sábado, 3 de março de 2007

D. Sebastião

Nesta semana fomos brindados com uma notícia que, de facto, não o era.

Paulo Portas, desiludido com o rumo do "seu" partido, avançou publicamente com a candidatura à liderança do CDS/PP. Convenhamos que isto de "notícia" não tem nada. Na noite em que Paulo Portas abandonou a presidência do CDS/PP, todo mundo ficou com a nítida sensação que este "abandono" não o seria por muito tempo. Tratou-se, sim, de um recuo estratégico, abandonando a luzes da ribalta por algum tempo, o necessário para que a memória colectiva, que por vezes é muito volátil em questões de política, esquece-se o disparate pegado que foi a sua passagem quase efémera pelo governo da nação.

Por isso este regresso não é nada surpreendente, e o mau desempenho de Ribeiro e Castro apenas serviu como pretexto para um desejo que nasceu mal anunciou o abandono do CDS/PP. Mais faz lembrar um mau argumento de um filme de suspense em que ao fim de quinze minutos já sabemos como vai terminar o filme de duas horas.

Paulo Portas acredita piamente que ele é o único líder capaz para o CDS/PP, e pelos vistos o CDS/PP crê que Paulo Portas é o D. Sebastião, ou mesmo o Messias, que procurará a salvação dum partido que está cada vez mais desbotado.

Mal vai um partido que apenas se consegue rever num único líder, esvaziando as suas potencialidades internas.

Passa-se no CDS nacional, passa-se no CDS em Vagos...

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