quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Já la vai algum tempo...

...que não passo por estes lados. Fim de semestre lectivo, trabalhos, avaliações, actuações com o Coro Misto, ... enfim todo um conjunto de coisas que me manteve, mais uma vez, afastado do ciberespaço. Muita coisa se passou entretanto.

Centenário do Nascimento de Fernando Lopes-Graça. No passado domingo passaram cem anos sobre o nascimento de Fernando Lopes-Graça, possivelmente o maior compositor e musicólogo português do século XX. O meu contacto com Fernando Lopes-Graça aconteceu inicialmente com a sua obra coral, em particular com as suas harmonizações de músicas regionais portuguesas, e se estendeu para a sua restante obra. Aquando da minha passagem pelo Orfeon Académico de Coimbra, tive o privilégio de cantar "De Conimbrigae", uma composição de Lopes-Graça dedicada ao Orfeon. Ainda tive a oportunidade de conhece-lo fugazmente numa sua passagem pelo Teatro Gil Vicente.

A sua obra é de uma riqueza musical que merece ser (re)descoberta e urgentemente divulgada pelas novas gerações. Para além de alguns apontamentos noticiosos a destacar a efemeridade, assim como alguns documentários na televisão pública, não notei qualquer movimentação no sentido de lhe prestar uma homenagem digna da dimensão da sua obra, escapando eventualmente uma compilação de 10 CDs, organizada pela RDP. Concertos comemorativos ou outro tipo de eventos: nada. Pelo menos não dignos de destaque, ou se os houve não foram para além de Lisboa e Porto, sendo que a grandeza da obra de Lopes-Graça merecia uma maior expressão nacional. A melhor maneira de homenagear um músico é interpretar a sua obra.

Carolina Salgado. Um livro, cheio de verdades ou de mentiras, não é essa a questão, foi o suficiente para pôr a comunicação social e o país em autêntico alvoroço. O futebol nunca mais vai ser olhado da mesma maneira e, se o famigerado caso do "Apito Dourado" não terminar em julgamento para apurar a verdade, não penso que o futebol nacional recupere a credibilidade, pelo menos durante muito tempo. Entretanto não deixa de ser interessante observar como a mesma pessoa que era vista pelos adeptos do Porto como "a" senhora, depois das suas condutas contra o presidente do Benfica, agora seja vista, pelas mesmas pessoas, como sendo uma mera "garota de alterne", sem qualquer credibilidade.

Jorge Vasconcelos. Na minha opinião a pessoa da semana. Demonstrou uma hombridade e rectidão ao demitir-se de um cargo, cuja independência foi posta em causa depois da intromissão rocambolesca e atabalhoada do governo na história do aumento da energia eléctrica. A Entidade Reguladora do Sector Energético, presidida até a semana passada pelo Jorge Vasconcelos, foi ultrapassada em suas competências pelo governo, após este ter sido surpreendido pelo valor proposto pela ERSE para aumento da factura da electricidade em 2007. A demonstração de que este governo não gosta de críticas e apela à lei da rolha veio esta segunda-feira, quando rapidamente exonerou o presidente demissionário, evitando assim que este interviesse na Comissão Parlamentar para a Economia. O alarido foi de tal ordem, que o grupo parlamentar do PS (a mando do Primeiro-Ministro, quase certamente) parece que não se oporá a uma audição, mas só para Março, quando o assunto estiver para lá de frio... Lamentável.

Lei das Finanças Locais no Tribunal Constitucional. O Presidente Cavaco Silva enviou para apreciação do Tribunal Constitucional a Lei das Finanças Locais, uma apreciação solicitada com carácter de urgência. As dúvidas suscitadas por dois artigos desta lei, que se prendem com alterações legais sobre o IRS, levaram ao presidente solicitar esta apreciação. Até aqui não há nada a destacar; trata-se do Presidente da República no pleno desempenho das suas funções. O ridículo e o ultrajante da situação prende-se com a carta enviada pelo Primeiro-Ministro José Sócrates ao mesmo Tribunal Constitucional a dar mostras da importância que esta Lei tem para o país (leia-se "vontade do Partido Socialista"). Com esta carta foram enviados pareceres favoráveis a esta Lei, para poder dar assim uma maior amplitude aos argumentos apresentados.

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma forma de pressionar os magistrados deste tribunal e que demonstra incerteza e insegurança nas hostes do governo. Sim, porque esta intervenção de "fiscalização preventiva", como Sócrates lhe chamou, foi uma iniciativa do governo, não partindo de qualquer pedido de esclarecimentos feito pelo Tribunal Constitucional. E já agora, uma vez que o governo pretendida fornecer mais dados para avaliação, porque não enviou também os pareceres negativos que também existem sobre esta lei?

Figura do ano 2006 da Times. Somos todos nós, os cibernautas.Todos aqueles que estão ligados à internet e que fazem de esta rede global de informação aquilo que é. A figura do ano sou eu, é quem está a ler este post, são todos os que estão, estiveram e estarão ligados a esta enormíssima autoestrada de informação. E a Times ainda justifica a decisão: "Não temos de justificar nada a ninguém". Assim mesmo. Não deixa no entanto de parecer mais uma saída airosa para evitar uma escolha mais comprometedora.

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