domingo, 10 de dezembro de 2006

Será que o Pai Natal existe?

Em 1990 foi publicado na Spy Magazine, uma revista satírica que deixou de circular em 1998, um artigo onde eram levantados entraves físicos que poderiam por em causa a existência do Pai Natal. Por outras palavras: fisicamente é impossível que o Pai Natal possa fazer a distribuição dos presentes na véspera de Natal.

Claro que se trata de um artigo de humor, e de uns anos a esta parte, com a explosão da internet, tem vindo a ser amplamente reproduzido e até mesmo divulgado por e-mail.

Acontece que (mais uma vez) recebi este texto por e-mail e, mesmo já o conhecendo, não consigo deixar de achar piada a algumas das passagens, tendo por isso resolvido colocá-lo no meu blog, aproveitando o espírito da quadra. Tendo recebido o texto em inglês, fiz uma tradução rápida, tendo apenas o cuidado de transcrever as unidades para o sistema internacional. Existem alguns dados que não estão de todo correctos, mas preferi manter as incorrecções do original. Nada que estrague o efeito pretendido. Ainda fiz um par de comentários, contidos em parêntesis rectos no texto.

O Pai Natal Existe?
Richard Waller
Spy Magazine, January 1990

1. Desconhece-se a existência de espécies de renas que possam voar. MAS existem 300.000 espécies de seres orgânicos ainda por classificar, e apesar de a maioria ser constituída por germes e insectos, isto não exclui COMPLETAMENTE a hipótese de encontrar uma rena voadora que apenas tenha sido vista até agora pelo Pai Natal.

2. Existem 2 mil milhões de crianças (pessoas com menos de 18 anos) no mundo
[estimativa feita em 1990]. MAS uma vez que o Pai Natal (aparentemente) não visita as crianças muçulmanas, hindus, judaicas e budistas, o trabalho é reduzido a 15% do valor total – 378 milhões de acordo com o Population Reference Bureau [www.prb.org]. Para uma média (a partir de censo) de 3,5 crianças por casa, obtém-se um total de 91,8 milhões de casas. Presume-se que exista pelo menos uma criança bem comportada por casa.

3. O Pai Natal tem 31 horas para trabalhar na véspera de Natal, graças aos diferentes fusos horários e à rotação da terra, assumindo que ele viaja de este para oeste (o que parece lógico). Isto estabelece-se 822,6 visitas por segundo. Ou seja, para cada casa cristã com uma criança bem comportada o Pai Natal tem um milésimo de segundo para estacionar, sair do trenó, descer a chaminé, encher as meias, distribuir as restantes prendas debaixo da árvore, comer o lanche que tiver sido deixado
[nos EUA a tradição manda deixar leite com bolachas para o Pai Natal], subir a chaminé, montar-se no trenó e deslocar-se para a seguinte casa. Assumindo que cada uma destas 108 milhões de paragens estão distribuídas uniformemente a volta da terra (o que claramente não é verdade mas para efeitos de cálculo vamos aceitar como aproximação), estamos a falar numa distância de 1,26 quilómetros entre cada casa, numa viajem total de 115,7 milhões de quilómetros, sem contar com as paragens que a maioria de nós tem de fazer pelo uma vez em 31 horas, mais a alimentação e etc. Isto significa que o trenó do Pai Natal se desloca a uma velocidade de 1050 quilómetros por segundo, ou seja 3000 vezes a velocidade do som. Para efeitos de comparação, o veículo mais rápido alguma vez construído pelo Homem, a sonda espacial Ulysses, desloca-se à vagarosa velocidade de 44,1 quilómetros por segundo – uma rena convencional pode correr, no máximo, a 24 quilómetros por hora.

4. O peso da carga do trenó acrescente outro elemento interessante. Assumindo que cada criança não recebe senão um conjunto médio de legos (850 gramas), a carga do trenó é de aproximadamente 321.300 toneladas, sem contar com o Pai Natal quem é descrito como sendo uma pessoa com excesso de peso. No solo, uma rena convencional não consegue puxar mais do que 150 kg. Mesmo garantindo que uma “rena voadora” (ver ponto 1) consiga puxar DEZ VEZES a carga normal, não será possível fazer o trabalho com oito ou mesmo com nove renas. Serão necessárias 214.200 renas. Isto aumentará o peso total – sem contar com o peso do trenó – para 353.430 toneladas. Mais uma vez, para comparação, este valor representa quatro vezes o peso do Queen Elizabeth.

5. 353000 toneladas a deslocar-se a uma velocidade de 1050 quilómetros por hora cria uma enorme resistência aerodinâmica, provocando o aquecimento das renas da mesma forma à verificada na reentrada de uma nave espacial na atmosfera. O primeiro par de renas absorvera 14,3 triliões
[143 seguido de 17 zeros!!] de Joules de energia. Por segundo. Cada. Em poucas palavras, as renas irão inflamar-se praticamente de forma instantânea, expondo as renas seguintes, e provocando uma explosão sónica ensurdecedora no arranque. A equipa inteira de renas será vaporizada em 4,26 milissegundos. O Pai Natal, entretanto, será sujeito a uma força centrífuga 17500,06 vezes superior à gravidade terrestre. Um pai Natal de 115kg (que seria ridiculamente magro) seria esmagado contra o banco do trenó por uma forma de quase 2000 toneladas.

Concluindo, se o Pai Natal ALGUMA VEZ entregou presentes na véspera de Natal, está morto agora.


P.S.: No seguimento deste artigo ainda surgiram cartas a a refutar alguns dos argumentos apresentados e existem ainda alguns artigos com personalidades científicas onde tentam, naturalmente com algum espírito de diversão, procurar "soluções físicas e tecnológicas" para contornar algumas das questões aqui apresentadas. Tudo para garantir que, afinal, o Pai Natal existe.

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