terça-feira, 31 de março de 2009

De Leitura Obrigatória

Os Judeus na Universidade de Coimbra, de Carlos Fiolhais (De Rerum Natura)

Afinal a oposição tinha razão

Este país é cada vez mais inseguro.

Freeport: assaltado escritório da advogada de Zeferino Boal

Vital Moreira no seu melhor

«"PIB da OCDE deverá cair 4,3% [no corrente ano]". Está visto que tudo isto é "culpa do Governo de Sócrates"!...»

Vital Moreira, in Causa Nossa

Comentário: Pois, era precisamente o "governo de Sócrates" que afirmava, ainda no ano passado, que a nossa economia estava a resisitir a actual crise. Interessante observar ainda que os números da OCDE interessam apenas quando visam ajudar os números do governo, caso contrário tratam-se de previsões pessimistas.

Temos decididamente candidato...

Diz-se na blogosfera...

«Ou como se fazem reformas na justiça: bem depois das 23h00 do dia 30 de Março, foi publicado o 1.º suplemento ao Diário da República do dia, contendo, entre outros diplomas, duas Portarias que regulamentam a reforma (a 4.ª ou a 5.ª nesta legislatura) da acção executiva e que entram vigor no dia 31 de Março de 2009, ou seja, hoje. Uma delas, com 53 artigos e quatro anexos, regula aspectos fundamentais do processo, a começar pela forma como o mesmo se inicia.»

in Blasfémias

Os espaços em branco

Tudo isto começa a ser deveras preocupante. Na actual situação, não basta dizer que é uma campanha negra, que são forças de bloqueio ou que se trata de uma campanha orquestrada sabe-se lá por quem para descredibilizar o Primeiro-Ministro. Começa a ser intolerável que se alimente a opinião pública com insinuações, meias-verdades (ou meias-mentiras, como preferirem) e com disse-que-disse.

O actual governo e, em particular, José Sócrates, começam a ficar encobertos por uma densa e pesada camada de desconfiança que manifestamente se torna, a cada dia que passa, insustentável.

O último acto deste drama é a acusação do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público que afirma haver pressões sobre os magistrados que têm em mãos o caso Freeport. Quem é/são quem pressiona? Quais os motivos? Não sabemos. Tudo o que diz respeito a este caso é transmitido à opinião pública através de frases incompletas, com espaços em branco, que a comunicação social e o cidadão comum preenchem da melhor maneira.

No entanto, uma ideia tomou conta de todos: onde há fumo pode haver fogo. Quem é que no meio disto tudo esta a arder, não sabemos. Mas que existem explicações que têm que ser dadas, lá isso existe. De outro modo, há instituições sobre as quais não podemos voltar a confiar enquanto não mudarem as figuras que as dirigem.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O que vale...

... é que as torturas e os Autos de Fé caíram em desuso.

Vaticano prepara resposta oficial a declarações de bispo de Viseu sobre preservativo

Diz-se

«A pontualidade não é uma das virtudes teologais e, apesar de tudo, não estará entre as qualidades mais importantes exigíveis a um primeiro-ministro. Mas ter 1500 pessoas (a quem fora exigida pontualidade) à espera do início de um espectáculo que não começaria sem terem chegado os convidados de honra e, mesmo assim, os convidados chegarem meia hora atrasados, como aconteceu na estreia da ópera "Crioulo" no CCB, talvez não seja apenas uma questão de pontualidade mas de cidadania. Até isso, porém, seria um "fait-divers" negligenciável, que só terá tido o efeito que teve nos media - e, se calhar, nas ruidosas vaias do Grande Auditório - devido ao inusitado clima de hostilidade, por razões que já têm menos que ver com a política do que com a sociologia, existente em torno da figura do primeiro-ministro, que faz com que a mínima faúlha incendeie a pradaria da contestação. Insólito é o que sucedeu depois, e isso, sim, é notícia: um assessor de Sócrates a atirar as culpas do atraso para… o primeiro-ministro de Cabo Verde. Isso já não é só uma questão de chá, é um desastre institucional e diplomático.»

Manuel António Pina, in JN

domingo, 29 de março de 2009

Eles "andem" aí...

Rede de espionagem electrónica infiltrou-se em computadores de 103 países

«Uma rede de espionagem electrónica, baseada essencialmente na China, infiltrou-se em 1295 computadores de 103 países, designadamente de alguns governos, disseram hoje investigadores canadianos citados pela BBC.
(...)
Chegou-se à conclusão de que foram alvo de espionagem ministérios do Irão, Bangladesh, Letónia, Indonésia, Filipinas, Brunei, Barbados e Butão, bem como embaixadas de Portugal, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Roménia, Chipre, Malta, Tailândia, Taiwan, Portugal, Alemanha e Paquistão.»

