quinta-feira, 5 de junho de 2008

Allegro ma non Troppo

Allegro ma non Troppo Allegro ma non Troppo by Carlo M. Cipolla

My review

rating: 4 of 5 stars

Um livro pequeno, de leitura rápida, e que me proporcionou algumas gargalhadas. Trata-se de uma obra que reúne dois pequenos ensaios do economista Carlo Maria Cipolla (1922-2000).

O primeiro estabelece uma (hilariante) correlação entre o comércio da pimenta negra e o desenvolvimento económico e, especialmente, social durante a Idade Média. O facto da pimenta negra ser um afrodisíaco explica o aumento demográfico e permitir assim um desenvolvimento sustentado da economia mundial. Vai ainda mais longe e justifica como a lã, e especialmente o vinho, estão por detrás da Guerra dos Cem Anos -- pronto, 116 anos -- e como estes produtos acabaram por indirectamente permitir à sociedade ocidental dar o salto para o Renascimento.

O segundo ensaio -- fantástico -- versa sobre um grupo da sociedade que pode ter grandes impactos sobre o desenvolvimento macroeconómico do mundo: os estúpidos. Cipolla estabelece aqui as chamadas cinco leis fundamentais da estupidez:

1. Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação;

2. A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa;

3. Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo;

4. As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro.

5. A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.

Sobre estas leis, e recorrendo a análises gráficas -- sim, gráficas! --, toda a sociedade pode ser então assim dividida em quatro classes as quais ditarão o crescimento o não de uma nação, desde que o pior classe -- os estúpidos -- não façam muitos estragos.

Dois ensaios que apresentam uma maneira muito sui generis de ver a sociedade e que merecem ser lidos.

Ah! E não precisam ser economistas para ler esta obra!

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