quinta-feira, 8 de março de 2007

Baudolino - Umberto Eco

«O mundo condena os mentirosos que não fazem senão mentir, até sobre as coisas ínfimas, e vai premiando os poetas, que só mentem sobre as coisas grandíssimas»

Já lá vai algum tempo que não discorro nestas páginas sobre os meus "livros de cabeceira", livros que servem para complementar o meu dia-a-dia preenchido do mais diverso material técnico.

O mais recente desses livros lidos foi o "Baudolino" de Umberto Eco. Há já algum tempo que Umberto Eco me "escapava". Dele são bem conhecidos "O nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault", sendo "Baudolino" o penúltimo dos seus romances.

Esta obra situa-nos na Idade Média e relata a história de Baudolino, um camponês "fantasioso e fanfarrão", nascido em terras onde mais tarde surgirá a cidade de Alessandria, e que se tornou no filho adoptivo do imperador Frederico I, o Barbaruiva. Bem, adoptado é uma maneira de falar... na verdade foi comprado a uma família que viu uma excelente oportunidade de se desfazer de um "empecilho".

Toda a história de Baudolino é contada pelo próprio a Niceta Coniates, um historiador bizantino, que encontrou durante a captura da cidade de Constantinopla aquando da Quarta Cruzada. Numa altura em que a história do cristianismo se cruza com os seus mais diversos mitos, assistimos a descrição de uma viagem fantástica e fabulada com o objectivo de encontrar o reino de Prestes João. Uma viagem que se imersa na história das cruzadas e da expansão do cristianismo. A própria História afinal tem episódios que se justificam pela intervenção imaginativa de Baudolino, sendo inclusive descortinada a morte misteriosa do imperador Frederico.

Quem possa pensar que Umberto Eco é um autor "difícil" penso que poderá encontrar em "Baudolino" uma porta para o seu universo literário. Uma excelente leitura que recomendo.

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