quinta-feira, 12 de junho de 2008

Protesto por intimidação

Desde segunda-feira passada que Portugal está a mercê de uma paralisação do sector de transporte pesado de mercadorias, um sector vital da nossa economia uma vez que é ele o responsável pelo facto de termos à nossa disposição todo um conjunto de produtos que, regra geral, temos como adquiridos nos mais diversos estabelecimentos comerciais que frequentamos.

Esta paralisação deve-se, como não podia deixar de ser, ao sucessivo aumento que os combustíveis têm verificado nas últimas semanas. Aproveitando o “embalo” os responsáveis deste sector juntaram um conjunto de reivindicações, algumas já bastante antigas, para desta forma poder fazer face às actuais dificuldades económicas que as empresas transportadoras estão a atravessar.

Dito e feito, os piquetes de “greve” foram para a estrada e a primeira coisa que fizeram foi imitar o pior dos camionistas espanhóis e franceses: coagir e ameaçar os colegas que não aderissem a esta forma de protesto.

Não posso, de modo algum, concordar com a maneira como este protesto está a ser conduzido. Compreendo os motivos – todos nós estamos no mesmo barco, não são apenas as empresas de transporte pesado – mas repudio completamente a forma como esta paralisação está a ser conduzida.

De nada vale a pena virem à rádio e televisão dizer que param os colegas para “educadamente” pedirem que se juntem aos colegas em protesto. Todos puderam ver, nos mais diversos canais de televisão, como eram interpelados “de modo educado e civilizado” os colegas, e vimos também como alguns colegas foram “amavelmente” brindados com pedradas pelo facto de se manterem em andamento.

Foi possível ouvir em directo os colegas do piquete de greve a dizer «que não se responsabilizavam pelo colega» que, mesmo assim, insistisse em continuar viajem. Foi possível ouvir expressões «anda cá baixo se és homem». Tudo expressões de grande amabilidade e cortesia, típicas entre colegas de profissão. Tudo em directo.

Todos vimos o recato e o urbanismo com que a equipa da SIC foi brindada na Batalha, especialmente quando gritavam – amavelmente claro! – que os camionistas não precisavam da televisão para nada, mas se não fosse a própria televisão nunca obteriam a expressão mediática que alcançaram.

Tudo isto sem falar na lamentável morte de terça-feira. Uma morte que, na minha opinião, é da inteira responsabilidade dos próprios promotores deste protesto. A onda de medo que inculcaram nos colegas só poderia levar a uma situação destas. Eu se fosse camionista, se soubesse como os outros colegas que estavam na estrada estavam a ser tratados, teria naturalmente receio em parar. Entre uma pessoa que se coloca em frente de um camião para o fazer parar e outra pessoa que não quer parar o camião, é fácil de perceber qual o desfecho. Sem querer reconhecer parte da culpa nesta morte desnecessária, ainda atiram as culpas ao governo, tornando o colega morto numa espécie de mártir e a luta numa espécie de vingança.

O governo pode ser acusado de muitas coisas em relação a actual crise que vivemos, muitas mesmo, mas por muito que queiram o governo não é responsável por esta morte.

1 comentário:

bernard n. shull disse...

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