sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Não esquecer: Choral Poliphonico de Coimbra em Vagos!

É já este sábado, às 21h30, na Igreja Matriz de Vagos. Um concerto de Coro e Órgão a não perder!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Pois, pois...

Para quem dizia há pouco mais de um mês que não aumentava nem mais um cêntimo aos 9,50 euros oferecidos por cada acção da PT...

Belmiro de Azevedo "perplexo" com mudança de atitude da PT

Assim vale a pena ser despedido - 2

Decididamente o que está a dar é trabalho de consultadoria nas empresas do universo CP

Refer contrata quadro depois de lhe pagar indemnização para sair

Não, não se trata da mesma notícia que apresentei numa postagem anterior. É mesmo outra situação que "nesta altura essas formas de colaboração com o senhor engenheiro Joaquim Barbosa foram suspensas".

Só falta saber quando é que começam as cabeças a rolar...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Choral Poliphonico de Coimbra em Vagos

O Choral Poliphonico de Coimbra estará presente na Igreja Matriz de Vagos, no próximo dia 24 de Fevereiro, num concerto de Coro e Órgão que terá início às 21h30.

Para mais detalhes, a seguir transcrevo o comunicado à imprensa que o Choral Poliphonico teve a amabilidade de me enviar

"O Choral Poliphonico de Coimbra, dirigido pelo Maestro Paulo Moniz, e Paulo Bernardino, em Órgão, vão interpretar composições de Mozart, Bach, Schubert, Elgar, César Frank, Pachelbel e de compositores portugueses como Carlos Seixas e Mário de Sousa Santos, entre outros, escritas de propósito para coro e órgão, num arco cronológico que vai do século XX ao século XVII.

Trata-se de um concerto integrado no programa nacional “A Voz e o Espírito”, com o alto patrocínio da Delegação Regional do Centro do Ministério da Cultura e que percorre templos que possuem o grandioso instrumento musical que é o Órgão. Os concertos estão previstos até Novembro deste ano de 2007, percorrendo Portugal de Norte a Sul, desde a Sé de Braga à Sé de Faro, passando pela Igreja da Cedofeita no Porto, Matriz de Espinho, de Oliveira do Bairro e de Ançã, terminando a itinerância na sua cidade natal – Coimbra, na Igreja de Santa Cruz com um concerto no recém-restaurado Órgão que pertenceu à importantíssima Escola de Santa Cruz e em cujo teclado Carlos Seixas, ainda muito jovem, iniciou a sua vida de músico e compositor.

O público em geral, e sobretudo as populações que mais próximo vivem desses templos, poucas vezes têm possibilidade de usufruir dos sons escritos em grandes partituras europeias e nacionais, como as que no dia 24 de Fevereiro estão programadas para a Matriz de Vagos, no Distrito de Aveiro.

O programa do concerto é o seguinte:

  • H. Purcell - Trompet tune und air (Órgão)
  • F. Schubert - Schlußgesang (Coro e Órgão)
  • C. Franck - Panis Angelicus (Coro e Órgão)
  • J.P. Sweelinck - Echo Fantasia (Órgão)
  • N. Grigny - Récit de Tierce en taille (Órgão)
  • E. Elgar - Ave Verum Corpus (Coro e Órgão)
  • M. Sousa Santos - Avé Maria (Coro e Órgão)
  • A. Sola - Tiento de Medio Registro de mano derecha de 1º tono (Órgão)
  • J. G. Walter - Wachet auf, ruft uns die Stimme (Órgão)
  • J.S. Bach - Coral Gloria sei dir gesungen (Coro e Órgão)
  • J.S. Bach - Coral Ermuntre dich, mein schwacher Geist (Coro e Órgão)
  • J.S. Bach - Concerto em Lá m – BWV 593- [Allegro] (Coro e Órgão)
  • W.A. Mozart - Gloria (KV 167) (Coro e Órgão)
  • G. Pierné - Prélude – Op. 29 n.º 1 (Coro e Órgão)
  • Carlos Seixas - Sonata para Órgao em Sol Maior (MSK 48) (Coro e Órgão)
  • J. Pachelbel - Magnificat (Coro e Órgão)"

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Só não se olha para os verdadeiros exemplos

Isto a respeito da notícia no Publico online que dá conta da atribuição de um prémio de 100 mil dólares ao antigo primeiro-ministro sueco pelas políticas ambientais que seguiu e que permitiram que a Suécia reduzisse as suas emissões de dióxido de carbono para lá das metas estabelecidas em Quioto.

A dada altura pode ler-se nesta notícia que "Persson apostou fortemente em políticas que privilegiavam os transportes públicos, incluindo o comboio, e as energias alternativas. A Suécia tem agora 60 mil carros a biofuel e 672 estações de abastecimento".

