domingo, 19 de agosto de 2007

Uma Mensagem Electrónica

«Meu bom amigo,
espero que esta carta o encontre de excelente saúde. Bem sei que não é exactamente uma carta isto que lhe escrevo agora, mas uma mensagem electrónica. Já ninguém escreve cartas. Eu, sou-lhe sincero, sinto saudades dos tempo em que as pessoas correspondiam, trocando cartas, cartas autênticas, em bom papel, ao qual era possível acrescentar uma gota de perfume, ou juntar flores secas, penas coloridas, uma madeixa de cabelo. Sofro uma nostalgia miúda desse tempo em que o carteiro nos trazia as cartas a casa, e da alegria, do susto também, com que as recebíamos, com que as líamos, e do cuidado com que, ao responder, escolhíamos as palavras, medindo-lhes o peso, avaliando a luz e o lume que ia nelas, sentindo-lhes a fragrância, porque sabíamos que seriam depois sopesadas, estudadas, cheiradas, saboreadas, e que algumas conseguiriam, eventualmente, escapar à voragem do tempo, para serem relidas muitos anos depois.»

José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'

sábado, 18 de agosto de 2007

Vivacidade e Talento

«Pertencemos a uma terra em que a vivacidade faz as vezes do talento e onde a destreza ocupa o lugar da capacidade criadora, e creio com frequência que não passamos de facto de débeis mentais habilidosos consertando fusíveis à custa de expedientes de arame»

António Lobo Antunes, in "Os Cus de Judas"

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ontem e Hoje

«Ainda ontem eram floreios de espada e hoje são arrobações de pelouro, ainda ontem se derrubavam muralhas e hoje se desmoronam cidades, ainda ontem se exterminavam países e hoje se rebentam mundos, ainda ontem morrer um era uma tragédia e hoje é banalidade evaporar-se um milhão»

José Saramago, in "Memorial do Convento"

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Luís Filipe Menezes na Praia da Vagueira

Luís Filipe Menezes acusa Ministério do Ambiente de ser pouco interventivo

«O candidato à presidência do PSD Luís Filipe Menezes criticou hoje a falta de intervenção do Ministério do Ambiente em questões fundamentais do sector, defendendo a necessidade de o primeiro-ministro "fazer alguma coisa" para inverter a situação.

(...)

Luís Filipe Menezes, que falava na praia da Vagueira, criticou especialmente a situação relativa à gestão da orla costeira, alertando que "o mar está a avançar perigosamente em 67 por cento da costa portuguesa, em alguns casos seis a oito metros por ano".»

domingo, 12 de agosto de 2007

A não perder...

...se o tempo hoje o permitir. Para hoje está previsto o pico máximo de estrelas cadentes das chamadas Perseidas, nome que esta chuva de estrelas cadentes recebeu por parecer que estas "nascem" na constelação de Perseus (clique na imagem deste post).

De preferência procurar um lugar longe dos centro urbanos, onde existe menos poluição luminosa e assim garantir a observação do maior número possível de estrelas.

Mais informações aqui, aqui e aqui.

sábado, 11 de agosto de 2007

Porto 0 - Sporting 1

- Ó mãe! Hoje não me apetece escovar os dentes.
- Não faz mal filho, sempre poupamos na pasta dentífrica

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Esquerdização e Recentramento

Não interessa a gravidade ou a quantidade das "cambalhotas" que o governo do PS dá - ou mesmo o próprio PS - que "Sócrates y sus muchachos" poderão contar sempre com alguns defensores de primeira linha que, contra todas as evidências, arranjaram sempre justificações para tudo, por mais absurdo que pareça.

Na primeira linha temos os incontornáveis Vital Moreira e António Vitorino, que para além de defender todas as acções do governo, ainda aproveitam os tempos mortos para desancar na direita, convencidos ainda de que o governo socialista o é de facto, julgando-se os defensores da fronteira que delimita a esquerda da direita ideológica.

Isto tudo a propósito de um artigo de opinião, publicado hoje no DN, de quem António Vitorino é o autor, e que tem como pano de fundo as eleições para a presidência do PSD.

