sexta-feira, 15 de junho de 2007

"Alma Llanera"

Nos últimos dias tenho mantido a minha atenção virada para o blog A Origem das Espécies, em particular porque um dos seus bloguistas, o FVJ, parece que terá viajado até a Venezuela.

As suas impressões da capital venezuelana, o controlo no aeroporto, as manifestações e alguns pontos que ele considerou surpreendentes estão retratados no seu blog.

E depois falou de La Guaira.

A Venezuela é um país que me marcou profundamente: é a minha terra natal e foi lá que vivi a minha infância. Foi lá que fiz as minhas primeiras amizades às quais infelizmente já perdi rasto. Morei em Macuto, no Distrito Federal, agora denominado Estado Vargas senão me engano, mesmo ao lado de La Guaira. Era só pegar na toalha, dizer "vou a praia" e percorrer alguns metros para poder mergulhar nas águas das caraíbas.

Foi para mim uma grande surpresa quando, no ano de 1983, foi decidido o regresso da família à terra natal. O meu pai teve a grande perspicácia de perceber que o rumo que o país estava a tomar então não alvitrava um futuro feliz. E assim foi.

Custa-me ver a Venezuela que eu conheci refém de um megalómano egocéntrico, completamente cego pelo poder, e que ilude a população com um jogo de "pão e circo". Ofende o seu inimigo de estimação ao mesmo tempo que atira umas migalhas ao povo para manté-lo calado. As vozes críticas vão sendo silenciadas sendo a prova mais recente o fecho da Radio Caracas Televisión (RCTV), outra das memórias da minha infância. Sobre este facto, fiquei agradado por saber que a "Radio Rochela", um programa de humor com 48 anos de emissões ininterruptas e que lhe valeram um registo no Guiness, continua a ser apresentada mas agora nas ruas (!), sempre com o público a acompanhar os comediantes.

Desde 1984 que nunca mais regressei a Venezuela e, sinceramente, não consigo ganhar coragem para lá voltar: o medo da decepção profunda é grande e prefiro guardar a memória que ficou registada antes da minha vinda para este lado do Atlântico.

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