quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ota?

E de repente, quando menos se esperava, o governo recua na questão da Ota. Recua?! Não!! Apenas ganha tempo.

Será que alguém ainda está convencido de que o governo, depois de todo o tempo investido neste assunto, já para não falar de outros investimentos que possam estar por detrás, vai deixar cair o aeroporto na Ota?

O Primeiro Ministro, através do seu ministro da obras públicas (ou vocês estavam a espera que fosse o próprio Primeiro Ministro a fazer uma declaração destas?), veio anunciar que afinal a questão da Ota vai ficar "de molho" durante seis meses, enquanto se aguarda um relatório que permita fazer uma comparação com a opção Alcochete.

Esta tomada de posição está longe de ser um recuo: é apenas uma forma de ganhar tempo ao mesmo tempo que cala as vozes da oposição o tempo suficiente para que a presidência portuguesa da União Europeia não seja maculada por este assunto que tanta polémica tem levantado na sociedade. O timing foi deliberadamente escolhido para que este assunto evitasse desgastar o governo durante precisamente os seis meses que dura a presidência portuguesa.

Este interregno de seis meses para a elaboração de um relatório pelo LNEC permite "calar" os partidos da oposição e consegue ainda acalmar as dúvidas que o Presidente da República tinha vindo a manifestar recentemente sobre a escolha cega e teimosa da Ota.

Ora, um relatório comparativo pode muito bem dizer aquilo que seja mais conveniente, ou não fosse o governo especialista na formatação neste tipo de estudos: basta ver como foram feitos os estudos que decidiram quais as SCUT que deveriam passar a ser pagas e quais não.

Porquê apenas Alcochete? Porquê não outras localizações? Porquê não soluções híbridas do tipo "Portela mais um"? Afinal os impactos ambientais devidos a o aeroporto da Portela já existem, porquê não optar por uma solução que tire proveito de infraestruturas existentes?

Certo é que passados seis meses, depois da presidência portuguesa da UE estar concluída, iremos ter um relatório cujas conclusões, do ponto de vista do governo, irão favorecer a opção Ota.

A discussão continua após os comerciais.

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