Neste artigo António Vitorino afirma que «Na área socialista e social-democrata, após a perda do poder, a tradição é de autoflagelação». E depois esclarece: «Enquanto à esquerda os períodos de nojo oscilam entre a esquerdização e o recentramento, à direita a tensão é entre a recredibilização e o populismo». Ou seja, e de uma maneira muito simples, na procura da reconquista do poder, os partidos da esquerda procuram a sua definição ideológica e os partidos da direita procuram apenas melhorar a sua imagem perante o eleitorado. Pois sim! Foi mesmo isso que o PS ando a fazer quando perdeu as eleições após António Guterres ter abandonado o barco! Todos nós vimos como as eleições directas do PS decorreram, com as diversas alas "-istas" - "soaristas", "ferristas" e guterristas - a digladiaram-se, num espectáculo que foi tudo menos de esquerdização e recentramento.

Fazendo um pequeno exercício, podemos ver que as frases "à esquerda os períodos de nojo oscilam entre a esquerdização e o recentramento" e "à direita a tensão é entre a recredibilização e o populismo" são equivalentes. Para tal temos que substituir "esquerdização" por "recredibilização", e "recentramento" por "populismo". Ficam iguais, não é?

Basta agora balizar os limites de "esquerdização" e "recentramento" dentro de cada área ideológica que verificamos que à direita e à esquerda acontecem exactamente as mesmas coisas. Apenas mudam os valores defendidos pelas pessoas.

qed

Mais um aviso...

Golfinho extinto por culpa da acção humana

«Este é o ponto final na história do baiji, um golfinho de água doce que vivia há mais de 20 milhões de anos no rio Yangtzé, na China. Após uma expedição de seis semanas, entre Novembro e Dezembro de 2006, uma equipa internacional de cientistas não conseguiu localizar nem um exemplar desta espécie (Lipotes vexillifer) ao longo de mais de 1600 quilómetros de rio. O baiji, que podia atingir 2,4 metros, está extinto graças à acção do homem.»

Confesso que esta é daquelas notícias que me perturbam profundamente. Apesar de todos os avisos, nós os seres humanos insistimos em manter este comportamento egoísta, desprezando todas as outras formas de vida que partilham este cantinho do sistema solar.

As notícias recorrentes sobre os nossos atentados contra o meio ambiente fazem-me sistematicamente recordar o filme The Matrix, em particular uma deixa do Agente Smith (Hugo Weaving) quando este interrogava o Neo (Keano Reeves):

«I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species. I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment, but you humans do not. You move to an area, and you multiply, and multiply, until every natural resource is consumed. The only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet, you are a plague, and we are the cure.»

Mais um link: Cibertúlia

Mais um blog a juntar aos meus Outros Pontos: Cibertúlia. Recomendo a passagem por este cantinho do ciber-espaço.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Vagueira outra vez pela positiva

Agora foi a vez do Instituto da Água atestar a qualidade da praia da Vagueira: o relatório anual de 2006 sobre a qualidade das águas balneares, que foi publicado a meio da época balnear, atribui a classificação de BOA às águas da Vagueira e da Ponte da Vagueira, numa escala de quatro índices que vai de Boa a Interdita.

O documento está disponível aqui. Esta informação também está disponível na forma de folheto aqui.

Ó pra mim cheio de pena!

Isto é o que se chama chorar de barriga cheia...

Galp Energia
Empresa perde nos combustíveis, devido à diferença de impostos entre Portugal e Espanha


«O presidente-executivo da Galp Energia afirmou que a empresa perde por ano entre 100 a 150 milhões de litros de venda de combustível devido à diferença de impostos entre Portugal e Espanha»

mas ao mesmo tempo...

Valor supera a expectativa dos analistas
Lucro da Galp Energia subiu 71 por cento no primeiro semestre do ano


Estou mesmo cheio de pena! Assim não há condições para presidir a uma empresa petrolífera...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Depois da 'bronca'...

Ministro Rui Pereira ordena à GNR para regularizar situação dos 900 vigilantes

Foi necessário que a comunicação social expusesse a situação mais do que precária destes vigilantes florestais, sem contratos assinados e muitos sem receberem qualquer pagamento, para que o ministro se dignasse a fazer aquilo que deveria ter sido feito logo no primeiro dia em que os 900 vigilantes foram contratados.

