quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Novelas

«Depois liga a televisão, uma novela qualquer, sabes, pessoas verdadeiras a fingirem que são pessoas a fingir com problemas inventados que são vistas por pessoas verdadeiras para se esquecerem dos seus problemas reais.»

Chuck Palahniuk, in "Asfixia"

sábado, 27 de outubro de 2007

Muito Alta Tensão

A REN - Redes Energéticas Nacionais tem sido nos últimos tempos alvo de cobertura mediática devido à construção de novos perfis de linhas de transporte em Muita Alta Tensão.

A indignação e as manifestações dos moradores de Amadora e de Sintra por causa da passagem da linha de Muita Alta Tensão entre Fanhões e Trajouce rapidamente deu eco à oposição encontrada noutras localidades onde outras linhas estão a ser montadas, num efeito de bola de neve que culminou esta semana com uma greve de fome em frente à Assembleia da República.

Moradores de Sintra, Amadora, Odivelas, Guimarães, Almada e Estói têm-se manifestado contra o facto de verem as suas residências serem "banhadas" pelos campos electromagnéticos, e não radiações como por vezes tenho ouvido incorrectamente a ser afirmado, provocados pelas linhas que irão ter, ou já têm, a poucos metros das suas habitações.

Acena-se com a bandeira do cancro e de um sem número de doenças que estes campos poderão trazer a todos aqueles que passaram a ter como vizinhos aqueles apoios, ou torres, onde são suportados condutores eléctricos que transportam centenas de amperes a tensões na ordem das centenas de milhar de voltes.

São apontados estudos - se bem que nunca ninguém tenha dito especificamente quais - nos quais a saúde pública é posta em risco pela exposição aos campos de muito baixa frequência (campos ELF-extreme low frequency) , dentro dos quais se encontram os campos gerados pela nossa rede eléctrica que se encontra a funcionar a 50Hz (ou 50 ciclos por segundo, se preferirem).

Por outro lado temos a REN a afirmar que não está provado que a exposição aos campos ponha em risco a saúde pública. Em comunicado publicado no sítio da REN podemos ler que «dos trabalhos de investigação, conduzidos a nível internacional pela comunidade científica há mais de trinta anos, continua a não ser possível encontrar qualquer relação significativa entre a exposição aos campos electromagnéticos de muito baixa frequência, como é o caso dos associados à utilização da energia eléctrica, e a ocorrência de problemas na saúde dos seres vivos».

De facto, este é um assunto que de novo não tem nada. Desde a publicação de um dos primeiros estudos epidemiológicos [1], onde se mostrava um eventual aumento de risco de leucemia infantil devido à exposição a campos ELF, que se tem verificado um aumento do interesse público sobre este assunto, um interesse que por sua vez tem despertado preocupações junto das populações que moram junto destas estruturas de transporte de energia.

Passados trinta anos, continua a não ser de facto estabelecida uma relação de causa-efeito entre as linhas de alta tensão e a saúde pública. O trabalho apresentado por Wertheimer e Leeper em 1979 [1] tem sido contrariado várias vezes, como por exemplo em [2] e [3], e ao mesmo corroborado, como por exemplo em [4] e [5]. Existem inúmeras discussões entre investigadores da área, onde é argumentada a validade dos resultados e a forma como estes foram obtidos nos mais diversos trabalhos que têm vindo a ser publicados.

Apesar de apenas me ter referido a trabalhos onde foi abordado o estudo sobre a leucemia infantil, o panorama repete-se mais ou menos da mesma forma, mais consensual aqui, mais polémico ali, o que permite ter uma ideia da dificuldade que este assunto representa do ponto de vista científico.

Mesmo atendendo aos grandes contornos que este assunto merece, não consigo entender como é que o Presidente da Assembleia da República vem prometer, direi eu, quase de forma leviana, um estudo sobre os efeitos das linhas de Alta Tensão. Trata-se de um assunto que já vem a ser estudado a trinta anos e Jaime Gama parece estar convencido que agora irá conseguir obter o estudo derradeiro que esclarecerá todas as dúvidas de uma vez por todas. Das duas uma: ou não sabe do que está a falar ou foi apenas "fogo de vista" para despachar a comissão de moradores que se deslocou a Lisboa para protestar contra a instalação das já referidas linhas de Muito Alta Tensão.

Muito mais haveria a dizer sobre este assunto. As posições alarmistas dos moradores e a posição optimista da REN são, na minha opinião, demasiado extremistas. O certo é que passados quase trinta anos continuam a não haver certezas, e é precisamente das incertezas que nascem os receios. Apesar de o Princípio da Precaução poder ser tido em conta nestas situações, este muitas vezes tem dificuldades de se impor perante interesses económicos.

No fundo, tudo isto faz lembrar a problemática da instalação de uma lixeira: todos produzem lixo, mas ninguém quer saber de uma lixeira ao pé de casa.

[1] N. Wertheimer, E. Leeper,
Electrical wiring configurations and childhood cancer, American Journal on Epidemiology, vol. 109, no. 3, pp. 273-284,1979

[2] Martha S. Linet, Elizabeth E. Hatch, Ruth A. Kleinerman, Leslie L. Robison, William T. Kaune, Dana R. Friedman, Richard K. Severson, Carol M. Haines, Charleen T. Hartsock, Shelley Niwa, Sholom Wacholder, Robert E. Tarone,
Residential Exposure to Magnetic Fields and Acute Lymphoblastic Leukemia in Children, New England Journal of Medicine, vol. 337, no. 1, pp. 1-8, 1997

[3] David Jeffers, Transmission lines, EMF and population mixing, Radiation Protection Dosimetry, vol. 123, no. 3, pp. 398-401, 2007

[4] Gerald Draper, Tim Vincent, Mary E Kroll, John Swanson, Childhood cancer in relation to distance from high voltage power lines in England and Wales: a case-control study, BMJ, vol. 330, pp. 1290-, 2005

[5] R. M. Lowenthal, D. M. Tuck, I. C. Bray, Residential exposure to electric power transmission lines and risk of lymphoproliferative and myeloproliferative disorders: a case-control study, Internal Medicine Journal, vol. 37, no. 9,pp. 614–619, 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Terceira Canção de Ellen: Ave Maria

"Ellens dritter Gesang", ou "A Terceira Canção da Ellen", é certamente uma das músicas mais conhecidas de Franz Schubert e é também seguramente uma das músicas que mais confusão tem gerado.

"A Terceira Canção da Ellen?", poderão estar a perguntar. É muito provável que não a reconheçam por este título. No entanto, é muito provável que já tenham tido a oportunidade de assistir a uma missa de casamento, por exemplo, na qual é entoado o "Ave Maria" cantado por um solista. Estão a ver? Pois aquele "Ave Maria" muito melodioso, sentido, é o tal que comummente é conhecido por "Ave Maria" de Schubert. Ora o tal "Ave Maria" e "Ellens dritter Gesang" são precisamente a mesma música!

Este mais que conhecido "Ave Maria" está longe de ser um cântico de prece, ao contrário do que muita gente erradamente pensa. Esta música foi composta por Schubert tendo por base a tradução alemã do poema épico "The Lady of the Lake" de Walter Scott. No desenrolar da história Ellen e o pai são perseguidos pelo chefe de um clã opositor. Durante a fuga, eles escondem-se numa caverna onde a Ellen entoa uma oração à Virgem, pedindo-lhe protecção. O texto de esta "oração", em alemão, nada tem a ver com a oração "Ave Maria" que muito usualmente se ouve cantada em latim.

No n.º 82-83 da publicação "Nova Revista de Música Sacra", num artigo a respeito de músicas que não se devem utilizar nas celebrações litúrgicas, esta e outras músicas são rotuladas de «profanas» e, à respeito do "Ellens driter Gesang", pode mesmo ler-se: «Trata-se, com texto obviamente não litúrgico, de um dos numerosos e belíssimos "lied" para canto e piano do grande compositor austríaco, não pensado para a execução na igreja».

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Aaah! A paz que a religião transmite!

Paroquianos exaltados em Selho S. Cristóvão

«A GNR de Lordelo participou ontem ao Tribunal os incidentes registados, no fim-de-semana, na igreja de Selho S. Cristóvão, durante uma reunião de paroquianos que terminou com um ferido e a identificação do alegado agressor.

(...) Um dos presentes terá sacado de uma navalha, segundo a GNR de Lordelo, que tomou conta da ocorrência e identificou o alegado agressor, um septuagenário.

Segundo alguns presentes, apenas se terá defendido face às cenas de pancadaria; outros dizem que a vítima foi atingida quando tentava defender umas senhoras.

(...) O desfecho da reunião não parece ter surpreendido ninguém, pelo contrário, o povo até diz que estava previsto. "Aqui, é porta sim, porta sim, toda a gente tem algo a apontar a este pároco", diz uma paroquiana.»


(Destacados da minha responsabilidade)
[Fotografia retirada do DN]

Inteligência?

