segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Pois...

"Uma lição de Paz, numa freguesia que não está em guerra"
in Diário de Aveiro, 23 de Setembro de 2006

Frase que inicia o lead da noticia que regista a passagem de D. Ximenes Belo pela freguesia de Ouca.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Ainda sobre Bento XVI e a polémica

Novo Bispo de Aveiro

D. António Francisco do Santos foi ontem nomeado Bispo da Diocese de Aveiro, tendo recebido a notícia da sua nomeação em Roma. A tomada de posse ocorrerá, por sua vontade, no próximo dia dia 8 de Dezembro, festa litúrgica da Imaculada Conceição e 34º aniversário da sua ordenação Sacerdotal.

Nas palavras de D. António Marcelino, ainda Bispo de Aveiro, o seu sucessor é "um homem simples, aberto, amadurecido e experiente, um padre exemplar, culto, apostólico e bem preparado para a missão, um Bispo próximo e acolhedor, com sensibilidade e grande compreensão das exigências que hoje são postas à Igreja e das realidades humanas e sociais".

Natural do concelho de Cinfães era, até a sua nova nomeação, Bispo Auxiliar da Diocese de Braga. Toma esta sua nova missão sob o lema episcopal "In manus Tuas", numa alusão às palavras de Cristo na Cruz.

D. Ximenes Belo em Ouca

D. Ximenes Belo, Bispo da Igreja Católica e prémio Nobel da Paz de 1996, juntamente com Ramos Horta, estará hoje em Ouca numa celebração litúrgica inserida na sua passagem pelo concelho de Vagos.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Financiamento moderado da saúde em Portugal

O ministro da saúde, Correia de Campos, anunciou hoje que o governo admite impor novas taxas moderadores sobre serviços que, até agora, são gratuitos. A título de exemplo o ministro citou o internamento e a cirurgia de ambulatório.

Ou seja, com estas taxas, se alguém for internado por doença ou por ter sido sujeito a uma intervenção cirúrgica que obriga a uma estadia forçada numa instituição hospitalar, terá de pagar uma taxa moderadora.

O ministro justificou esta medida com a necessidade de moderar o acesso a estes serviços e valorizar o serviço prestado. Segundo Correia de Campos, não são motivos económicos, uma vez que as taxas representam um nível de recietas mínimo, tendo por isso objectivos "mais estruturais".

Deixa-me ver se eu percebi: tratam-se de taxas que, por serem moderadores, visam "moderar" o acesso a serviços como internamento e cirurgia de ambulatório? Estas taxas fazem sentido quando se pretende restringir o uso abusivo de uma urgência hospitalar. Ou seja, se eu quiser sou livre de escolher entre me deslocar a um serviço de urgência porque acordei com uma indiposição ou não. Se achar que essa indisposição merece ser vista por um médico, vou ao serviço de urgência, ou a um SAP, pago a respectiva taxa e aguardo por ser atendido. Repito, porque eu entendi que deveria ir ao médico.

Um internamento ou uma cirurgia não decididas por mero "capricho" do utente. Eu não acordo e digo "hoje apetece-me ser internado no hospital", vou ao hospital e pago a respectiva taxa moderadora. Tem que ser um médico a dar essa indicação. Então quem é que pretendem moderar? Os médicos? São eles que vão pagar as taxas moderadoras? Não me parece...

O ministro, mais uma vez, não assume que a verdadeira intenção que está por trás de esta medida é simplesmente o artifício para arranjar outra fonte de receitas para custear o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Tal como o encerramento de serviços de maternidade e de urgência, a decisão é puramente economicista. Não há é a coragem para o admitir. Tudo ainda fica mais claro quando se sabe que o ministro das finanças já avisou aos seus colegas de governação que o próximo orçamento de estado implicará um corte de verbas para todos os ministérios. O da saúde incluído.

