quinta-feira, 12 de abril de 2007

Reacções

Ontem foi o dia em que o Primeiro Ministro justificou a sua situação curricul..., desculpem, fez um balanço dos dois primeiros anos de governação socialista. Como seria de esperar, da governação socialista tivemos uma amostra triste e diáfona (na sua forma figura, claro!), revelador da nossa actual realidade, com a questão da Independente a fazer as honras da casa, ou não fosse esse o verdadeiro motivo pelo qual o José Sócrates foi à RTP (do estado, claro!): tentar fazer a defesa da honra.

Reacções a esta entrevista houve muitas, tendo as reacção do PSD, na figura de Marques Mendes, sido, na minha opinião, desadequada. As questões levantadas líder do PSD não são as verdadeiras questões de fundo que interessam de facto.

Apesar de não me rever nas ideias de Francisco Lousã, foi ele quem realmente apontou a verdadeira questão: houve ou não houve favorecimento? Houve ou não "tráfico de influências"? Tal como eu tenho dito, se tudo isto é verdade, se houve benefícios para que José Sócrates obtivesse um "canudo" em engenharia, como podemos dar crédito a quem exige dos portugueses mas que, para benefício pessoal, seguiu o caminho mais fácil? Repito, esta questão apenas faz sentido se tiver havido favorecimento.

É por isso que este caso merece ser cabalmente esclarecido, e não foi isso o que aconteceu ontem. Aliás, para as justificações que foram apresentadas ontem não se entende este prazo de 20 dias (penso eu) desde que este assunto foi trazido à baila pelo jornal Público.

Das reacções à "entrevista" de ontem, penso que o comentário de António Barreto, insuspeito como facilmente se percebe, reflecte o essencial desta situação. Deixo aqui um excerto, podendo o comentário ser lido na íntegra aqui:

«A entrevista foi um bom sintoma daquilo a que está reduzida a política portuguesa: um aeroporto que ainda não existe e uma coisa que não se sabe se alguma vez foi uma universidade. Onde estão a ideologia, a Europa, as questões sociais? Nada. Sócrates gosta de passar a imagem do homem de acção que fala pouco. O problema é não ter obra para mostrar. Pouco mais pode fazer do que imitar o treinador do Benfica: prometer a Lua, iludir as derrotas e prometer a taça no ano que vem. Mas os eleitores sabem que é a fingir.

Simplesmente patético! Um primeiro-ministro a defender-se com um arguido! Um primeiro-ministro a considerar insinuações as mais legítimas dúvidas da imprensa e da opinião pública!

Um primeiro-ministro que acha normal que um deputado, ministro depois, se matricule em curso superior e obtenha diploma académico de recurso (feito em três universidades diferentes), ainda por cima em estabelecimento não reconhecido pela respectiva Ordem profissional!

Um primeiro-ministro que não percebe que um deputado e um membro do governo não têm os mesmos direitos, ou antes, as mesmas faculdades que os outros cidadãos e não podem nem devem apresentar-se como candidatos a cursos pós-laborais que lhe confiram estatuto académico a que aspiram!

Um primeiro-ministro que considera normal e desculpável que os seus documentos oficiais curriculares sejam corrigidos e alterados ao gosto das revelações públicas!
Era tão melhor julgar os políticos por razões políticas e não por motivos pessoais ou de carácter! São, infeliz e necessariamente, sinais dos tempos. Dinheiro, sexo, cultura, vida familiar, gosto e carácter transformaram-se em critérios de avaliação. O facto, gostemos ou não, faz parte das regras do jogo.»

Sem comentários: