segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

(Des)Empregos de Futuro?

Todos nos sabemos das dificuldades apresentadas pelo mercado de trabalho, e todos temos a noção de que há empregos que apresentam melhores saídas do que outros. Sobre isto, hoje o JN traz a seguinte notícia:

Um terço dos desempregados com canudo vem das ciências sociais

Deste artigo há duas passagens que gostaria de transcrever:

"As ciências sociais são responsáveis por um terço do número total de desempregados licenciados e são, também, as que mais vagas abrem e jovens formam, sistematicamente."

"No ano lectivo 2005/2006, indica o Observatório da Ciência e do Ensino Superior, havia quase 116 mil alunos inscritos em cursos de ciências sociais como direito, história, filosofia, geografia ou sociologia, cursos baratos, de papel e lápis. A segunda área com maior número de alunos aparece a grande distância engenharias, indústria transformadora e construção, com 80 mil inscritos. São, portanto, as ciências sociais que mais licenciados formam todos os anos e um número significativo acaba nos centros de emprego."

"Muito próximo das ciências sociais estão as licenciaturas ligadas à educação e formação de formadores que, em Setembro, chegam mesmo a atingir o primeiro lugar na lista dos mais desempregados do IEFP, fruto das não colocações de professores nos concursos públicos do Ministério da Educação. Em Outubro, 60% dos desempregados de canudo tinham um curso de ciências sociais ou de educação."

Mas o mais grave, e que sintetiza de certa forma o que também penso sobre o assunto é o último parágrafo desta notícia:

"Mas o desemprego de pessoas com formação superior é grave problema do mercado de trabalho e tem vindo a piorar, ou seja, o país desperdiça cada vez mais recursos a formar jovens em áreas desvalorizadas pela economia real."

Depois vêm a falar em retoma do mercado e dinamização da economia. O certo é que, enquanto os nossos recursos humanos continuarem a ser tratados como uma espécie de sub-produto do sistema educativo, e enquanto o nosso sistema educativo não for seriamente pensado, este problema irá persistir. Enquanto não houver a coragem política de pôr "ordem" nos cursos superiores "de lápis e papel" que proliferam por aí, enquanto não houver a coragem política para decidir sobre as inúmeras escolas politécnicas, legado do nada saudoso António Guterres, certo é que iremos assistir a um total desaproveitamento dos nossos recursos humanos. Em vez disso, assistimos a um governo que, contrariamente àquilo que apregoou durante a oposição, apenas olha para o saldo do dever e haver do estado, e resolve desatar as cortes numa atitude de ver se alguém nas instituições toma as decisões que o estado não tem coragem de assumir. É esta a aposta na ensino a que o partido socialista tanto nos tem habituado.

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