A opção de se fazer um internamento ou uma intervenção cirúrgica passa necessáriamente por uma decisão médica, que por sua vez pode ser tomada ou porque o doente se deslocou ao serviço de urgências ou foi a uma consulta externa, serviços já por si sujeitos a taxas moderadoras.

Engraçado foi ver hoje a deputada Maria de Belém Roseira no fórum TSF a tentar justificar este acto e compará-lo à prescrição de medicamentos. São os médicos que prescrevem os medicamentos e nos temos que pagá-los. Medicamentos estes que são comparticipados pelo estado. Uma comparação absurda porque, primeiro estamos a pagar um produto: o preço que pagamos por um medicamento não é uma taxa moderadora para moderar o acesso a esse medicamento; segundo, se pagamos pelo medicamento é porque o estado não tem dinheiro para pagar pela totalidade, logo estamos a financiar o SNS para poder aceder ao produto. Tal como querem fazer com os serviços que actualmente são gratuitos.

Num estado em que se diz que a saúde é um direito, fica cada vez mais claro que é um direito para quem puder pagá-la. No meu caso, até nem é um assunto que me preocupe muito: sendo dador de sangue, tenho isenção de taxas moderadoras. Por enquanto...

O ministro disse que "o povo não é estúpido" e que entenderá o que o governo pretende sobre este assunto, mesmo com a "celeuma" que ele adivinha advirá desta decisão. Pois... diz que o povo não é estúpido mas deve pensá-lo.

Sabedoria de Salomão

"Mais vale ter bom nome do que grandes riquezas"

Salomão

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

"Coisas más e desumanas"

Na terça-feira passada, durante a sua visita à Baviera, o Papa Bento XVI discursou na Universidade de Regensburg. A uma dada cita o imperador bizantino Manuel II Paleólogo, numa conversa que este terá tido com um sábio muçulmano:

"Mostra-me o que Maomé trouxe de novo. Só encontrarás coisas más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue. (...) Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma. Deus não ama o sangue e agir de maneira irracional é contrário à natureza de Deus. A fé é o fruto da alma e não do corpo. Aquele que quiser conduzir outros na fé deve ser capaz de falar bem e pensar de forma justa e não pela violência e ameaça”.

Ou seja: entornou o caldo. Mais uma vez.

Ainda Bento XVI não tinha regressado ao Vaticano, já fontes da Santa Sé estavam a justificar o papa dizendo que ele não pretendeu "ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos". Fique claro que estamos a falar do mesmo para que, aquando das malfadadas caricaturas de Maomé, disse:

"No contexto internacional que conhecemos actualmente, a Igreja Católica continua convencida de que, para favorecer a paz e a compreensão entre os povos e entre os homens, é necessário e urgente que as religiões e os seus símbolos sejam respeitados e que os crentes não sejam alvo de provocações que firam a sua iniciativa e os seus sentimentos religiosos",

palavras proferidas durante uma audiência ao novo embaixador de Marrocos no Vaticano (JN, 2006.02.20).

O mesmo papa que afirmou que os simbolos das religiões não devem ser alvo de provocações, vem depois referir-se a Maomé como portador de "coisas más e desumanas". É certo que o papa estava a fazer uma citação histórica e, através desta citação, explicar que a violência é contrária àquilo que Deus deseja. Mas o certo é que assistiu-se ao representante máximo da Igreja Católica a "injuriar" um dos simbolos mais sagrados do Islão. Independentemente das justificações que depois venha a apresentar. Claro que a comunidade islâmica não tardou a protestar. Com razão.

Este papa veio mostrar, mais uma vez, que está muito longe da diplomacia e do bom senso de João Paulo II. Em pouco tempo Bento XVI tem conseguido por em causa a construção ecunoménica pela qual João Paulo II tantou lutou durante o seu longo, e já saudoso, pontificado.

O papa Bento XVI fala da violência de Maomé esquecendo-se da violência da sua própria Igreja. Esquece rapidamente as Cruzadas e a Santa Inquisição as quais, que eu me lembre, não podem ser rotuladas de pacíficas e humanas. É verdade que "já foi há algum tempo", mas mesmo assim são telhados de vidro que não podem ser esquecidos.

