sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Esquerdização e Recentramento

Não interessa a gravidade ou a quantidade das "cambalhotas" que o governo do PS dá - ou mesmo o próprio PS - que "Sócrates y sus muchachos" poderão contar sempre com alguns defensores de primeira linha que, contra todas as evidências, arranjaram sempre justificações para tudo, por mais absurdo que pareça.

Na primeira linha temos os incontornáveis Vital Moreira e António Vitorino, que para além de defender todas as acções do governo, ainda aproveitam os tempos mortos para desancar na direita, convencidos ainda de que o governo socialista o é de facto, julgando-se os defensores da fronteira que delimita a esquerda da direita ideológica.

Isto tudo a propósito de um artigo de opinião, publicado hoje no DN, de quem António Vitorino é o autor, e que tem como pano de fundo as eleições para a presidência do PSD.

Neste artigo António Vitorino afirma que «Na área socialista e social-democrata, após a perda do poder, a tradição é de autoflagelação». E depois esclarece: «Enquanto à esquerda os períodos de nojo oscilam entre a esquerdização e o recentramento, à direita a tensão é entre a recredibilização e o populismo». Ou seja, e de uma maneira muito simples, na procura da reconquista do poder, os partidos da esquerda procuram a sua definição ideológica e os partidos da direita procuram apenas melhorar a sua imagem perante o eleitorado. Pois sim! Foi mesmo isso que o PS ando a fazer quando perdeu as eleições após António Guterres ter abandonado o barco! Todos nós vimos como as eleições directas do PS decorreram, com as diversas alas "-istas" - "soaristas", "ferristas" e guterristas - a digladiaram-se, num espectáculo que foi tudo menos de esquerdização e recentramento.

Fazendo um pequeno exercício, podemos ver que as frases "à esquerda os períodos de nojo oscilam entre a esquerdização e o recentramento" e "à direita a tensão é entre a recredibilização e o populismo" são equivalentes. Para tal temos que substituir "esquerdização" por "recredibilização", e "recentramento" por "populismo". Ficam iguais, não é?

Basta agora balizar os limites de "esquerdização" e "recentramento" dentro de cada área ideológica que verificamos que à direita e à esquerda acontecem exactamente as mesmas coisas. Apenas mudam os valores defendidos pelas pessoas.

qed

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