Se tudo isto fazia parte do plano de prevenção de fogos florestais, não se consegue perceber como é que situações 'terceiro-mundistas' como estas podem acontecer. Sendo estas pessoas uma primeira linha da defesa da nossa floresta, não compreendo como é que o governo se pode dar ao luxo de deixá-los numa situação de desgaste e desmotivação. É assim que se pretende defender a floresta nacional?

E assim vai o governo da república...

Surto de febre aftosa no Reino Unido

Só falta saber quais são os outros 152

Ministério da Cultura vai dispensar 153 funcionários

Atendendo ao que se passou no Museu Nacional de Arte Antiga, só falta saber quais são os restantes 152 funcionários...

Ele há coisas... (3)

'Pescan' un hombre lego gigante en una playa holandesa

...e a Legoland (Dinamarca) diz que não perdeu nenhuma peça deste tipo.

domingo, 5 de agosto de 2007

O Preço da Liberdade

«A liberdade do espírito não tem preço, mas este mundo quer sempre impor um preço para tudo»

Luther Blissett, in "Q - O Espião do Vaticano" (Livro Um)

Sobre Luther Blissett ver apontamento neste post

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Regulamentar o acesso às profissões?!

Sempre entendi que cada indivíduo deveria seguir a sua vocação. O seu empenho e o seu profissionalismo ditariam então o seu lugar, ou não, no mercado de trabalho. Sem uma verdadeira vocação e sem um verdadeiro empenhamento certamente que seria impossível singrar profissionalmente naquela área em que se gostaria de trabalhar.

Ou pelo menos assim seria na era pré-Sócrates.

Ontem, em Conselho de Ministros, foi criado uma comissão interministerial que terá como funções regular as condições de acesso a profissões (?!). Pode ler-se no Portugal Digital que se pretende implementar um sistema para "regulamentar o acesso a profissões que «por razões de interesse colectivo ou por motivos inerentes à capacidade do trabalhador, obrigam a restringir» o princípio constitucional da liberdade de escolha da profissão". Isso mesmo: obrigar a restringir o princípio constitucional da liberdade de escolha da profissão.

Mais grave foi saber que o Ministro Viera da Silva, em conferência de imprensa, ter dito que, e segunda ainda o Portugal Digital, "há «um conjunto de profissões com requisitos especiais como por exemplo a vossa profissão [jornalistas]», apontando «em particular profissões de enorme sensibilidade social e relevância para o bem-estar público e comum» como por exemplo «piloto de companhia aérea»".

Eu sempre pensei que os tais "requisitos especiais" seriam impostos pelas entidades que contratam determinados profissionais, e que eram precisamente estas mesmas entidades que teriam a capacidade de escrutinar de entre os candidatos aqueles que reuniam as competências profissionais e mentais de exercerem determinadas profissões. Nunca pensei que tudo isto fosse matéria de intervenção de um estado, que tem demonstrado uma apetência particular de afastar todos aqueles que pensam de forma diferente e/ou apontam o dedo para situações menos claras.

A pergunta que fica é: será que esta comissão ou este sistema também vai "ditar" que pode seguir carreira política e/ou governativa? É que eu começo a desconfiar que este governo ficaria imediatamente impedido de continuar a sua "profissão" por não reunir os "requisitos especiais" de liberdade necessária para o bom desempenho de uma democracia.

Sobre isto acho interessante dar uma espreitadela a algumas conclusões expostas no Blasfémias.

Incompreensível

«Ficou três anos, esperava ficar seis. Diz que fez tudo o que pôde para que o principal museu público português se modernizasse e não se arrepende de ter manifestado a sua oposição à tutela (a ministra da Cultura e Manuel Bairrão Oleiro, director do Instituto dos Museus e da Conservação, IMC). Com ela o público cresceu (192 mil visitantes em 2006, mais 154 por cento que em 2004), as receitas aumentaram (1,1 milhões em 2006, segundo dados do museu) e o edifício foi restaurado. Dalila Rodrigues queria um MNAA autónomo, o Ministério da Cultura não quis sequer pensar nisso.»