Infelizmente não é a primeira vez que o papa mete "os pés pelas mãos". No Público Online (2006.09.15) são referidos outros episódios nada abonatórios para a Igreja Católica que ele representa: em Julho de 2005 omitiu Israel dos estados vítimas de terrorismo e em Maio último referiu-se ao nazismo como sendo o fruto de um "bando de criminosos", parecendo descartar a Alemanha das suas responsabilidades, ou não fosse Bento XVI de origem germânica.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

O Bem

"Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente."

Gandhi, 1869-1948

terça-feira, 12 de setembro de 2006

11 de Setembro: a outra verdade?

Faz 5 anos que o mundo assistiu horrorizado às imagens transmitidas em directo dos atentados contra as torres gémeas do World Trade Center. Desde esse dia o nosso mundo nunca mais foi o mesmo. As marcas na sociedade ocidental são grandes e fazem-se sentir praticamente no nosso dia-a-dia.

Ainda existe muita coisa por explicar. Existem ainda muitas dúvidas sobre como é que tudo isto foi possível, e tudo leva a crer que nunca haverá uma certeza total sobre o temor que se abateu sobre os americanos, em particular, e sobre o mundo democrático, em geral.

No entanto, a procura de uma explicação sobre os eventos que culminaram com a morte de quase 3000 pessoas no WTC tem levado a percorrer alguns caminhos menos comuns e que acabam por revelar outro tipo de verdades, por certo muito questionáveis em relação ao conteúdo.

Uma dessas “verdades alternativas” foi apresentada na RTP, na programação destinada às comemorações dos cinco anos do 11 de Setembro. Trata-se do documentário “Loose Change – Second Edition”, que penso terá o título português de “Conspiração Interna”. Trata-se de um documentário polémico, que se envolve na análise de dados que indiciam não um ataque perpetrado por grupos terroristas islâmicos mas antes uma cabala interna, onde interesses monetários se impuseram às vidas que se perderam com a destruição das torres gémeas.

Teoria da Conspiração ou mero exercício de Pensamento Lateral, a verdade é que são levantadas algumas questões interessantes sobre os factos que envolvem o 11 de Setembro, mas também é verdade que algumas destas questões são levantadas com alguma leviandade e com pouco fundamento.

Para quem não viu este documentário encontra-se disponível a partir do site www.loosechange911.com.

Existe também uma pequena apresentação em Flash que questiona o que terá acontecido realmente no Pentágono nesse mesmo dia, questões que também são apresentadas no documentário Loose Change.

Ainda na Wikipedia existe um documento (longo) sobre Teorias de Conspiração em torno do 11 de Setembro assim como referências que questionam essas mesmas teorias.

Coincidências? Como costumam dizer nuestros hermanos: “No hay brujas, pero de que las hay, las hay”.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Um mundo surdo a Deus

Mais uma vez o cartoonista Bandeira corrosivo em relação ao mundo.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Antes de ir embora para casa...

Estava a dar uma espretadela ao site do Público para ver as últimas notícias quando resolvi ler alguns dos Bartoons de Luís Afonso publicados nestes últimos dias. Não resisti em partilhar este que tem como base uma notícia que andou a circular por correio electrónico, na qual o planeta Marte iria estar muito próximo da Terra, podendo ser avistado com um tamanha comparável ao da lua:


"The Show Must Go On"

Tratou-se de uma efeméride que muitos órgãos de comunicação social fizeram questão de salientar: se estivesse vivo Freddie Mercury faria 60 anos.

Freddie Mercury, líder incontestado dos Queen, foi, a solo e com a sua banda, uma referência para várias gerações, em particular a minha. Foi com muita mágoa que recebi a notícia da sua morte em 24 de Novembro de 1991. Ainda hoje lembro-me perfeitamente desse dia: foi num apartamente na Av. Fernado Magalhães, em Coimbra, onde um grupo de colegas se tinha reunido a série Twin Peaks (sabem, aquela sobre “quem matou a Laura Palmer?”). Nessa altura foi noticiada a morte do ícone do mundo do rock.

