sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pólis Litoral Ria de Aveiro

Depois do contra-relógio a que foram sujeitas as Assembleias Municipais que fazem parte da CIRA - Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, o Ministro do Ambiente (Sim! Temos um Ministro do Ambiente!) anunciou hoje a criação da Sociedade Pólis Litoral Ria de Aveiro, assim como a promessa de serem disponibilizados 100 milhões de euros para recuperação e requalificação da Ria de Aveiro e áreas envolventes. Um investimento que visa atacar os problemas de erosão costeira assim como a degradação da Ria de Aveiro e as suas estruturas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pelo amor de Magal..., perdão, Deus!


Por vezes a ortodoxia retrógrada, que por vezes raia o fundamentalismo islâmico, de alguns grupos mais conservadores da Igreja Católica tende para estas manifestações de bacocas de purismo religioso: pelos vistos um dos sketchs do grupo humorista Gato Fedorento, que passou no último domingo no programa Zé Carlos, terá incendiado a alma dos mais puros de espírito que acorreram a gritar «sacrilégio!» ao verem os símbolos da Igreja Católica a serem manipulados para satirizar o mais-que-tudo-e-omnipotente computador Magalhães, esse novo ópio tecnológico distribuído pela sua santidade, o Primeiro Ministro.

Confesso que acabei por não entender exactamente o verdadeiro motivo da indignação deste sector da comunidade católica: será porque estavam a gozar com os símbolos religiosos (e nesse caso incorrem em erro, uma vez que o objectivo é gozar com o computador Magalhães e as suas famosas acções de formação)? Ou será que esta onda de indignação cristã se deve à associação dos símbolos religiosos ao computador Magalhães? Se for este o caso, até compreendo a indignação...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Realidade? Qual realidade?

«A incapacidade de contactar com a realidade é a característica de toda a «arte» americana. Qualquer semelhança entre a arte americana e a natureza americana é pura coincidência, mas isso acontece apenas porque a nação, no seu conjunto, não tem contacto com a realidade.»

John Kennedy Toole, in Uma Conspiração de Estúpidos

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ipsissima verba

«O [PS] das ilhas não cobra taxas moderadoras pois considera que pagar por um serviço que a Constituição determina que seja 'tendencialmente gratuito' é 'um embuste'. Foi este PS que ganhou as regionais nos Açores.»

(via Público online)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Curto-Circuito III

Depois do prometido aumento de 2,9% na Função Pública, segue-se mais um brinde do governo: aumentos na energia eléctrica de apenas 4,3% para os utilizadores domésticos, e de 5,9% para a indústria.

Estes aumentos correspondem a um tecto definido politicamente pelo nosso rápido Ministro da Economia, uma vez que a actual legislação aplicável ao tarifário eléctrico prevê uma intervenção governativa no processo de fixação de preços, e - que raio! - para o ano há eleições.

E não se trata de um gesto inédito.

Pelo segundo ano consecutivo vamos pagar a energia eléctrica abaixo do seu valor real, e não se trata de nenhuma prenda. Tudo isto tem o seu custo e está a ser bem guardado no livro de "dever e haver" do sector eléctrico. Estamos apenas a portelar o pagamento de um buraco financeiro que vai ficar ainda maior com esta decisão.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ele há cada visitante...

'Táááá bem, 'tá bem...

Muito sinceramente acho que afirmar que o PSD «é uma equipa e que não deve apenas falar o presidente» cheira a uma má desculpa para o silêncio confrangedor que a Manuela Ferreira Leite e o PSD têm tido praticamente mantido desde que foi eleita a nova presidente.

Se assim fosse, então não fazem sentido as justificações para a sua intervenção apenas no encerramento da universidade de verão do PSD, numa altura em que o silêncio da líder social-democrata até era criticado pelo PS. Já na altura o PSD era (não era?) «uma equipa».

Entretanto fico à espera para ver como reagem Marcelo Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira à já quase confirmada candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa. Pacheco Pereira poderá alongar-se no seu blog, mas me parece que os 15 minutos do Marcelo Rebelo de Sousa serão muito curtos para destilar tal notícia… Nunca como agora fazem sentido as bandeiras de "pernas para o ar" de Pacheco Pereira.