«Achas que elas não reconhecem que estão a ser caçadas?», perguntou Delaware. «Isso é uma estupidez».

Anawak revirou os olhos.

«Elas não reconhecem necessariamente um padrão. As baleias piloto vão sempre para as mesmas baías. Nas ilhas Feroé, os pescadores empurraram-nas para terra e batem-lhes indiscriminadamente com estacas de ferro. Verdadeiras matanças. Ou vê o que acontece no Japão, em Futo, onde chacinam inúmeros golfinhos e toninhas. Esses animais sabem, desde há gerações, o que os espera. Porque voltam sempre?»

«Não demonstra muita inteligência», disse Ford. «Por outro lado, nós continuamos a emitir todos os anos gases para a atmosfera e a abater árvores na floresta, embora saibamos que não devíamos. O que também não demonstra muita inteligência, não vos parece?»

Frank Schätzing, in "O Quinto Dia"

"O Quinto Dia" foi o último livro que "passou" pela minha mesa de cabeceira. Trata-se de uma leitura com um pouco mais de 900 páginas que se lêem quase de maneira compulsiva (alguns gostariam de dizer obcessiva, mas isso é outra história - sim, obcessiva está mal escrito!).

A humanidade vê-se confrontada com uma ameaça que poderá levar à sua extinção, uma ameaça que vem dos oceanos, e que não é mais do que um reflexo contra todos os atentados que temos feito contra o nosso ecossistema global. Nada será como dantes...

Numa história escrita quase de forma cinematográfica, o autor explora um tema que tem tido um grande destaque - a fragilidade do meio ambiente - um tema que ganhou ainda particular destaque depois da atribuição do Nobel (/Nobél/) a Al Gore e ao IPCC.

Assente no que parecem ser bons conhecimentos de biologia e oceanografia (digo parecem porque não tenho à vontade nestes assuntos),
Frank Schätzing desenvolve uma teoria bastante interessante, mas sem nunca esquecer que é ficcional, na qual o mundo habitado pelos humanos se vê confrontado com o facto de que não vive só. O Homem pôs em risco o ténue equilíbrio do planeta pelo que tem que ser eliminado antes que seja tarde demais.

Decididamente uma obra que penso valer a pena ler.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O Erro

«O erro pode não partir de uma falsificação consciente dos factos, mas resultar do próprio esforço para a verdade e da dificuldade de alcançar esta»

Fernando Lopes-Graça, in "A Música Portuguesa e os Seus Problemas I"

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Conseguimos: 3%!!

O Referendo ao Tratado

Tem sido assunto de momento a realização ou não de um referendo para ratificar o Tratado Reformador da União Europeia, aquele que José Sócrates tanto quer que se chame "Tratado de Lisboa".

O PSD, através da sua nova liderança, leva a crer que não é favorável ao referendo.

O Presidente da República, Cavaco Silva, sempre foi contra o referendo por achar que este estaria sempre inquinado por assuntos que nada têm a ver com o tratado.

Os partidos mais a esquerda (excluindo naturalmente o PS) são todos a favor do referendo.

Só o governo, e por extensão o PS, é que parece titubeante. Alega que estando na presidência da UE não pode tomar uma posição parcial. Só depois de assinado o acordo, e eventualmente quando todos os outros países tomarem uma posição, é que o governo assume qual o seu compromisso: fazer ou não um referendo.

Mas a posição do governo é mais do que fazer-se de juiz imparcial. O governo e o PS têm medo de que o referendo sirva mais como uma arma de manifestação contra as políticas que têm vindo a ser tomadas. Têm medo de que o tratado seja "chumbado" pelos eleitores, quando na realidade eles pretendem chumbar as medidas governamentais. E com isto lá se ia o sonho de um tratado que se queira com o nome de Lisboa. Lá se ia a hipótese de Sócrates ver o seu nome na constelação da UE. A chamada "inquinação" da essência do referendo deitaria por terra todos os sonhos políticos do governo e do PS.

sábado, 13 de outubro de 2007

E o IPCC?

Desde que foi anunciado o Prémio Nobel (não esquecer acentuar a última sílaba!) da Paz que o mediatismo do ex-futuro Presidente dos EUA tem ofuscado o outro galardoado de tal elevada distinção: o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernamental Panel on Climate Change).

O nascimento do IPCC confunde-se com a consciencialização internacional sobre a problemática das alterações climáticas e as suas repercussões sócio-económicas. Foi constituído em 1988 por duas organizações, a Organização Mundial de Meterologia (WMO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), e visa fazer uma avaliação dos riscos que as mudanças do clima podem trazer ao Homem.