Confesso que depois do álbum “The Works”, onde podemos ouvir o “I want to break free”, deixe-me de identificar com a música dos Queen. Tenho bem presente, como grande parte de nós, as músicas que deliciaram multidões: “Bohemian Rhapsody”, “Somebody to Love”, “We Are the Champions”, “We Will Rock You”, “Bicycle Race”, “Crazy Little Thing Called Love”, “Save Me”, “Play the Game”, “Another One Bites the Dust”, “Flash” (eu revi o filme Flash Gordon inúmeras vezes!), “Under Pressure”,… bem isto nunca mais acaba.

Os Queen, na minha opinião, reemergem a sério com o derradeiro álbum de Freddie Mercury ainda em vida: Innuendo. A música que dá nome ao disco é quase a um regresso às raízes do “A Night at the Opera”. O disco fecha com uma música carregada com o peso do destino: “The Show Must Go On”. Mesmo depois do Freddie deixar o mundo dos vivos “o espectáculo deve continuar”. Aliás, todo o disco está, na minha opinião, impregnado de referências subtis ao estado de saúde de Freddie Mercury, como por exemplo na música “I'm Going Slightly Mad”.

A carreira discográfica do Freddie Mercury e dos Queen encerra com o álbum póstumo “Made in Heaven”, lançado quatro anos depois da morte do seu cantor e construído a partir de uma série de gravações vocais que o Freddie Mercury deixou como legado para o resto da banda utilizar na produção deste novo e último álbum.

Enquanto a sua carreira a solo… bem, de facto no me revi musicalmente com Freddie Mercury enquanto cantor a solo, mas realçam-se as músicas “The Great Pretender”, “Living on My Own” e, claro, a quase universal “Barcelona”, em duo com a Monserrat Caballé.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

"Back to business"

Pois é, as férias são sempre poucas.

Depois de observar a Dama de Silgar durante dez dias e depois de tentar retocar o "bronze" na praia da Vagueira nestes últimos dias, nos quais o nevoeiro era tão denso que quase se podia cortar às fatias e o sol não o conseguiu fazer vergar à sua vontade, está na hora de voltar à actividade.

As férias servem, para além de nos darmos um merecido descanso junto da família – e a minha filha, em particular, adorou estes quinze dias que lhe foram exclusivamente dedicados – servem, dizia eu, para fazermos sempre um ponto sobre nossa situação, quer pessoal, quer profissional. Somos levados a fazer todo um conjunto de promessas a nós próprios de como iremos actuar depois das férias terminarem, muito semelhante aos desejos que costumamos expressar com uvas e espumante à passagem para um ano novo.

Foi o meu caso: aproveitei estes dias para organizar algumas ideias e a rever as minhas prioridades, mas acima de tudo foram alguns dias que, durante várias caminhadas que eu fiz, pude analisar mais friamente alguns acontecimentos que permitiram revelar a verdadeira seriedade de algumas pessoas que julgava informadas e, acima de tudo, correctas. Situações em que o mero capricho pessoal relegaram para segundo plano o bom-senso que seria no mínimo exigido.

Não estou mais disponível para isso.

A minha família e o meu trabalho exigem mais atenção do que aquela que lhes tenho dado. Não tenho espaço para as banalidades sobre as quais algumas pessoas em Ouca teimam em repisar, e muito menos para a falta de seriedade que têm demonstrado.

O espaço ocupado por este blog continuará a funcionar tal como o defini no início: servirá para colocar apontamentos sobre o meu dia-a-dia e também para levantar os assuntos e críticas que acho de relevo. A minha disponibilidade ditará a cadência dos blogues que aqui aparecem.

Espero que todos tenham tido direito a um merecido descanso e toca a arregaçar as mangas que há muito para fazer.