quarta-feira, 28 de março de 2007

"Nem sempre as sociedades evoluem para melhor"

É com a frase que dá título a este post que encerra o primeiro episódio da série documental "Portugal - Um retrato social", da autoria do Prof. António Barreto e que estreou ontem na RTP1.

Desde o dia em que esta série documental foi anunciada que fiquei literalmente à espera da sua estreia. Pelo que entendi trata-se de um trabalho de investigação e de campo que pretende dar a conhecer como é que a sociedade portuguesa evoluiu - para melhor ou para pior - nestes últimos quarenta, cinquenta anos.

Trata-se de uma série de sete episódios que pretendem analisar as várias vertentes da nossa sociedade, tendo este primeiro episódio analisado evolução das nossas condições de vida, a maneira como nascemos e como vivemos, a maneira como o conceito de "família" evoluiu neste último meio século.

Apesar de nesta série não se pretender adjectivar a forma como a nossa sociedade evoluiu, não deixa de ser paradigmática a frase com que este primeiro episódio encerrou. Parafraseando ainda esta série, a nossa sociedade preocupa-se mais com aqueles que trabalham do que com aqueles que já contribuíram com ela.

Os assuntos abordados evoluíram quase naturalmente, e de forma bem conduzida. A maternidade assistida medicamente dos nossos dias e as "parteiras" das aldeias há anos atrás; a diminuição considerável da mortalidade infantil; a alimentação; o conceito de família nuclear e as formas actuais de agregados familiares mais desconcentradas e menos clássicas; mas a parte final do programa pôs o dedo numa das feridas da nossa sociedade actual: a maneira como a terceira idade é tratada. A solidão, os centros de dia, os lares. A maneira como os mais velhos, antes integrados na família, mais próximos dos netos e mesmo dos bisnetos, agora são vistos como um fardo no actual modelo de sociedade. Agora ambos os membros do casal trabalham, os filhos estudam, a família encontra-se geralmente todo o dia fora de casa. A dependência dos mais velhos é por isso uma complicação para esta vida que agora se leva a correr fora de casa.

Este assunto foi calcado e recalcado, ocupando uma grande parte final deste episódio, evidenciando claramente que este é um problema sério e que corresponde a uma evolução negativa da nossa sociedade.

Se assim não fosse não vejo outra justificação para terminar dizendo que "Nem sempre as sociedades evoluem para melhor".

2 comentários:

Shrew disse...

Um documentário importante para conhecer Portugal.
Espero que posteriormente seja disponibilizada em DVD.

Tony Almeida disse...

Assim o espero também eu: o primeiro episódio evidenciou que estamos perante um documento de qualidade que merece a posterior publicação em DVD. E de certeza que é isso o que vai acontecer após a sua passagem em canal aberto.