E às eleitorais também! Principalmente essas...

Sócrates diz que o “Orçamento responde às dificuldades internacionais”

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

E a seguir?

Decididamente, depois de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ter induziu a RTP a reduzir 15 minutos ao programa de Marcelo Rebelo de Sousa, e de ter conotado os comentários do professor - veja-se lá o descaramento da ERC - ao PSD, o opinion maker mais popular do país não voltou mais a ser o mesmo. Vejam lá que o Prof. Marcelo teve o desplante de criticar a líder do PSD, a Dra. Manuela Ferreira Leite, por esta não ter até agora apresentado soluções alternativas para combater a actual crise financeira. Logo ele, um fiel apoiante da ex-ministra das finanças, desde a primeira hora em que Luís Filipe Menezes foi eleito presidente do PSD...

O que é que virá a seguir? O Pacheco Pereira apoiar publicamente no seu blog a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa?!

sábado, 11 de outubro de 2008

Ainda há almas caridosas...

«A verdade é que gosto de viver aqui tão perto dos castelhanos.

Senão analisemos...

Fui meter gasóleo ao bicho e paguei o litro a 1.15 euros. Como se isso ainda não fosse suficiente, comprei um maço de L&M a 2.50 euros.

Obviamente que estando eles à beira da recessão, eu benevolamente, como é hábito meu, fui dar-lhes uns trocos para que os desgraçados não passem mal...»

(blog O Sentido das Coisas)

O Mercado de Acções no seu Melhor

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Motivação e Liderança em Cinco Lições

Lição Nº.1 - Gestão do Conhecimento

Um homem entra no banho enquanto a sua mulher acaba de sair dele e se enxuga. A campainha da porta toca. Depoisde alguns segundos de discussão para ver quem iria atender, a mulher desiste, enrola-se na toalha e desce as escadas.

Quando abre a porta, vê o vizinho Bob na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Bob diz:

- Dou-lhe 800€ se deixar cair essa toalha.

Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e fica nua. Bob, então, entrega-lhe os 800€ prometidos e vai-se embora. Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher enrola-se novamente na toalha e volta para o quarto. Quando entra no quarto, o marido grita do chuveiro:

- Quem era?

- Era o Bob, o vizinho da casa ao lado - diz ela.

- Óptimo! Deu-te os 800€ que me estava a dever?

Moral da história: Se compartilhares informações a tempo podes evitar exposições desnecessárias!!!


Lição Nº.2 - Chefia e Liderança

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo. Esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um génio. O génio diz:

- Só posso conceder três desejos, por isso, concederei um a cada um de vós.

- Eu primeiro, eu primeiro - grita um dos funcionários - Queria estar nas Bahamas a pilotar um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida!

Puf! E lá se foi.

O outro funcionário apressa-se a fazer o seu pedido:

- Quero estar no Havaí com o amor da minha vida e um provimento interminável de pinas coladas!

Puf e lá se foi.

- Agora você - diz o génio para o gerente.

- Quero que aqueles dois voltem ao escritório logo depois do almoço - diz o gerente.

Moral da História: Deixe sempre o seu chefe falar primeiro.


Lição Nº 3 - Zona de Conforto

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:

- Posso sentar-me como tu e não fazer nada o dia inteiro?

O corvo responde:

- Claro, por que não?

O coelho senta-se no chão, debaixo da árvore e relaxa. De repente, uma raposa aparece e come o coelho.

Moral da História: Para ficares sentado sem fazeres nada deves estar sentado bem no alto.


Lição Nº 4 - Motivação

Em África, todas as manhãs, uma gazela ao acordar, sabe que deve conseguir correr mais do que o leão se se quiser manter viva. Todas as manhãs, o leão acorda e sabe que deverá correr mais do que a gazela se não quiser morrer de fome.

Moral da História: Pouco importa se és gazela ou leão, quando o sol nascer deves começar a correr.


Lição Nº 5 - Criatividade

Um fazendeiro resolve colher alguns frutos da sua propriedade. Pega num balde vazio e segue para o pomar. No caminho, ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram as suas terras.

Ao aproximar-se lentamente, observa várias raparigas nuas banhando-se na lagoa. Quando elas se apercebem da sua presença, nadam até à parte mais profunda da lagoa e gritam:

- Nós não vamos sair daqui enquanto não se for embora.

O fazendeiro responde:

- Não vim aqui para vos espreitar, só vim dar de comer aos jacarés !


Moral da História: É a criatividade que faz a diferença na hora de atingirmos os nossos objectivos.

(recebido por e-mail)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mais alguma ideia brilhante?

Lona dos bombeiros: 700 mil milhões para liquidação da Wall Street
Vaca: Mercado de acções

Bombeiros:
- Mais alguma ideia brilhante?
- Não, mas parece que ainda está a cair

David Horsey, in Seattle Post-Intelligencer

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

As Três Gerações da História

«Sabe qual é o problema? Encontramo-nos na última de três gerações que a História tem o capricho de repetir de quando em quando. A primeira precisa de um Deus, e inventa-o. A segunda ergue templos a esse Deus e tenta imitá-lo. E a terceira utiliza o mármore desses templos para construir prostíbulos onde adorar a sua própria cobiça, a sua luxúria e a sua baixeza. E é assim que aos deuses e aos heróis sucedem sempre, inevitavelmente, os medíocres, os cobardes e os imbecis.»

Arturo Pérez-Reverte, in "O Mestre de Esgrima"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Protesto por intimidação

Desde segunda-feira passada que Portugal está a mercê de uma paralisação do sector de transporte pesado de mercadorias, um sector vital da nossa economia uma vez que é ele o responsável pelo facto de termos à nossa disposição todo um conjunto de produtos que, regra geral, temos como adquiridos nos mais diversos estabelecimentos comerciais que frequentamos.

Esta paralisação deve-se, como não podia deixar de ser, ao sucessivo aumento que os combustíveis têm verificado nas últimas semanas. Aproveitando o “embalo” os responsáveis deste sector juntaram um conjunto de reivindicações, algumas já bastante antigas, para desta forma poder fazer face às actuais dificuldades económicas que as empresas transportadoras estão a atravessar.

Dito e feito, os piquetes de “greve” foram para a estrada e a primeira coisa que fizeram foi imitar o pior dos camionistas espanhóis e franceses: coagir e ameaçar os colegas que não aderissem a esta forma de protesto.

Não posso, de modo algum, concordar com a maneira como este protesto está a ser conduzido. Compreendo os motivos – todos nós estamos no mesmo barco, não são apenas as empresas de transporte pesado – mas repudio completamente a forma como esta paralisação está a ser conduzida.

De nada vale a pena virem à rádio e televisão dizer que param os colegas para “educadamente” pedirem que se juntem aos colegas em protesto. Todos puderam ver, nos mais diversos canais de televisão, como eram interpelados “de modo educado e civilizado” os colegas, e vimos também como alguns colegas foram “amavelmente” brindados com pedradas pelo facto de se manterem em andamento.

Foi possível ouvir em directo os colegas do piquete de greve a dizer «que não se responsabilizavam pelo colega» que, mesmo assim, insistisse em continuar viajem. Foi possível ouvir expressões «anda cá baixo se és homem». Tudo expressões de grande amabilidade e cortesia, típicas entre colegas de profissão. Tudo em directo.

Todos vimos o recato e o urbanismo com que a equipa da SIC foi brindada na Batalha, especialmente quando gritavam – amavelmente claro! – que os camionistas não precisavam da televisão para nada, mas se não fosse a própria televisão nunca obteriam a expressão mediática que alcançaram.

Tudo isto sem falar na lamentável morte de terça-feira. Uma morte que, na minha opinião, é da inteira responsabilidade dos próprios promotores deste protesto. A onda de medo que inculcaram nos colegas só poderia levar a uma situação destas. Eu se fosse camionista, se soubesse como os outros colegas que estavam na estrada estavam a ser tratados, teria naturalmente receio em parar. Entre uma pessoa que se coloca em frente de um camião para o fazer parar e outra pessoa que não quer parar o camião, é fácil de perceber qual o desfecho. Sem querer reconhecer parte da culpa nesta morte desnecessária, ainda atiram as culpas ao governo, tornando o colega morto numa espécie de mártir e a luta numa espécie de vingança.

