sábado, 28 de fevereiro de 2009

Há coisas muito estranhas

O denominado e já muito badalado "caso Freeport" (ou "Fripóre", como preferirem) tem trazido a público todo um conjunto de informações que, no mínimo, são bastante estranhas e cuja coincidência chegam a mesmo a despertar alguma desconfiança ao mais céptico dos observadores.

Para além do descrédito a que foi atirado o malfadado segredo de justiça, em que inúmeras informações classificadas sobre este processo têm vindo a público, têm surgido nos órgãos de comunicação social algumas histórias que se revestem da maior suspeita, criando todo um ambiente de "teoria da conspiração".

Uma delas é a "periodicidade" com que a questão tem vindo à luz do dia, primeiro em 2005 e agora em 2009, coincidindo com os períodos eleitorais. Esta "coincidência" já permitiu ao Primeiro-Ministro desempenhar o papel de vítima de "campanha negra", afinando pelo mesmo diapasão o séquito mais próximo a José Sócrates. Entretanto, investigadores da PJ já vieram afirmar que não houve nenhuma paragem tácita e/ou conveniente nas investigações, garantindo antes que o processo "não esteve parado durante três anos", e queforam feitas "inúmeras diligências de busca entre 2005 e 2008".

Ainda entre os factos "curiosos", temos as suspeitas que surgiram na comunicação social que davam conta de haver magistrados encarregados no processo Freeport que desconfiavam que poderiam estar sob vigilância, suspeitas rapidamente rebatidas pelo SIS, num comunicado público inédito, se atendermos a carácter reservado que o SIS sempre manifestou.

Estas suspeitas ficam mais acentuadas hoje com a notícia de que o computador de um dos procuradores titulares do “caso Freeport” terá sido infiltrado por um “cavalo de Tróia”, que permite aceder remotamente à memória dos computadores, ler, copiar e reenviar ficheiros para um endereço pré-definido. Algumas más línguas já comentaram que o dito procurador terá andado a navegar por sítios da Internet menos próprios, uma insinuação no mínimo ridícula.

No meio disto tudo uma coisa é certa: se há alegadamente corruptores activos então alguém foi passível de corrupção.

2 comentários:

Porfirio Silva disse...

«No meio disto tudo uma coisa é certa: se há alegadamente corruptores activos então alguém foi passível de corrupção.»
Pois, mas se calhar não gostaria que alguém apontasse com o dedo para si e dissesse "se calhar foi aqui este senhor que recebeu a massa". Ou gostaria?
A "técnica" de embrulhar muita pseudo-informação para criar um cenário e depois sugerir que certas personagens poderiam caber nesse cenário - é uma técnica muito estafada, não lhe parece?
Ou, para seguir uma das suas estratégias discursivas, teria que dizer que este blogue está a fazer o jogo do BE?
A imaginação, quando se põe a laborar, não tem limites, pois não?

Tony Almeida disse...

Livra!!! A fazer o jogo do BE?! Bem... decididamente não me conhece para dizer uma coisa dessas.

Agora mais a sério: obviamente que muita informação foi colocada de forma sensacionalista na comunicação social e, mais ainda, grande parte dessa mesma informação era suposto estar em segredo de justiça. Acho correcto que se aponto o dedo ao PM? Não. Mas, e tendo tal acontecido, José Sócrates não se pode esconder atrás de uma cortina de vitimização e "campanhas negras". Se vamos pelo caminho de "apontar o dedo" (o que ainda por cima é falta de educação) o próprio PS insinua que é o PSD que elaborou esta campanha! Em vez disso, podia muito bem ter prestado um esclarecimento mais cabal sobre o caso, tendo deixado afinal esse papel ao Ministro da Presidência, naquela famosa entrevista que não lhe correu nada bem com o Mário Crespo.
Um coisa é certa, há bastantes factos que são estranhos, e para bem da nossa democracia, era conveniente que fossem devidamente esclarecidos.