domingo, 1 de julho de 2007

A Presidência Portuguesa da UE

Começa hoje a Presidência Portuguesa da União Europeia. Não sei se será motivo para festejar ou para lamentar. Infelizmente na anterior presidência portuguesa, na altura com o Eng. António Guterres (esse sim, parece que não havia dúvidas quanto ao grau académico), Portugal foi colocado em espera. Foi como se o governo na altura nos tivesse dito a todos "espere por favor enquanto transfiro a chamada", e ficamos todos à espera enquanto ouvíamos a música - música não, ruído - de fundo oriundo das inúmeras reuniões, encontros e outros que tais para os quais o Primeiro Ministro de então se desdobrou. O país ficou a assistir ao incansável esforço do nosso governante em resolver os problemas colocados pela agenda europeia, ao mesmo tempo que a agenda portuguesa tinha ficado debaixo de uma pilha de papéis timbrados com as estrelas da UE.

Os problemas colocados a esta nova Presidência Portuguesa, em particular o tão badalado Tratado da União, irão certamente exigir um grande esforço político. Será que o país irá ficar novamente em banho-maria? A Ota é um exemplo disso mesmo: para evitar chatices durante a Presidência Portuguesa adia-se o problema por seis meses - o tempo que durá o mandato - enquanto se espera por mais um estudo. Deixo de lado outras considerações de estratégia política que este adiamento implica.

A Presidência Portuguesa poderá ser bem sucedida ou não, poderá marcar um passo importante para a UE dependendo da forma como o dossiê "Tratado Europeu" for conduzido. Mas será que o preço que Portugal irá pagar em termos de política e gestão interna justifica?

Prognósticos só no final do jogo...

2 comentários:

Leonel disse...

Engraçado é ver que o que sucedeu a Guterres na última presidência foi quase um espelho do que sucedera a Cavaco na precedente...
Ver aqui:
http://margensdeerro.blogspot.com/2007/06/apertem-os-cintos-de-segurana.html

Tony Almeida disse...

Não sei se é possível fazer a comparação: ambos partem com níveis de popularidade diferentes e o comportamento das sondagens é diferente. Durante a segunda presidência portuguesa assistimos a uma queda acentuada (eu diria queda livre) da popularidade do Primeiro Ministro António Guterres, da qual nunca mais recuperou. O desprendimento com os assuntos da nação chegou ao ponto de ele ter abandonado um debate parlamentar para presidir a uma reunião da Internacional Socialista que decorria em Lisboa.

A dança de cadeiras com as reformas governamentais foram ainda consideráveis e já ninguém queria manter-se ligado a esse governo.

As eleições autárquicas de 2001, com a derrota estrondosa do PS, foi a desculpa que faltava para abandonar o barco

Tony