O governo pode ser acusado de muitas coisas em relação a actual crise que vivemos, muitas mesmo, mas por muito que queiram o governo não é responsável por esta morte.

sábado, 7 de junho de 2008

Carlota Fainberg, Antonio Muñoz Molina

Carlota Fainberg Carlota Fainberg by Antonio Muñoz Molina

My review

Trata-se de um pequeno romance que em número de páginas até poderia ter sido ainda menor, cujo enredo se desfia em poucas linhas, parecendo que o autor mas não fez do que “fazer render o peixe”.

Cláudio, personagem principal, é um professor universitário espanhol a leccionar numa universidade dos EUA. Durante todo o livro esta personagem parece estar constantemente a renegar a sua origem espanhola, fazendo sempre comparações entre os padrões sociais dos dois países e recheando o seu discurso narrativo com muitos anglicismos, numa percepção de se identificar mais com os EUA. Trata-se de uma personagem de personalidade fraca e submissa que é «muito manso com quem quer que mostre uma autoridade rotunda».

O próprio final do livro, apesar de tentar passar como um a espécie de "twist" na história, acaba por ser bastante previsível a partir do instante em que Mário Said, amigo de há já alguns anos de Cláudio a morar em Buenos Aires, lhe ter dito «Caramba irmão, estás fodido», a respeito de Cláudio ter Morini como chairman do departamento de Literatura onde Cláudio lecciona, o mesmo que recusou a Maid o lugar de full professorship após várias promessas.

Num livro de quase 140 páginas, cem são praticamente dedicadas à narrativa de Marcelo, individuo que Cláudio conhece no aeroporto de Pittsburgh a caminho de Buenos Aires e que lhe conta a aventura amorosa que viveu no hotel Town Hall com «uma gaja que era de cair de costas». O desenvolvimento da história acaba por revelar-se desapontante, com a principal trama do livro, que era saber afinal quem era Carlota Fainberg, a ficar completamente vazia de sentido após o regresso de Cláudio ao Campus Universitário para saber do destino da sua carreira académica.

Acredito que Molina tenha bons trabalhos escritos, "O Inverno em Lisboa em Lisboa" é uma obra que ainda pretendo ler, mas este "Carlota Fainberg" acabou por me desiludir.

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A Fé de Pacheco

Pacheco Pereira, desde a vitória de Manual Ferreira Leite, preconiza a vitória do PSD nas legislativas de 2009, e leva as suas palavras a tal ponto que quase se consegue notar nelas um laivo de religiosidade e fé, que praticamente elevam a nova líder do partido ao estatuto de Messias. Um novo dogma-fé foi encontrado.

Só falta saber até onde irá a fé deste homem, ficando na dúvida se ele irá ingressar mais tarde as fileiras de pessoas que acabaram por ser desiludidas pela religião.

Pequenas diferenças

Em Outubro de 2007, a Comissão Europeia aplicou uma multa de 8,6 milhões de euros à Galp Energia por, alegadamente, ter participado numa concertação de preços no mercado de betume para asfalto em Espanha. Não tem nada a ver com gasolinas, não tem nada a ver com Portugal, mas tem tudo a ver com a Galp. Segundo a Comissão Europeia, durante 12 anos a Galp, a BP, a Repsol, a Cepsa e a Nynam terão dividido o mercado espanhol, repartindo os volumes de venda e os clientes trocado informações comerciais sensíveis. Ainda segundo a Comissão Europeia, as empresas ter-se-ão reunido todos os anos para dividir o mercado do betume e terão pago indemnizações umas às outras quando ultrapassavam as quotas previamente estabelecidas.

Esta semana, a Autoridade da Concorrência chegou à conclusão de que não há provas nem sequer indícios de qualquer concertação de preços entre a Galp e as suas concorrentes no mercado de combustíveis em Portugal. Segundo a Autoridade da Concorrência, o que existe é um paralelismo de preços, ou seja, de facto os preços são muito, muito, muito semelhantes, mas nada indica que tenham sido combinados.

Entre os dois processos há algumas pequenas diferenças. O inquérito da Comissão Europeia analisou 12 anos de mercado, envolveu uma investigação detalhada, depoimentos pormenorizados e até um pedido de imunidade negociado com um dos infractores. O inquérito da Autoridade da Concorrência limitou-se a comparar os preços de tabela nos últimos cinco meses, a constatar a tendência do mercado internacional, dispensou buscas e apreensão de documentos internos, fundamentou as suas conclusões em evidências públicas. O inquérito da Comissão Europeia teve cinco anos de investigação. O inquérito da Autoridade da Concorrência foi feito num mês e sete dias.

É claro que nunca poderá ser uma investigação feita detalhadamente pela Comissão Europeia em Espanha a provar a concertação de preços em Portugal. Como seguramente nunca poderá ser esta turboinvestigação da Autoridade da Concorrência a provar o contrário.

Editorial da revista Sábado (excerto), 2008.06.05
(destaques da minha responsabilidade)


BOICOTE!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Directora 'abandona' cargo

Por muito que se justifique, fica-se sempre com a sensação de que alguma coisa não bate certo, afinal, em política raramente há 'coindicências' e infelizmente este governo já demonstrou mais do que uma vez que não tolera vozes dissonantes.

Só não demitem o Manuel Alegre do cargo de deputado porque não podem...

Bo Diddley (1928-2008)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Impressionado? Eu?

Diz que não lhe impressionam os números, mas sim os argumentos. Estranho é que para ganhar as eleições ele venha a precisar dos números que agora desdenha, e para isso não há argumentos.

Allegro ma non Troppo

Allegro ma non Troppo Allegro ma non Troppo by Carlo M. Cipolla

My review

rating: 4 of 5 stars

Um livro pequeno, de leitura rápida, e que me proporcionou algumas gargalhadas. Trata-se de uma obra que reúne dois pequenos ensaios do economista Carlo Maria Cipolla (1922-2000).

O primeiro estabelece uma (hilariante) correlação entre o comércio da pimenta negra e o desenvolvimento económico e, especialmente, social durante a Idade Média. O facto da pimenta negra ser um afrodisíaco explica o aumento demográfico e permitir assim um desenvolvimento sustentado da economia mundial. Vai ainda mais longe e justifica como a lã, e especialmente o vinho, estão por detrás da Guerra dos Cem Anos -- pronto, 116 anos -- e como estes produtos acabaram por indirectamente permitir à sociedade ocidental dar o salto para o Renascimento.

O segundo ensaio -- fantástico -- versa sobre um grupo da sociedade que pode ter grandes impactos sobre o desenvolvimento macroeconómico do mundo: os estúpidos. Cipolla estabelece aqui as chamadas cinco leis fundamentais da estupidez:

1. Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação;

2. A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa;

3. Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo;

4. As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro.

5. A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.

Sobre estas leis, e recorrendo a análises gráficas -- sim, gráficas! --, toda a sociedade pode ser então assim dividida em quatro classes as quais ditarão o crescimento o não de uma nação, desde que o pior classe -- os estúpidos -- não façam muitos estragos.

Dois ensaios que apresentam uma maneira muito sui generis de ver a sociedade e que merecem ser lidos.

Ah! E não precisam ser economistas para ler esta obra!

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terça-feira, 3 de junho de 2008

A Aventura do Cabeleireiro de Senhoras

A Aventura do Cabeleireiro de Senhoras A Aventura do Cabeleireiro de Senhoras by Eduardo Mendoza

My review


rating: 3 of 5 stars
A vontade de ler este livro prendeu-se fundamentalmente com o facto de eu já ter lido "Sem Notícas de Gurb", do mesmo autor, e, apesar de não ter sido do meu inteiro agrado, sempre achei que Eduardo Mendoza deveria ser um escritor interessante fora do registo em que foi escrito "Sem Notícias de Gurb".

Depois de ler a "Aventura do Cabeleireiro de Senhoras" não consigo deixar de estabelecer uma ponte comparativa com o "Sem Notícias...". O registo é muito semelhante e fiquei com a sensação a mecânica humorística é muito semelhante. Como uma espécie de serial killer, a assinatura é a mesma, agarrado a um estilo de escrita que lhe é muito característico.