Simplesmente não dá para compreender. Olhando para este sumário de feitos, não se percebe como o governo afasta, sem qualquer pontada de arrependimento, uma excelente colaboradora que tanto fez pelo Museu Nacional de Arte Antiga. O simples afastamento político é um argumento tão oco, tão desprovido de racionalidade que custa acreditar que é este tipo de gente que está a frente dos destinos da nação, destinos orientados não pelo verdadeiro interesse nacional mas pela cor do pensamento.

Medo do medo? É difícil de concordar com esta ideia depois de tudo a que temos vindo a assistir. O que no início era uma anedota, a questão de termos ou não liberdade de opinião, o certo é que começa a tomar dimensões sérias, e que antes parecia ser casos pontuais, hoje parece querer confirmar a regra. Ou não?

Isso já é pedir demais!

Sobre a vigília de apoio a Dalila Rodrigues, podemos ler no Público online:

«Após a saída de Dalila Rodrigues do local, alguns colaboradores da directora suspiravam com desalento. Álvaro Roquette dizia apenas que a vigília foi “um sucesso” e que espera que “o próximo director (Paulo Henriques, que transita do Museu Nacional do Azulejo) continue o trabalho da actual directora. O arquitecto Manuel Graça Dias rematava que, no final deste processo que lhe causou “repulsa”, “resta o museu”. “E espero que reste um pouco de bom senso no Ministério da Cultura”.»

Pedir que o próximo director continue o trabalho que vinha a ser feito pela futura ex-directora ainda vá... mas agora desejar que reste um pouco de bom senso no Ministério da Cultura?! Vão-me desculpar mas, atendendo aos disparates pegados que temos assistido em matéria de coerência, penso que já é pedir demais.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Mas quem é que falou em perseguição? Uhm?

Dalila Rodrigues diz ter sido penalizada por contestar modelo de gestão dos museus nacionais
Directora do Museu de Arte Antiga "surpreendida" e "indignada" com afastamento


«A directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, afirmou ter sido hoje "surpreendida" com o seu afastamento do cargo e considerou "inacreditável" ter sido "penalizada por discordar publicamente do modelo de gestão" dos museus nacionais.

"Estou surpreendida porque nunca me foi feito nenhum reparo por parte da tutela sobre a forma como dirigi o museu. Recebi sempre elogios", disse Dalila Rodrigues, poucas depois de lhe ter sido comunicada a não renovação da comissão de serviço pelo director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), Manuel Bairrão Oleiro. (...)»

Só se for por causa das gargalhadas

A Ministra da Educação foi ontem à Comissão Parlamentar da Educação fazer a defesa da Directora da Regional da Educação do Norte, ainda sobre a instauração do processo disciplinar instaurado a Fernando Charrua, na sequência da já famosa piada/ofensa dirigida ao Primeiro Ministro.

Na defesa da Directora e do delator, a ministra justifica-se dizendo que:

«Houve um insulto, não uma piada jocosa, proferida no local de trabalho, num espaço público, audível por diversas testemunhas. A simples comprovação deste facto é matéria suficiente para configurar uma conduta passível de procedimento disciplinar, já que é violadora do dever de correcção pela linguagem e perturbadora do funcionamento dos serviços

Perturbadora dos funcionamento dos serviços? Bem, só se os serviços foram perturbados por causa da gargalhada que a piada/ofensa deve ter arrancado a todos os funcionários que a ouviram, não? Sinceramente não me ocorre outra maneira de perturbação. Pelo menos óbvia.

Não deixa de ser estranho, agora que este processo está arquivado, que, por um lado, a Directora da DREN tenha sido considerada demasiado zelosa ao ponto de ter interferido com a liberdade de expressão e esta não ter sido demitida, e por outro lado, a directora da Centro de Saúde de Vieira do Minho ter sido demitida por ter NÃO ter interferido com a liberdade de expressão.

Assim vai o governo da república...

Pontos Soltos na Blogosfera

Pontos Soltos passou a ser referido nos blogs DesportoAveiro e Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos