sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Referendo - A Sequela

Ainda não se ouviu o tiro de partida mas as acções de rua já andam aí: no próximo dia 11 de Fevereiro os portugueses são chamados pela segunda vez para se pronunciar sobre a liberalização ou não da Interrupção Voluntária da Gravidez.

Os argumentos começam precisamente pela terminologia: os partidários pela liberalização preferem a designação "Interrupção Voluntária da Gravidez", enquanto que os detractores preferem o termo mais cru "Aborto".

Durante os próximos dias, e em especial nos 15 dias que antecedem o referendo, iremos assistir ao digladiar de argumentos a favor e contra. Mais propriamente iremos, de certeza, assistir a um requentado de argumentos, por vezes mais apaixonados, que já foram apresentados em 1998, aquando a realização do primeiro referendo.

Pior, a medida que nos aproximarmos do dia 11 de Fevereiro, iremos assistir à utilização de argumentos cada vez mais demagógicos que servem apenas os interesses dos partidários que as proferem e que muito dificilmente servirão para esclarecer a opinião pública.

Aliás, esses argumentos já estão na rua. E podem ser encontrados de ambos os lados da barricada. Por um lado, a liberalização serve para "acabar com a vergonha", por outro lado "nos 90 anos das aparições a Nossa Senhora chora". De um lado, "acabar com a prisão das mulheres", do outro "não quero os meus impostos para pagar abortos". A lista já é grande e todos eles podem ser rebatidos pelo absurdo.

Infelizmente, esta troca de argumentos não passa de uma conversa de surdos. Os apoiantes de ambos os lados estão a defender ideias completamente diferentes, cuja intersecção é um conjunto vazio. Uns defendem o direito a vida, outros defendem o direito à uma assistência médica condigna. Estas duas ideias são simplesmente antagónicas.

Não pretendo manifestar aqui a minha intenção, pelo menos não por agora. Mas peço que todos exijam ser devidamente esclarecidos. Só assim poderão tomar uma decisão em consciência, e aqui a palavra "consciência" é deveras a palavra-chave.

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