Trata-se de um policial, se é que pode ser classificado como tal, a raiar o campo do humor. Engraçado q. b., foi de fácil leitura tendo agradado o suficiente o que garantiu a sua leitura até ao fim.

Na mesma toada de “Sem Notícias…”, a sociedade catalã está debaixo da lupa crítica do autor, desfiando algumas farpas aos industriais e aos políticos de Barcelona, tendo o texto em alguns pontos conseguido me arrancar algumas risadas.

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Snake

Quem disse que isto apenas se pode jogar num telemóvel?

domingo, 1 de junho de 2008

Alguém me sabe dizer...

...porque é que não ouvimos nada sobre o boicote aos combustíveis nos serviços noticiosos de hoje?

Eu, hoje, passei em Aveiro e foi ver as bombas do Jumbo e do Continente "à pinha", enquanto que as estações de serviço na EN109 estavam desertas.

Interrompemos para comerciais...

...o país retoma logo a seguir ao Euro2008.

sábado, 31 de maio de 2008

Ganhou a Manuela Ferreira Leite


Serve apenas para expressar a minha opinião sobre este facto, nada que outro ilustre militante já não tenha feito em eleições anteriores.

Declaração

Só para informar que já cumpri com o meu dever de militante.

Podem parar de mandar SMS...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

SMS, SMS, SMS...

Beeeeemmmm... isto hoje tem sido um fartote de SMS! Ele é o Santanta, ele é o Coelho, ele é a Ferreira Leite; todos a pedir o mesmo: a cruzinha no boletim de voto.

Só de pensar quanto custa o roaming à Manuela Ferreira Leite, dá para ver que a brincadeira vai ficar cara...

Sorria...

Morrer é ainda mais difícil

«Mesmo assim, não faz sentido dizer que a vida está difícil, porque a verdade é que a morte está ainda pior. O Governo tem tudo previsto. Se o primeiro-ministro nos faz a vida negra, façamos-lhe a justiça de reconhecer que também nos torna a morte quase impossível. O suicídio, hoje em dia, está praticamente fora de hipótese. A imolação pelo fogo, tão popular no Médio Oriente, é-nos vedada pelo preço da gasolina. A escassez de sobreiros faz do enforcamento uma impossibilidade técnica. Comprimidos, nem pensar: as farmacêuticas vão-nos ao bolso. Apostar no cancro do pulmão é arriscado, porque quase não se pode fumar em lado nenhum. E as intoxicações alimentares são cada vez mais custosas, que a ASAE não dorme. A única hipótese é morrer de tédio, na fila para abastecer o carro nas bombas que vendem gasolina dois ou três cêntimos mais barata.»

Ricardo Araújo Pereira, in Revista Visão (2008.05.12)

O Círculo Vicioso

Para que meia dúzia de sectores empresariais possam viver tranquilamente à custa de baixos salários, sem, terem, que apostar em gestão, design, investigação, tecnologia, criatividade e outras coisas que dão trabalho e custam dinheiro, temos que manter uma boa parte dos portugueses em regime de pobreza controlada. Vivemos num circulo vicioso, porque somos pobres a procura interna é insuficiente, em consequência disso a economia depende das exportações e quando as coisas estão melhor importamos mais porque não há oferta interna para o consumo dos mais ricos. Voltamos a ter dificuldades e aparece logo o Vítor Constâncio a apelar ao governo para que explique aos pobres que sejam mais comedidos, que tenham mais calma porque isso de se deixar de ser pobre depressa demais tem os seus perigos.

blog: O Jumento

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eu NÃO vou

Recebido por correio electrónico

Mais uma vez enganados!

Tem sido apanágio deste governo anunciar com pompa e circunstância medidas que parecem ser abrangentes, sociais e justas, e na verdade vem-se a verificar que tudo não passa de um circo mediático, recheado com uma dose de demagogia q.b., para desta forma minimizar os estragos que o descontentamento inflige na barómetro da popularidade do executivo e, em particular, do primeiro-ministro.

Isto a respeito da medida anunciada no último debate parlamentar com o governo, cada vez mais usado como púlpito para a dita campanha demagógica, em que José Sócrates fez questão de anunciar que seriam congelados os passes sociais dos transportes públicos.