Como se pode ver, Portugal foi atacado duas vezes por esta rede de espionagem, bem revelador da nossa importância global :-D

(antes que me comecem a chatear, obviamente que se trata de uma gralha sem importância do Público. Hoje é domingo. Sem stress, ok?)

sábado, 28 de março de 2009

Just for the record

Não vou apagar a luz às 20h30. Para além de ser uma ideia ridícula, as minhas preocupações ambientais a respeito do consumo energético reflectem-se aos longo das 24 horas de cada um dos 365 dias do ano (vá lá, eu faço uma "farra" energética um dia cada quatro anos :-D). Não me limito apenas a uma hora por ano. Mal vamos nós se pensamos que "vamos lá" com este tipo de iniciativas.

(ironicamente houve um corte de energia enquanto escrevia este post)

Diz-se

«Suponhamos que sim, alguns Magalhães, distribuídos a custo zero às crianças mais pobres, vão parar à Feira da Ladra. Que me diz isso? Sobre o Magalhães, nada. Como a invenção suméria da escrita cuneiforme, que levou ao alfabeto grego, que levou aos pergaminhos medievais, que levou à tipografia de Gutenberg, que levou à Internet, não é responsável pelas tolices de um qualquer imbecil numa caixa de comentários de um blogue. Se os Magalhães são vendidos na Feira da Ladra é porque uns pais burros fecham os olhos à tolice dos filhos ou, pior, porque uns pais criminosos encurralam os filhos na ignorância.»

Ferrreira Fernandes, in, DN

Os Comunistas voltam a atacar...

ou "Continua a Campanha Negra..."

José Sócrates vaiado na ópera

Será que ficou gravado em DVD? Será que Sócrates conhecia algumas das pessoas que o vaiaram? Ou será que se tratou de uma vaia inventada?

Actualização: Muito simpaticamente, o gabinete do Primeiro-Ministro atirou as culpas do atraso sobre o Primeiro-Ministro de Cabo-Verde. Ou seja, e para variar, o problema não foi dele (descontando o atraso de 10 minutos sobre a hora do próprio Sócrates, porque ainda teve que escrever uma nota de imprensa).

Pondo agora a ironia de lado, o que aconteceu ontem no CCB é mais uma demonstração da falta de tolerância para com o Primeiro-Ministro português. Compreende-se que, sendo uma figura de estado, se tenha permitido este atraso, mais quando acompanhado por uma visita oficial (refiro-me, claro está, ao PM cabo-verdiano). Acontece que as pessoas já não têm mais paciência e, ao mínimo deslize, manifestam o seu descontentamento. As pessoas que pagaram para assistir ao espectáculo colocam-se na situação "se fosse eu, o CCB não esperaria pela minha chegada, mas como é o Sócrates...", sentem-se desrespeitadas e, numa situação de pouca tolerância como a que vivemos, facilmente deixam o descontentamente ganhar formas mais expressivas como a de ontem.

Triste é que, para justificar o atraso - e José Sócrates não foi ele próprio pontual (pelos vistos preferiu correr primeiro para a comunicação social, a quem apresentou uma nota por causa da já famosa divulgação do DVD que alegadamente conota Sócrates ao caso Freeport) - atire as culpas à visita oficial. Eu não sei nada de protocolos de estado, mas não me parece a melhor maneira de tratar uma visita.

Em todo caso, proponho que o CCB passe a informar junto os espectadores da presença de Sócrates nos espectáculos que ele venha a assistir. Assim, não há motivo para queixas.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Adeus Tânia


A comunidade portuguesa de Bookcrossing desde o final de ano passado que andou a seguir bem de perto a saúde da Tânia - a Snowshoee, como era conhecida pelos bookcrossers. Esta preocupação acabaria por estender-se à comunidade internacional, de onde vieram as mais diversas manifestações de carinho.

A Tânia sofria de uma miocardiopatia dilatada que obrigou ao seu internamento, um internamento prolongado e durante o qual a sua saúde continuou a deteriorar, apesar de todos os esforços médicos. O transplante cardíaco tornou-se imperativo mas, infelizmente, o coração teimava em não aparecer. E não apareceu...

Foi ainda tentada uma intervenção para tentar apoiar o seu coração cada vez mais debilitado, mas infelizmente adveio um AVC que praticamente quebrou as últimas esperanças. A Tânia iniciava a sua última caminhada. Uma caminhada que terminou hoje.

Tive a oportunidade de falar com ela, de conhecer a sua força de vontade. Tive a oportunidade de conversar sobre o meu pai, quem também sofreu do mesmo problema cardíaco. Tive a felicidade de ser tocado pela sua simpatia.

