sexta-feira, 14 de julho de 2006

E por Falar em Exames....

Hoje ficou-se a saber que, por despacho do Secretário de Estado da Educação, os alunos que fizeram exames nacionais de Química e de Física na primeira fase podem, afinal, repetir os exames na segunda fase. Esta medida exepcional de descriminação positiva, expressão tão em voga nos últimos tempos, deve-se ao facto de, nestes dois exames, terem surgido notas com um "valor médio relativamente baixo e muito inferior ao verificado no ano passado". É preciso notas que as médias dos últimos exames foram negativas: 6,9 em Química e 7,7 em Física, tendo os chumbos duplicado em ambas as disciplinas.

O Ministério interpretou esta variação tão significativa nos resultados neste ano a "dificuldades sentidas pelos alunos na adaptação ao novo programa nestas duas disciplinas ou às respectivas provas de avaliação".

Certo, certo é que, mais uma vez, do Ministério de Educação houve alguma coisa que não funcionou bem. Se houve alteração de programas, estes foram correctamente considerados na elaboração das provas de avaliação? Será que houve indicações correctas sobre como estes novos programas deveriam ser dados? Qual o grau de profundidade com que certas matérias deveriam ser dadas? E foi tido em consideração na elaboração das provas? Houve enunciados-tipo para os alunos poderem saber como seria a prova?

Confesso que não estou ligado ao ensino secundário, pelo que tenho alguma dificuldade em falar nestes assuntos. Posso, inclusive, estar a questionar assuntos que já foram tema de discussão profunda e, eventualmente, não fazem sentido serem aqui levantados. Em todo caso, a culpa pode não estar sempre do lado dos professores e/ou dos alunos. Os docentes, por muito bem que façam o seu trabalho, e os alunos, por muito que estudem, se as provas a que forem sujeitos não se enquadrarem nos temas de estudo, o descalabro é garantido.

É também lícito questionar-se sobre a verdadeira justiça desta medida. É certo que o Ministério bem dizer agora que “a decisão agora tomada tem como objectivo dar aos alunos que o desejem uma nova oportunidade no acesso ao ensino superior”, mas que dizer daqueles que entenderam não se apresentar na primeira fase, por que entenderam que não estavam devidamente preparados, e que agora vêem que deitaram foram uma primeira oportunidade. Afinal poderiam ter ido a primeira chamada que ainda poderiam ir a uma segunda e, mesmo assim, concorrer na primeira fase para o Ensino Superior. Alegar que esta medida serve para colocar os alunos “em igualdade de circunstâncias com aqueles que se submeteram às provas correspondentes a programas vigentes há mais de dez anos e, consequentemente, mais exercitados” é, no mínimo, descabido para quem estava a espera de um processo justo de seriação que vê as regras alteradas por causa de um mau serviço feito à Educação neste país.

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