Até aqui tudo bem. Pena é que se tenha esquecido de referir que esta medida seria apenas para Lisboa e Porto!

No resto do país os passes sociais aumentaram 6% em Julho, cumprindo-se assim o aumento intercalar previsto.

Cultiva-se assim cada vez mais a ideia de que Portugal está centrada nas grandes metrópoles. No resto do país, não bastando o facto de haver muitos lugares em que o transporte público é um mau serviço (quando o há!), ainda por cima as populações são obrigadas a suportar maiores custos.

E já agora, alguém avise o Vital Moreira

Vista curta

Vital Moreira no Causa Nossa:

«Ficamos assim a saber [no jornal Público] que uma família pobre ou remediada, sem automóvel, que anda de transportes colectivos -- cujos passes sociais foram aliás congelados -- e que consome electricidade e gás por uma tarifa regulada -- cujo valor não é função directa, nem muito menos imediata, do preço dos combustíveis --, pode ser mais afectada pela subida dos combustíveis do que uma família com rendimentos médios ou altos que possui dois carros em utilização corrente...»

Claro que o Vital Moreira "esquece-se" de acrescentar o impacto que os combustíveis têm nos preços nos bens de consumo! Ou será que a produção é feita a partir exclusivamente de água (e mesmo essa...)? Ou será que os bens de consumo são teletransportados para as prateleiras dos supermercados? E o impacto dos biocombustíveis (que o prórpio Sócrates desdenhou na Assembleia da República)?

Desconfio que o Vital Moreira não faz ideia de quanto tem aumentado um litro de óleo alimentar...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mais 0,007€

Não, não estou a falar da Galp: a Repsol voltou a aumentar os preços 24 horas depois de os ter aumentado.

Pelos vistos temos uma nova tática: aumentar os preços apenas em pequenas proporções e numa base quase diária para que estas alterações dos preços comecem a ser tão banais que deixam de ser notícia, deixando de estar assim debaixo dos holofotes dos média.

O certo é que na Repsol tivemos às 0h00 de quarta-feira um aumento de meio cêntimo e às zero horas de quinta-feira mais 0,7 cêntimos, ou seja, uma aumento líquido de 1,2 cêntimos em todos os combustíveis, numa clara convergência para os valores da Galp.

Por outras palavras, os combustíveis a custar praticamente o mesmo em todas as estações de serviço, num exemplo cada vez mais evidente de distorção de mercado concorrente.

BOICOTE!

Eu só queria ajudar

«O governo diz que não pode fazer nada e pede a intervenção da Comissão Europeia para travar esta loucura. Estou mesmo a ver os comissários a interferirem no mercado, depois de o glorificar. As coisas estão pretas e por este andar não vão melhorar tão cedo. Hoje, na rua, fui convidado a arrepender-me dos meus pecados e aderir às Testemunhas de Jeová. Perguntei se tinham algum grupo de guerrilha urbana. A mulher virou-me as costas e foi-se embora. Eu só queria ser objectivo e ajudar.»

Blog Estrada Poeirenta

O caminho passa por aqui

Sem dúvida que o caminho passa por aqui:

Preço do petróleo cai quase nove dólares devido ao abrandamento do consumo

Se o movimento especulativo pode trazer alguma falsidade ao funcionamento do mercado, também é verdade que sem consumo os especuladores ficam "a arder".

A nossa sociedade tem colocado o planeta Terra em permanente e crescente stress desde o início da revolução industrial. Temos estado a libertar em poucos anos para o ambiente o que a natureza levou milénios a armazenar. Foi necessário uma significativa alta de preços para que todos sentíssemos que tínhamos que parar. Infelizmente o que nos levou a parar não foi a nobre causa de defesa do planeta mas sim porque nos estavam a ir ao bolso.

Se por um lado este abrandamento de consumo levou a uma baixa de preços, penalizando todos aqueles que se estavam a aproveitar financeiramente do momento, por outro pode finalmente levar a considerar mais seriamente a necessidade de alternativas energéticas e utilização racional e eficiente dos nossos recursos.
BOICOTE!

terça-feira, 27 de maio de 2008

O vazio político

Este governo, e em particular José Sócrates, começa a evidenciar cada vez mais dificuldades em conseguir soluções para os problemas sociais que se têm vindo avolumar.