Em Portugal ainda não assisti a um governo, e não me refiro apenas a este, que tem duas palas nos olhos e apenas vê défice, que se preocupasse a sério com o problema ambiental. Não existe uma verdadeira política de transportes públicos, sendo Lisboa um exemplo crasso. A única política é a do transporte individual, e a preocupação mais evidente é aumentar os impostos sobre produtos petrolíferos, penalizar o IA, mas sem verdadeiras alternativas públicas.

O biofuel é maltratado pelo nosso governo, penalizado como se um combustível petrolífero vulgar se tratasse, taxando-o como tal, desencorajando o mercado.

O IA sobre os veículos híbridos também os torna proibitivos às nossas parcas carteiras. Sobre isto parece que ainda poderá haver alterações significativas. Assim espero.

Comboios... bem, pelos vistos é um óptimo negócio para quem quer receber compensações monetárias por rescisão contratual.

Apenas peço que o governo olhe para o exemplo sueco, porque Persson "agiu e mostrou o caminho a outros líderes políticos, indo para além do exigido no Protocolo de Quioto".

Nunca digas "Desta água não beberei"

Pois é... as certezas que tinha demonstrado a um mês atrás na RTP afinal não deviam estar solidamente edificadas. Afinal o Grupo Sonae vai aumentar o se preço de oferta da OPA que lançou sobre a PT, passando a oferecer mais um euro por acção, ou seja, a Sonae paga 10,50 euros por cada acção da PT.

Ou o Belmiro de Azevedo fez mal os cálculos, e afinal a PT valia mais do que ele pensava, ou então soube da existência de diamantes e/ou petróleo nos terrenos na posse da PT.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

"Cogumelo Mágico" encerrou

Pois é, o Centro Comercial Oita já não é o que era. Ainda sou do tempo (eu sei, é "terrível" começar frases desta maneira: faz-nos ver como o tempo é implacável) em que os meus amigos e eu aproveitávamos para comer um belo croissant recheado (quem não se lembra da mítica Croissanteria do Oita, uhm?) e depois dávamos um salto a uma das duas únicas salas de cinema da cidade de Aveiro.

Depois da abertura dos novos centros comerciais, que trouxeram um novo conceito sobre espaços de lazer, o Oita viu o seu público migrar, seguindo as tendências da nova moda que se estava a instalar na cidade dos ovos moles.

Não demorou muito para que lojas começassem a encerrar e o Oita, em pouco tempo, perdeu o glamour característico da sua época de ouro.

Mas o espaço comercial do Oita deu posteriormente azo ao surgimento de "lojas alternativas".

A última foi o "Cogumelo Mágico": uma "ervanária especializada", para maiores de 18 anos, que comercializa drogas leves de venda legal no nosso país, segundo as palavras do proprietário.

Não podia ter melhor publicidade: jornais, rádio e televisão deram destaque a abertura desta loja, a primeira fora de solo holandês, onde este tipo de comércio é bastante comum. A "cereja encima do bolo" para a publicidade não podia ser melhor: no dia da abertura a Polícia Judiciária faz uma longa visita para fazer recolhas para análise pericial, visita amplamente divulgada pela comunicação social. Na minha opinião, o dono, apesar de se mostrar agastado, só podia agradecer!

Afinal, uma semana depois a loja fecha. Na loja há um cartaz onde se pode ler: "ruptura de stock".

Pelos vistos a publicidade foi muito boa, ou a ideia de negócio é excelente, ou foi uma combinação de ambos. Em todo caso "
a loja vai reabrir logo que o proprietário tenha possibilidade de proceder à reposição dos produtos à venda".

Assim vale a pena ser despedido

Director da CP despedido, indemnizado e de novo contratado

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Afinal só saiu a terminação...

Habeas corpus de sargento custa 480 euros

Preço final total e não "por assinatura"

E por falar em Jackpot...

Três clínicas de aborto preparadas para abrir portas

Seria a isto que a Maria José Morgado (cidadã) se referia...?

Jackpot!!

Cada subscritor do habeas corpus paga 480 euros

Ora deixa ver... 480 vezes dez mil... 4.800.000 de euros (para os mais distraídos é quase um milhão de contos). Nada mal...

Penso que uma medida governativa para garantir o financiamento da justiça em Portugal será promover mais habeas corpus com pelo menos cinco mil assinaturas que acabam em indeferimento.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Juramento de Hipócrates

Muito se falou sobre ética médica nas últimas semanas e, meia volta, lá vinha à baila o o Juramento de Hipócrates. Existem actualmente outras declarações/juramentos de ética médica mais actuais, mas esta, na sua essência, é tão válida como qualquer outra, ou pelo menos eu assim o entendo.