Estou sensibilizado com as mensagens de apoio e carinho que a comunidade Bookcrossing, à qual pertenço, dirigiu à Tânia, à família, aos amigos e ao namorado. A preocupação em saber como ela se encontrava, o querer saber da evolução do seu estado, a onda de pensamento positivo que foi dinamizada na esperança que o coração que tanto a Tânia precisava aparecesse, tudo foram manifestações de um carinho às quais era impossível ficar indiferente. Foi criado um blog para permitir um melhor acompanhamento do estado de saúde da Tânia e onde todos os dias eram colocadas inúmeras mensagens de apoio e carinho dirigidas não só à Tânia mas a todos quanto a rodeavam.

Hoje, a Tânia colocou postumamente o seu último post. Uma mensagem que tinha escrito caso não conseguisse ultrapassar a doença. Uma mensagem à qual não consegui ficar indiferente.

«Aproveitem a vida, a felicidade não existe, existem os momentos felizes… e esses… bem, respirem, cheirem, sintam, fotografem, enfim, não os percam nem esqueçam.»

Adeus Snow. Nunca te esqueceremos.

Olhó DVD pirata!

Vou ser directo: não gosto da TVI, não suporto o estilo arrogante-sobranceiro do duo Moniz-Moura Guedes e, apesar de ter tentado - juro que tentei! - não consigo ver a TVI24. Se a isto juntarmos um dia complicado, em que os olhos estiveram afastados dos meios de comunicação, e, durante a viagem para casa, ter ouvido um CD dos Marillion, percebe-se a minha semi-surpresa ao chegar a casa e saber da notícia (não na TVI!!) da divulgação de um DVD com uma conversa onde José Sócrates é adjectivado de "corrupto".

Sim, não posso afirmar que fiquei completamente surpreendido. Afinal, há muito que é do conhecimento da opinião pública a existência de um registo áudio onde o ex-ministro do ambiente é directamente envolvido no presumível escândalo de corrupção do Freeport (ou Fripor, se prefeririem). Certamente que a TVI já tinha este DVD há algum tempo e apenas geriu a sua agenda noticiosa, muito eventualmente garantido que fosse a Manuela Moura Guedes (que penso apenas apresenta o Jornal da TVI à sexta-feira, se não for digam-me) a apresentar esta "bomba" noticiosa.

O que é que resta deste novo escândalo? Nada. Não houve nada de novo e apenas assitimos a uma guerra aberta entre o tag-team Moniz-Moura Guedes e Sócrates. Eu posso ser muito crítico em relação ao actual governo e tenho mesmo algumas dúvidas sobre este caso Freeport (ou Fripor), um caso que penso carecia de um melhor esclarecimento por parte do Primeiro-Ministro e outro tratamento (em particular, celeridade) por parte do Ministério Público. Lamentável é trabalhar debaixo da capa do jornalismo para justificar este tipo de manobras de carácter duvidoso, mas esse é o jornalismo a qua a TVI nos tem habituado.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O pior cego...

Ou é problema de memória, ou é hipocrisia ou então é simplesmente uma intervenção para esquecer do líder parlamentar do PS, Alberto Martins. Pelos vistos ele terá afirmado que «O PSD não tem sido um parceiro fiável» com o qual «é muito difícil dialogar».

Fala assim o defensor de um governo que tem sido completamente autista aos mais diversos sectores sociais e profissionais: médicos, enfermeiros, professores, função pública... e vem afirmar que é com os outros que é difícil dialogar?!

And now for something completly different...

Manuela Ferreira Leite dixit:

"Essas questões dos licenciamentos, das autorizações, das burocracias, são fonte grande de corrupção"

"não é possível com o sistema de justiça fazer grandes atracções de investimento"

"qualquer investidor que olha para vários países (...) pondera três vezes antes de ir para um país que se tiver um problema ao nível do trabalho e de qualquer contrato ficará com esse problema por resolver"


Só falta saber exactamente quando é que a Manuela Ferreira Leite começa a dizer alguma coisa verdadeiramente útil, em vez de recalcar frases feitas e verdades lapalicianas.

Diz-se

«Crise não é palavra que entre no léxico do futebol, um dos mais formidáveis instrumentos de fuga à realidade até hoje inventado. Dos três F do tempo do salazarismo é o que sobrevive mais pujante. O fado, rejuvenescido de vozes e de espírito, deu para este peditório o que tinha a dar. E Fátima já não é só para consumo interno.»

