sábado, 13 de outubro de 2007

E o IPCC?

Desde que foi anunciado o Prémio Nobel (não esquecer acentuar a última sílaba!) da Paz que o mediatismo do ex-futuro Presidente dos EUA tem ofuscado o outro galardoado de tal elevada distinção: o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernamental Panel on Climate Change).

O nascimento do IPCC confunde-se com a consciencialização internacional sobre a problemática das alterações climáticas e as suas repercussões sócio-económicas. Foi constituído em 1988 por duas organizações, a Organização Mundial de Meterologia (WMO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), e visa fazer uma avaliação dos riscos que as mudanças do clima podem trazer ao Homem.

Mas porque o Prémio Nobel da Paz a uma organização, por assim dizer, ambientalista? Simples, as alterações climáticas começam a evidenciar problemas que poderão intensificar-se, a manter-se actual ordem mundial. Estamos a falar de eventuais conflitos internacionais sobre coisas tão simples, e praticamente tidas como adquiridas, como sendo terras férteis e água potável, riquezas que a curto ou médio prazo poderão ser a origem de contendas.

É certo que Al Gore tornou mediática a questão das alterações climáticas, acção que lhe terá valido o Prémio Nobel da Paz, mas certo é que este assunto já vem sendo fortemente debatido no IPCC (e antes do IPCC). Apenas o Protocolo de Quioto terá sido uma das faces mais visíveis do IPCC, sem que no entanto tenha havido um sentimento de reconhecimento.

De entre os trabalhos desenvolvidos pelo IPCC está a elaboração de Relatórios de Avaliação (Assesment Reports). São documentos onde são compiladas e apresentadas informações científicas, técnicas e sócio-económicas actualizadas com particular relevância política (no sentido decisório). O 4.º Relatório de Avaliação já foi apresentado (o relatório do Grupo III foi apresentado em Setembro), se bem que a ferramenta política, o Relatório Síntese, está a ser concluído para depois ser apresentado em Novembro.

O planeta terra, que antes era tido como uma espécie de sorvedouro infinito, afinal veio demonstrar que o seu poder de encaixe contra todos os nossos atentados tem um limite, e esse limite a muito que foi ultrapassado. A sociedade continua a olhar para o seu umbigo, enquanto comenta que "o tempo está mudado", tomando isso apenas como um sinal do tempo contra o qual nada a fazer. A hora do almoço ou do jantar, entre uma e outra garfada, o Homem lá vai vendo no noticiário os furacões que assolam a América Central e os EUA, e as chuvas intensas que desabam sobre a Europa Central e Ásia. Olha e encolhe os ombros.

Uma coisa é certa: a terra em que vivemos não é nossa, apenas a pedimos emprestada aos nosso filhos.

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