domingo, 11 de março de 2007

Bush Go Home!

Independentemente da má política que Hugo Chávez representa – pré-ditatorial, egocêntrica e manipuladora – é preciso reconhecer-lhe a maneira como tem conseguido orquestrar a sua campanha anti-estadounidense na América Latina.

O discurso anti-imperialista tem conseguido passar, e tem permitido ao presidente da Venezuela granjear diversos apoios junto dos seus vizinhos do sul do continente americano. No entanto o mérito deste sucesso deve-se principalmente ao alvo das críticas de Hugo Chávez: George W. Bush. A desastrosa política externa da administração norte-americana tem facilitado enormemente a vida a Chávez.

O périplo de George Bush que agora está a fazer, e que passa pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México (claro que tinha que passar pelo México!), por muitas boas intenções que ele divulgue na comunicação social, não deixa de ser visto como uma mera manobra para contrariar o Hugo Chávez.

E não está a correr nada bem…

Os brasileiros não receberam o presidente norte-americano da melhor maneira. As críticas e as manifestações cresceram exponencialmente obrigando à comitiva norte-americana a um grau mínimo de exposição. A indignação aumentou quando a comunicação social noticia que “a comitiva de Bush trouxe dos Estados Unidos a água que usou e também papel higiénico”.

Se a intenção desta visita era comover os países da América do Sul, os efeitos estão a ser perversos. E Hugo Chávez agradece. Mais uma vez.

George Bush revela novamente que não sabe como lidar politicamente com os países da América Latina e não consegue admitir que ele próprio é co-autor do que actualmente lá acontece. Novamente, a política externa norte-americana volta a dar um tiro no pé, demonstrando um elevado nível de incompetência nas mãos de um presidente mais preocupado em resolver as suas crises de identidade.

Por seu lado, Chávez iniciou uma “contra-visita” junto dos vizinhos que lhe são mais próximos politicamente, começando pela Argentina, onde afirmou que “Bush é um símbolo da dominação e nós somos um grito de rebeldia contra a dominação. Eles estão a tentar enganar o nosso povo e a dividir-nos”.

Entretanto o povo venezuelano é ofuscado com estas intervenções de “peito aberto” do seu presidente, esquecendo-se dos problemas que lhe são mais próximos. Uma autêntica política de “pão e circo” que mantém a Venezuela autista dos seus verdadeiros problemas.

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