Mas porque o Prémio Nobel da Paz a uma organização, por assim dizer, ambientalista? Simples, as alterações climáticas começam a evidenciar problemas que poderão intensificar-se, a manter-se actual ordem mundial. Estamos a falar de eventuais conflitos internacionais sobre coisas tão simples, e praticamente tidas como adquiridas, como sendo terras férteis e água potável, riquezas que a curto ou médio prazo poderão ser a origem de contendas.

É certo que Al Gore tornou mediática a questão das alterações climáticas, acção que lhe terá valido o Prémio Nobel da Paz, mas certo é que este assunto já vem sendo fortemente debatido no IPCC (e antes do IPCC). Apenas o Protocolo de Quioto terá sido uma das faces mais visíveis do IPCC, sem que no entanto tenha havido um sentimento de reconhecimento.

De entre os trabalhos desenvolvidos pelo IPCC está a elaboração de Relatórios de Avaliação (Assesment Reports). São documentos onde são compiladas e apresentadas informações científicas, técnicas e sócio-económicas actualizadas com particular relevância política (no sentido decisório). O 4.º Relatório de Avaliação já foi apresentado (o relatório do Grupo III foi apresentado em Setembro), se bem que a ferramenta política, o Relatório Síntese, está a ser concluído para depois ser apresentado em Novembro.

O planeta terra, que antes era tido como uma espécie de sorvedouro infinito, afinal veio demonstrar que o seu poder de encaixe contra todos os nossos atentados tem um limite, e esse limite a muito que foi ultrapassado. A sociedade continua a olhar para o seu umbigo, enquanto comenta que "o tempo está mudado", tomando isso apenas como um sinal do tempo contra o qual nada a fazer. A hora do almoço ou do jantar, entre uma e outra garfada, o Homem lá vai vendo no noticiário os furacões que assolam a América Central e os EUA, e as chuvas intensas que desabam sobre a Europa Central e Ásia. Olha e encolhe os ombros.

Uma coisa é certa: a terra em que vivemos não é nossa, apenas a pedimos emprestada aos nosso filhos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Santíssima Trindade

Fiz agora uma pequena pausa para o café e aproveitei para fazer um pouco de zapping de modo a ver o que andava hoje pela televisão, e hoje, decididamente, a cerimónia de inauguração do quarto maior templo cristão do mundo, a Igreja da Santíssima Trindade (Fátima), é o que tem maior visibilidade.

O pouco que eu vi foi o suficiente para perceber que a Igreja comandada pelos homens continua a pregoar como o Frei Tomás. Toda a ostentação patente na nova igreja, assim como em torno da cerimónia inaugural, é vista, pela Igreja Católica, como um acto de fé. No entanto, se tal acto pertencesse ao comum dos mortais , a exuberância não escaparia de ser identificada com pelo menos um dos pecados capitais.

Muito longe está a Igreja da mentalidade de Kiril Lakota...

Uma chamada de atenção mundial

«O ministro do Ambiente português congratulou-se hoje com a atribuição do Nobel da Paz ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore e ao Painel para Mudanças Climáticas da ONU, considerando-o uma chamada de atenção mundial.»

Apenas ficou uma dúvida que não vi esclarecida: Nós temos um Ministro do Ambiente?!?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O Tempo está a mudar

O tempo está a mudar. Infelizmente esta expressão já passou à categoria de "frases feitas", sem que por isso se tenha visto, da parte dos governos, acções sérias para combater os efeitos evidentes das alterações climatéricas devidas à acção do Homem.

Serve isto para destacar mais um alerta que recentemente foi divulgado na comunicação social. Cientistas ingleses comprovaram que os gases de efeito estufa tem tornado a atmosfera mais húmida e "peganhenta" (stickier é o adjectivo utilizado no texto original, acho que peganhento traduz perfeitamente o que os cientistas tentaram descrever). Esta alteração pode levar ao surgimento de furacões mais intensos e chuvas mais abundantes nas regiões tropicais, semeando todos os problemas sociais a que temos vindo recentemente a assistir.

Infelizmente estou cada vez mais convencido que este é mais um aviso que cairá em saco roto...

Intolerante e anti-intelectual

Diz Pacheco Pereira no seu blog, a propósito do lançamento do seu livro "O Paradoxo do Onitorrinco":

«Pouco me importa se essa contribuição é desejada ou é um incómodo no clima de intolerância e anti-intelectualismo que se vive hoje no PSD.»

