca, Rio Tinto, Carregosa e Tabuaço, foi criada por decreto do Arcebispo de Aveiro, D. João Evangelista, a 8 de Junho de 1956, que deste modo a separou, ao nível eclesiástico, da vila de Sosa. Para a memória fica também outra data de grande relevância: a 29 de Junho desse mesmo ano chega o Pe. António Correia Martins, nomeado pároco responsável desta nova paróquia.

A freguesia administrativa de Ouca demoraria ainda dez anos a ver a luz do dia, tendo sido criada pelo Decreto-Lei n.º 47.033, publicado no Diário do Governo, 1ª série, n.º 126, de 30 de Maio de 1966. Os primeiros elementos que tomaram nas suas mãos a gestão dos desígnios da recém-formada freguesia de Ouca, tomaram posse das suas funções a 16 de Agosto desse mesmo ano. Nessa altura o Presidente da Freguesia de Ouca era Ângelo dos Santos Bispo, apoiado por Celestino Ferreira Colchete (secretário) e Duarte Simões da Conceição (tesoureiro).

(A imagem do brasão, assim como da bandeira da freguesia de Ouca, podem ser encontrados na página do Sérgio Horta)

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