terça-feira, 27 de maio de 2008

O vazio político

Este governo, e em particular José Sócrates, começa a evidenciar cada vez mais dificuldades em conseguir soluções para os problemas sociais que se têm vindo avolumar.

Numa perspectiva fortemente centrada no deficit das contas públicas, Sócrates tem vindo a afogar cada vez mais a classe média e a "enterrar" de vez a classe baixa: de facto, apenas há deficit, não há vida. As críticas dos históricos do partido, que estão em total desacordo em relação ao caminho que o PS tem trilhado, têm sido cada vez mais recorrentes na comunicação social.

Perante tudo isto, e quando não se sabe que mais dizer para aplacar a indignação pública, recorre-se ao velho golpe de "A culpa é dos outros".

Passados três anos de maioria socialista, em que o PS governou o país ao seu belo prazer, não se consegue admitir que afirmações como as que hoje proferiu nas jornadas parlamentares socialistas sejam usadas recursivamente sempre que as coisas não correm bem.

Sócrates não tem qualquer problema de consciência em ir regularmente à praça pública para (auto-)elogiar a acção governativa, que se pauta por uma exemplaridade ímpar na Europa e arredores, ou pelo menos assim parece, segundo as suas intervenções nos debates quinzenais na Assembleia da República.

No entanto, as coisas mesmo assim não correm bem. Então, à falta de culpados (que não ele), é deitar as culpas a quem por lá já passou, numa atitude de total desresponsabilização, esquecendo que afinal os últimos três anos são da sua inteira responsabilidade.

A pergunta que se coloca agora é: e se a economia registasse um bom desempenho, a culpa era também do PSD?

Certamente que os "culpados" seriam outros...

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