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

domingo, 11 de fevereiro de 2007

A vitória do SIM

Sem dúvidas. A vitória do SIM no referendo sobre a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez foi "quase" clara: 59,25% das intenções de voto contra o natural complemento de 40,75% de votos no NÃO.

Digo "quase" porque quem ganhou de facto este referendo foi, mais uma vez, a abstenção, a qual se situou na cifra dos 56,39%. Trata-se, portanto, de um referendo não vinculativo.

Não pretendo fazer com isto um discurso do tipo "ah! este referendo afinal não vale". Não. Acho que deve ser respeitada a vontade de quem teve a seriedade de fazer valer o seu direito e exerceu o seu dever cívico. Apesar de não vinculativo, houve uma vontade que foi expressa nas urnas e essa vontade tem que ser tida em conta: afinal o povo foi chamado a pronunciar-se.

Apesar desta abstenção, consegui-se uma mobilização superior àquela verificada em 1998, um acréscimo que acabou por ser favorável ao SIM neste referendo.

Fica no entanto a dúvida sobre a utilidade da ferramenta do referendo tal como está definida. Dos três referendos realizados em Portugal nenhum foi vinculativo. Nenhum teve pelo menos 50% de participação. Continua a falhar a sensibilização das pessoas para uma ferramenta tão importante da democracia. Num país em que as pessoas criticam a classe política, que se queixa de que não está a ser feito aquilo que acham que é melhor para o país, não se entende este afastamento das urnas. Das conversas que tive hoje sobre o assunto, era comum ouvir que o referendo serviu apenas para gastar o nosso dinheiro, ainda por cima atendendo às actuais dificuldades do erário nacional.

Sobre o resultado do referendo, achei interessante que hoje, só hoje, os apologistas do SIM, entre eles membros do governo, começaram a falar sobre o que irá acontecer após a vitória do SIM. Lamento que não tenham começado a discutir sobre este assunto mais cedo, chegando a pensar que este seria interpretado como um tema de difícil trato durante a campanha.

Resta que haja agora um trabalho sério no plenário e que não se deixem vergar aos interesses economicistas de entidades privadas que querem lucrar com este novo negócio, esses sim verdadeiras máquinas de jackpot.

Referendo Nacional

Porque votar é um dever cívico!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Dia de Reflexão

O Mais Difícil

A coisa mais difícil do mundo é conhecermo-nos a nós mesmos, e o mais fácil é falar mal dos outros

Tales de Mileto

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Decididamente NÃO

Não, não me movem razões fundamentalistas e muito menos religiosas.

Não se trata de uma posição conservadora.

Não, porque a proposta de alteração de lei que vai a referendo próximo domingo deixa uma vida à mercê de uma escolha. Uma escolha que passa a ser liberalizada e não “despenalizada”.

Não, porque estaremos a passar um cheque em branco, sem saber como é que a despenalização será tratada. Não sabemos nada sobre que tipo de apoios existirão caso uma mulher decida interromper a sua gravidez. Não sabemos se ela será questionada sobre a sua vontade e se não tenciona seguir outro caminho. Os apoiantes do sim apenas pretendem o aborto legal, mas nada dizem sobre como este poderá ser feito.

Não, porque esta alteração à lei está a ser visto pelas gerações mais jovens como uma desresponsabilização, apenas mais um “método contraceptivo”. É uma leitura que pode ser feita das sondagens apresentadas na última quinta-feira.

Não, porque esta é uma alteração que apenas pretende apresentar um remédio a jusante do verdadeiro problema. A apregoada educação sexual e educação sobre planeamento familiar não tem passado de meras declarações de intenções dos sucessivos governos. A interrupção da gravidez não passa de um remendo, mais um remendo que os nossos governantes tanto gostam de impingir.

Eu poderia rever a minha posição se tivesse sido esclarecido a tudo isto.

Mas não fui.

Assistimos a uma campanha que foi, acima de tudo, partidarizada, precisamente aquilo que não deveria ser.

Uma campanha que, acima de tudo, o PS manipulou com o principal objectivo de tirar dividendos políticos. O PS quer vencer o referendo para ele próprio declarar-se vencedor. Só isso explica os amuos do Primeiro-Ministro no início da última semana, radicalizando e chantageando o eleitorado português caso não obtenha o resultado pretendido. Se estivesse realmente preocupado com o drama do aborto clandestino não reagia como um menino que diz que leva a bola e ninguém joga se não fizerem como ele manda.

Votar é um dever cívico, mas este referendo deixou de merecer o crédito das pessoas quando estas passaram a ser manipuladas de forma tão desonesta.

Por tudo isto o meu voto é NÃO!