Numa perspectiva fortemente centrada no deficit das contas públicas, Sócrates tem vindo a afogar cada vez mais a classe média e a "enterrar" de vez a classe baixa: de facto, apenas há deficit, não há vida. As críticas dos históricos do partido, que estão em total desacordo em relação ao caminho que o PS tem trilhado, têm sido cada vez mais recorrentes na comunicação social.

Perante tudo isto, e quando não se sabe que mais dizer para aplacar a indignação pública, recorre-se ao velho golpe de "A culpa é dos outros".

Passados três anos de maioria socialista, em que o PS governou o país ao seu belo prazer, não se consegue admitir que afirmações como as que hoje proferiu nas jornadas parlamentares socialistas sejam usadas recursivamente sempre que as coisas não correm bem.

Sócrates não tem qualquer problema de consciência em ir regularmente à praça pública para (auto-)elogiar a acção governativa, que se pauta por uma exemplaridade ímpar na Europa e arredores, ou pelo menos assim parece, segundo as suas intervenções nos debates quinzenais na Assembleia da República.

No entanto, as coisas mesmo assim não correm bem. Então, à falta de culpados (que não ele), é deitar as culpas a quem por lá já passou, numa atitude de total desresponsabilização, esquecendo que afinal os últimos três anos são da sua inteira responsabilidade.

A pergunta que se coloca agora é: e se a economia registasse um bom desempenho, a culpa era também do PSD?

Certamente que os "culpados" seriam outros...

Por falar em margens...

As petrolíferas dizem que não têm margem para baixar preços dos combustíveis, o problema é que muitos consumidores há muito que não tem margem para pagar os preços absurdos que estão a ser praticados, não apenas no combustível mas em todos os bens de consumo que foram na sua generalidade afectados por esta alta de preços fictícia.

Nitidamente, a indústria petrolífera tenta neste momento limpar a sua imagem junto da opinião pública, agora através da Apetro. Como querem que a opinião pública acredite que a margem é de apenas alguns cêntimos. O que entendem eles por "alguns cêntimos"? Na BP, um cêntimo menos é sinal de resultado negativo? Então as estações de serviço dos hipermercados devem estar a perder dinheiro a rodos! E como é que a BP consegue a campanha de descontos com o Lidl?

E porque agora uma campanha sobre "Eficiência Energética destinada aos consumidores de combustível"? Então a indústria petrolífera, depois de anos de lobbying junto da indústria automóvel no sentido de atrasar a introdução de energias alternativas, agora é que se lembra de fazer uma campanha para a eficiência? Só agora, que os preços estão inflacionados pela especulação do mercado e que sentem a opinião pública virada contra eles?

Então a industria petrolífera é isto? Uma indústria reactiva?

Sinceramente, fico mais convencido que a acção de boicote ao consumo, para além de uma óptima alternatica energética, é uma maneira de mostrar que a sociedade não pode pactuar com uma instituição que apenas procurar demonstrar que se preocupa com o bem-estar da sociedade quando esta lhe vira as costas.

É preciso ter cuidado com o colesterol

As batatas fritas e os hambúrgueres socialistas do continente podem fazer mesmo mal a saúde.

Carlos César, “não é um socialista de plástico, feito por uma agência de comunicação”

Pode-se congelar muita coisa...

Bandeira, in DN online

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Siameses

Até posso compreender os comentários do governador do Banco de Portugal mas, sinceramente, não me digam que estavam à espera que Vítor Constâncio fosse contrariar o discurso do governo:

Vítor Constâncio diz que Portugal não tem margem para reduzir impostos


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sábado, 24 de maio de 2008

Já parece a histórica hiper-inflação brasileira...

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Nem ao colo!

(Via O Jumento)

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«Espanha, Espanha, Espanha»

Quando no início do seu mandato José Sócrates proclamou o slogan "Espanha, Espanha, Espanha", poucos ousariam pensar que o PS nos queria empurrar a todos para as bombas de gasolina espanholas, fazendo assim dos portugueses cotribuintes fiscais de Zapatero.

(via Tomar Partido)
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