quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A pseudo-remodelação governamental

José Sócrates acabou por ter que vergar-se às evidências.

A inépcia políticas demonstrada pelos ex-ministros Correia de Campos e Isabel Pires de Lima começava a ser deveras insustentável. Ambos já tinham sido alvos de críticas presidenciais e nunca demonstraram meios de reverter os problemas apontados por Cavaco Silva.

A inabilidade política de Correia de Campos atingiu, no início deste ano, proporções alarmantes que começaram a atingir seriamente a popularidade do governo. A remodelação era mais do que evidente, apesar de o ex-ministro ter dito que estava de pedra e cal no governo. As guerrilhas pessoais de Isabel Pires de Lima dentro do círculo cultural foram apanhados de tabela, numa espécie de remodelação "dois-em-um".

Pena é que a arrogância do actual chefe de governo teime em persistir. Numa atitude de querer demonstrar que este é o seu governo de primeira escolha, evitou a remodelação de outros ministros sobre os quais pesam o epíteto de remodeláveis. Manuel Pinho, na economia, e Maria de Lurdes Rodrigues, na educação, são, na minha opinião, dois ministros que têm demonstrado também uma falta de cariz político.

Manuel Pinho é outro ministro que já deu mostras que política não é com ele: as gaffes sucedem-se uma atrás das outras, sempre protegido pela rede política do primeiro ministro que tem amparado as suas sucessivas quedas.

Maria de Lurdes Rodrigues insiste em hostilizar os professores, impondo políticas educativas que não têm colhido o consentimento da classe profissional. O afastamento e isolamento político é evidente, preferindo antes partir do que vergar.

Assim, Sócrates fica-se por uma pseudo-remodelação governamental. Pseudo, porque em termos de nomes não é significativa e, acima de tudo, porque esta alteração ministerial não implica quaisquer alterações da política do governo, em particular na área da saúde.

Mas o que fica desta reforma governamental são as justificações absurdas apresentadas pelo primeiro ministro: ele não foi pressionado e as remodelações não implicam uma inflexão das políticas do governo.

Foi hilariante ouvir que o chefe de governo não foi "empurrado" para a remodelação. Foi quase humorístico ouvir que Correia de Campos saiu a pedido pessoal. Só faltou esclarecer que o ex-ministro da saúde quis sair porque não tolerou as críticas presidenciais da mensagem de Ano Novo. Correia de Campos quis sair porque a sua política foi posta em causa. Correia de Campos quis sair porque o Presidente da República passou-lhe um atestado de inépcia política. No fundo, foi empurrado pelo presidente.

Para terminar, acho interessante que José Sócrates venha agora afirmar categoricamente, do alto da sua suma sabedoria, que não encerrará mais nenhuma urgência sem o devido reforço dos meios locais.

Fica apenas a pergunta: Não era isso o que deveria ter sido feito desde o início?!

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