Proclamar o óbvio

"Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio transformou-se em dever de todo o ser inteligente"

George Orwell

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Orfeão de Vagos na Casa da Música

Um evento que parece ter passado ao lado, mais uma vez porque a divulgação voltou a falhar, foi a participação do Orfeão de Vagos integrado num concerto que a Banda Marcial de Fermentelos deu na consagrada Casa da Música no Porto. Um concerto que decorreu na Sala Suggia, palco principal da Casa da Música e que tem uma lotação para 1200 pessoas.

Assim, ontem, no concerto «Ao Meio Dia», tive o prazer de assistir à actuação da "Banda Velha", como também é conhecida a Banda Marcial, que interpretou temas fundamentalmente de autores portugueses, onde destaco "Tubareg", de Carlos Marques, e "In Principio", um recitativo interpretado pela soprano Joaquina Ly acompanhada da Banda Marcial, uma composição do maestro, Luis Cardoso. Muito interessantes.

A parte coral do concerto foi preenchida com um popourrit de canções heróicas de Fernando Lopes-Graça, com arranjos a cargo do maestro da banda, onde naturalmente "Acordai!" não podia faltar. O majestoso coro constituído pelo Orfeão de Vagos, o Orfeão de Águeda, o Grupo Coral da Casa do Pessoal do Porto de Aveiro, o Orfeão Paraíso Social (Aguada de Baixo) e o Orfeão de Vale de Cambra encheram a sala com as suas vozes e deliciaram os ouvidos de quem esteve a assistir.

O encore final foi com a interpretação do "Oh Fortuna" da cantata "Carmina Burana" de Carl Orff, própria para interpretações por grandes coros, em número e qualidade.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Tirania

"A tirania é um hábito com a propriedade de se desenvolver e dilatar a ponto de tornar-se doença."

Fedor Dostoievski

Dedicado a quem ultimamente tem semeado a cultura do medo e da opressão...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Amor: Depravação do Nervo Óptico

"Entendem cordatos fisiologistas que o amor, em certos casos, é uma depravação do nervo óptico. A imagem objectiva, que fere o órgão visual no estado patológico, adquire atributos fictícios. A alma recebe a impressão quimérica tal como sensório lha transmite, e com ela se identifica a ponto de revesti-la de qualidades e excelências que a mais esmerada natureza denega às suas criaturas dilectas. Os certos casos em que acima se modifica a generalidade da definição vêm a ser aqueles em que o bom senso não pode atinar com o porquê dalgumas simpatias esquisitas, extravagantes e estúpidas que nos enchem de espanto, quando nos não fazem estoirar de inveja.

E tanto mais se prova a referida depravação do nervo que preside às funções da vista quanto a alma da pessoa enferma, vítima de sua ilusão, nos parece propensa ao belo, talhada para o sublime e opulentada de dons e méritos que o mais digno homem requestaria com orgulho."

Camilo Castelo Branco, in "Coração, Cabeça e Estômago"

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Prémio: Porquê é que não estamos surpreendidos?

Portugal é o Estado-membro mais atrasado na transposição de directivas comunitárias

De olhos em bico

Logo no primeiro dia da visita oficial do Primeiro Ministro à China, o Ministro da Economia teve outra das suas infelizes intervenções.

Em vez de apresentar Portugal como um país com potencial económico, um país que começa a primar pelos capacidade dos seus quadros superiores, pela sua mão-de-obra qualificada, o que é ouvimos?!... ouvimos uma promoção de Portugal com base na sua mão-de-obra barata. Isso mesmo... nos somos um país economicamente apetecível porque temos uma mão-de-obra cujo custo é inferior à média praticada na UE.

É isso que o nosso Ministro da Economia, e por extensão o nosso Primeiro Ministro, pensa de nós: a nossa competência reduz-se a um simples baixo salário. É tão apelativo neste aspecto que vemos sistematicamente notícias de empresas a "deslocalizar" para países do antigo bloco do leste europeu a procura de, deixa ver como se diz, isso: mão-de-obra ainda mais barata.

O drama do desemprego que se vive de certo modo em Portugal deve-se a esta política da promoção dos baixos salários. As empresas estrangeiras vêm, aproveitam os baixos salários, aproveitam os incentivos governamentais oferecidos para se instalarem, e quando surgem mercados de salários ainda mais convidativos, simplesmente põem-se a andar, fazendo tábua rasa dos acordos feitos.

Custa acreditar, que mesmo depois de todos os casos de empresas que encerraram directa ou indirectamente por causa deste tipo de promoção, continuem a insistir nesta ideia dos "baixos salários da Europa". E vão fazer este tipo de promoção num país onde salários baixos é palavra de ordem.

Deixa-se de lado os verdadeiros valores do país, esquece-se a verdadeira riqueza intelectual e profissional dos nossos quadros, para vender uma imagem que sinceramente não consigo compreender seja uma mais valia num país como a China.