sexta-feira, 27 de julho de 2007

A "pequena" entrevista

A entrevista de Sócrates na quarta-feira passada, anunciada como "a" entrevista, aquela que ocorria a meio do mandato e que serviria para fazer um balanço governativo dos dois anos de maioria socialista, foi, sem qualquer margem de dúvida, um autêntico flop.

A intervenção do primeiro-ministro na SIC foi completamente vazia de conteúdo, nada trazendo de interessante ou sequer abonatório. O reflexo disso mesmo ficou expresso nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte. Nas primeiras páginas e não só! Mesmo vasculhando no interior dos jornais verifica-se que a entrevista do José Sócrates foi um autêntico não-acontecimento. O caso "Apito Dourado" capitalizou a atenção de todos os meios de comunicação, atirando a intervenção do primeiro ministro para lá de um segundo plano.

Quando assistimos a uma entrevista dita de "avaliação governativa", seria de esperar que todas as palavras de José Sócrates fossem dissecadas ao pormenor. Foi assim que eu vi acontecer sempre que um primeiro ministro português vinha à televisão, ou outro meio de comunicação, fazer uma intervenção de fundo. Claro que para isso é necessário que o discurso do entrevistado tenha algum "sumo".

Olhando para as reacções da comunicação social, só vimos destacada a polémica da aplicação da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, ou lei do aborto, na região autónoma da Madeira, um assunto que tem suscitado alguma atenção, merecida, da comunicação social. Tirando isso? Mais nada. A entrevista de José Sócrates não teve mais nada. Foi mesmo um programa que custou caro à SIC em termos de audiência, espelho daquilo que o povo espera deste governo.

Dá vontade de dizer que quem tira o teleponto ao primeiro ministro, tira-lhe tudo. Sozinho, sem rede, numa entrevista, José Sócrates na quarta-feira mostrou que está longe de ser um one show man.

Claro que também podemos culpar o formato da entrevista: curta em tempo, com muitos assuntos a serem abordados que obrigaram a respostas, por vezes, telegráficas. Os moderadores "guinavam" bruscamente o comando da entrevista, mudando abruptamente de assunto.

Em todo caso, ao fim de dois anos de governo socialista, e em vésperas do primeiro ministro ir de férias, ficamos a saber que o nosso governo nada tem a dizer ao povo português sobre o nosso futuro imediato.

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