quarta-feira, 9 de maio de 2007

Défice Democrático?

A sua postura política poderá ser duramente questionada, a adjectivação para com os políticos e os jornalistas do continente poderá não ser a mais elegante (longe disso!!), os métodos poderão ser rotulados de censuráveis ou mesmo obscuros, mas o certo é que Alberto João Jardim arrecadou a segunda maior vitória do PSD na Madeira e infligiu ao PS a pior derrota de sempre em eleições regionais madeirenses.

Por muito que o PS tenha "barafustado" sobre as condições em que decorreu a campanha eleitoral, o certo que não deveria estar muito convicto das reclamações que apregoava nos comícios. Uma coisa é o que o seu candidato gritava aos quatro ventos, outra foi o que o PS fez junto das entidades que fiscalizam todo o processo eleitoral. Na Comissão Nacional de Eleições apenas foram registadas 26 queixas, sendo que 12 delas partiram do PS.

Esta "falta de convicção" mais rapidamente foi sentida pelo eleitorado e reflectiu-se fortemente no resultado do Partido Socialista nestas eleições: apenas pouco mais de 15% das intenções de voto, um "tombo" de 12% comparado com o anterior acto eleitoral e no qual o PS atingiu o seu maior score de sempre.

Penso que a população da Madeira foi sensível aos argumentos do novamente reeleito Presidente Regional. Este demitiu-se porque o seu programa eleitoral foi elaborado com base num cenário económico que mudou radicalmente por decisão governamental. Volta a apresentar-se (porque a lei o permite!) ao eleitorado com um novo programa eleitoral que reflecte a nova lei das finanças regionais.

Por outro lado, quer se goste ou não, trata-se de um político com obra feita. Pode não se concordar com ela mas o certo é que o povo madeirense reconheceu o desenvolvimento que Alberto João Jardim introduziu na Madeira. A oposição, por outro lado, não cativo. Foi simplesmente vista como um tiro no escuro, e na hora de colocar a cruz no boletim de voto a Madeira voltou as costas ao desconhecido e preferiu manter o rumo que o governo regional tomou desde as primeiras eleições livres no arquipélago.

Estas eleições, e o resultado alcançado pelo PSD, acabam por se traduzir num forte apoio ao Alberto João Jardim e num "protesto" contra as políticas regionais que este governo socialista tem vindo a impor. Pelo menos assim terá sido entendido na Madeira.

Défice democrático? Acreditam mesmo que nos dias que correm, com o actual acesso à informação, é possível ludibriar facilmente 65% do eleitorado? O não terá sido antes toda uma má gestão política por parte dos partidos da oposição na Madeira?

Se o PS acreditava na vitória, ou mesmo se o PS acreditasse em todas as acusações que fez durante a campanha, então porquê o seu Secretário-Geral, o (eng.) José Sócrates, nunca apareceu em campanha?

O cheiro a derrota já se sentia aqui no continente e se há uma coisa em que o nosso Primeiro Ministro é de facto bom é na gestão da sua imagem, e a última coisa que ele queria era ver-se associado a tamanha derrocada atlântica.

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