quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Ah, é? Então com licença e até logo!


Desde a sua saída do Chelsea que Mourinho tem feito a delícia da comunicação social, a qual faz questão de não o deixar em paz, apesar de ele ter já dito que pretende passar algum tempo de qualidade com a família (bem, com a indemnização que ele recebeu até eu conseguia passar um bom tempo de qualidade!).

O facto de ele simplesmente ter chegado ao país foi motivo para interromper uma entrevista que estava a ser feita ao Santana Lopes na SIC Notícias, na qual estava a ser feita uma análise política à actual situação vivida do PSD.

No "regresso ao estúdio", e ao ser novamente interpelado pela jornalista para continuar a entrevista, Santana Lopes não só se indignou pelo sucedido como ainda se recusou a continuar a entrevista. "Acho que o país está doido", uma frase do Santana Lopes, proferida durante este episódio, e que encerra de forma simples a forma como por vezes a informação é conduzida no nosso país.

Sinceramente, e independentemente de Mourinho ser ou não uma personalidade do nosso país, não deixe de ser um simples treinador de futebol. Sim, é verdade, ele conseguiu uma série de proezas desportivas, mas não deixa de ser um treinador de futebol. O futuro de nosso país não depende dos sucessos desportivos do Chelsea, do Porto, da Selecção Nacional, seja em futebol, seja a jogar ao berlinde.

É certo que a discussão na altura era referente à vida interna de um partido, mas de um partido que faz parte do arco governativo e que se reflecte no nosso panorama sócio-político, com todas as repercussões que se estendem ao nosso dia-a-dia, a bem ou a mal.

Este exemplo de "prioridade de informação" acaba por ser uma imagem do desinteresse nacional sobre a vida político-partidária a que o país esta devotado. As pessoas interessam-se mais por "pão e circo", preferindo abstrair-se da realidade concreta para mergulhar num mundo de distracções.

Mas será que a culpa é exclusivamente da comunicação social? Não, obviamente que não. Parte desta responsabilidade recai também sobre as estruturas governativas e partidárias que também não têm ajudado a credibilizar a política - e não me referio apenas à política nacional. Tem faltado aos nossos políticos - e nisso o actual governo não tem ajudado em nada - uma postura mais vertical, de princípio, que transmita uma imagem de responsabilidade que as pessoas actualmente têm dificuldades em ver.

Santana Lopes, neste episódio, demonstrou uma postura que eventualmente todos nós gostaríamos de ver mais vezes, uma imagem de insubmissão perante os interesses - ou lóbis - de terceiros.

Esta postura de Santana Lopes peca por tardia...

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