Não deixa de ser uma afirmação estranha para quem foi tão intolerante com os resultados das eleições directas no PSD e, numa atitude anti-intelectual, desata a a despejar textos no Abrupto que eram ilustrados com uma bandeira invertida do PSD.

Mau perder, de facto.

Sobrevivência

«Numa linha de tempo suficientemente comprida, as probabilidades de sobrevivência de toda a gente descem para zero»

Chuck Palahniuk, in "Clube de Combate"

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Onda comunista varre o país!

Eles estão por todo o lado!

Eles surgem onde menos se espera!

O PCP está bastante próximo de conquistar a governação do país!!

José Sócrates vaiado durante visita a escola na Covilhã

P(IDE)SP?

Polícia leva material da sede de um sindicato de professores

Dois polícias "à civil" entraram ontem na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) na Covilhã e levaram dois documentos de informação referentes à acção de protesto marcada para hoje nesta cidade, onde estará o primeiro-ministro, no âmbito de uma visita à Escola Secundária Frei Heitor Pinto.

Esta "acção" da PSP da Covilhã, a qual, segundo consta na mesma notícia, ainda dará explicações hoje, faz lembrar o modus operandi da PIDE para tentar desmantelar as células comunistas, o que de certa forma faz sentido, atendendo às palavras de José Sócrates que, na segunda-feira passada, mostrou a sua indignação (e mais uma vez uma falta de encaixe, diga-se) ao acusar o PCP de organizar os protestos que têm acompanhado as visitas do primeiro ministro, numa clara argumentação que mais faz lembrar o estado novo.

De facto, neste ponto, o governo tem mostrado alguma coerência.

domingo, 7 de outubro de 2007

Ave Verum Corpus, KV618

Ave Verum Corpus, é um motete que foi composto por Wolfgang Amadeus Mozart alguns meses antes da sua morte em 1791. Esta peça para um coro de quatro vozes mistas e uma orquestração simples foi composta para ser tocada e cantada na Festa do Corpo de Deus, a 19 de Junho desse ano. Foi dedicada a Anton Stoll, amigo e director do Coro de Banden.

A música teve por base um texto originalmente composto por um autor anónimo do século XIV. Trata-se de um hino curto, constituído por poucos versos, que já foi utilizado pelos mais diversos compositores musicais, sendo a versão de Mozart a mais conhecida e, por ventura, uma das peças corais mais marcantes e tocantes.

O texto oficialmente adoptado é o seguinte:

Ave verum corpus natum de Maria Virgine
Vere passum, immolatum in cruce pro homine
Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine
Esto nobis praegustatum mortis in examine
O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae.


ou em português:

Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem
De seu lado trespassado fluiu água e sangue
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.


Trata-se de um texto em que a Paixão de Cristo é manifestamente exaltada, levando os fieis a uma meditação profunda sobre a sua salvação através do Redentor.

Infelizmente a mesquinhez e a ignorância obstinada de algumas pessoas, deturpadas por problemas maníaco-obsessivos, com tendências compulsivas para a ofensa gratuita, só porque a ouviram uma vez num funeral, as levam a pensar que esta peça da expressão máxima do classicismo não passa de uma "música para funerais".

Mas quando as pessoas teimam em ser ignorantes, o que é que podemos fazer?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Pode repetir por favor?

"Poder de compra não é Economia"

Foi assim que este pretensioso ministro dos assuntos parlamentares (desculpem a omissão das maiúsculas, mas estas pessoas começam a não merecer esse tipo de respeito) se desculpou perante o hemiciclo para justificar a ausência do ministro da economia, um ministro que não aparece perante a Assembleia da República há praticamente um ano, e que terá faltado a uma interpelação que a bancada do CDS/PP fez a respeito do poder de compra.

Se o poder de compra não é economia, então estou convencido também de que estas pessoas são tudo menos governantes...

Outro assunto, as pessoas têm de se convencer de que a promessa o objectivo dos 150.000 empregos não é um número líquido! O governo não tem culpa - e muito menos o nosso querido, eficiente e sempre pronto ministro da economia - de que o ritmo a que surgem mais desempregados seja maior do que o número de novos empregos criados! Será que a campanha de salários baixos na China não funcionou?!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Preso por ter cão...

Sim, sim... Ou era isto ou então era acusado de não respeitar a confiança depositada pelos eleitores nas últimas eleições autárquicas.

O simples desejo de falar mal leva a dizer qualquer barbaridade que venha a cabeça quando não se tem ideias políticas concretas.