Paulo Martins, in JN

Diz-se

«Este incidente tão mediatizado revelou dois interessantes aspectos da forma mentis deste tempo em que vivemos. A primeira tem a ver com o comportamento dos que não têm fé, e por isso não acreditam em nada do que estou aqui a escrever. Dúvida que me surge: se não acreditam porque é que se incomodam tanto com o que o Papa diz? Será porque, como alguns vaticinam, as religiões poderão substituir, no século XXI, as ideologias? E isso é, só por si, ameaçador? E quem deu cabo das ideologias? Foram as religiões? Não me parece. A segunda tem a ver com a religião à la carte, adoptada pelos que acreditam mas não concordam, e querem uma religião à medida das concessões que foram fazendo ao longo da sua vida e, de acordo com cada circunstância concreta, uma ementa de interpretações onde caiba tudo e eles próprios.»

Maria José Nogueira Pinto, in DN

Comentário: Estas palavras de Maria José Nogueira Pinto não passam de "retórica da rolha": o Papa falou e, ao abrigo da infabilidade papal, não há discussão possível. Não me incluo em nenhum dos grupos descritos e, no entanto, não posso deixar de discordar da ultra-ortodoxia professada por este papa que tem conseguido afastar a Igreja da sociedade civil. Não, não se trata de religião à la carte, mas antes o repúdio por uma Igreja que se movimenta por meros interesses pessoais e mundanos, que nada tem a ver religião na verdadeira acepção da palavra.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mas alguém ainda acredita?

[Autoridade da] Concorrência vai vigiar banca e hipermercados

Venha o diabo e escolha

Um dos graves problemas de imagem do Bloco de Esquerda reside na inabilidade completamente ridícula de "armar-se" em um grupo humorista, à laia da veia de esquerda popularucha que a caracteriza. É fácil constatar isso mesmo, em particular, no material pseudo-cómico que costuma distribuir nas campanha eleitorais, alegadamente para criticar e/ou fazer passar uma mensagem qualquer (julgam eles), e que regra geral primam pelo mau-gosto.

Exemplo disso é o que aconteceu com a já famosa publicidade da Antena 1, que andava a ser transmitida há semanas na televisão pública e que de repente todos os partidos repararam, solicitando imediatamente um Auto de Fé a todos os envolvidos em tamanha infâmia contra os direitos dos trabalhadores. Todos menos um: o PS, pela voz do ministroa Santos Silva, que quando lhe toca a ele exige imediatamente desculpas mas, quando não lhe interessa, responde que o governo não se mete em assuntos editoriais e afins, chutou para canto a dizer que não era nada com eles.

Sobre a publicidade em causa, pode-se questionar de facto a maneira como o direito à manifestação é tratado. Mas o "remake" feito pelo Bloco de Esquerda, em que a voz da Eduarda Maio foi substituida (o resto do áudio da publicidade não foi alterado), é, no mínimo, um resultado lamentável que mais parece gozar e humilhar os trabalhadores que foram despedidos nas condições apontadas nesta "publicidade". Para um partido que tanto criticou a publicidade original da Antena 1, não deixa de ser reprovável este tipo de iniciativas que nada abona em favor da dignidade da classe trabalhadora que, alegadamente, eles dizem defender.

terça-feira, 24 de março de 2009

Operação de Cosmética

É impressionante a velocidade de reacção deste governo quando os números da realidade portuguesa são contrários às pretensões eleitoralistas do PS. Logo após o anúncio dos números catastróficos do emprego em Portugal, Sócrates "arranca" da cartola não um, não 10, mas 40.000 estágios profissionais, numa grande operaçáo de cosmética para forçar a diminuição do número nacional de desempregados, ou não fosse este um ano fortemente eleitoral.

Até parece que estes 40.000 estágios são para arredondar as contas dos tais 150.000 empregos garantidos em promessa objectivo eleitoral.

Pena é que este governo pense mais reactivamente do que proactivamente...

Paineis solares

Estando os paineis solares na moda, com o Primeiro Ministro a pedir "por favor " aos portugueses para que comprem este tipo de equipamento, o JN tem uma apresentação interessante para aqueles menos informados sobre esta tecnologia. Aqui.

Diz-se

«convém recordar que a Humanae Vitae foi precedida da constituição, pelo Vaticano, de uma vasta comissão para estudar o tema, que em 1966 emitiu um relatório defendendo que o uso de contraceptivos devia ser uma decisão livre dos casais. Paulo VI rejeitou as suas recomendações. Meus caros: não há quaisquer "princípios" em jogo na questão do preservativo. Há apenas um erro gravíssimo cometido há 40 anos, que a Igreja continua a pagar muito caro, até aos dias de hoje.»

João Miguel Tavares, in DN

Diz-se

«Quando, e bem, se aprovou a lei de limitação de mandatos dos presidentes das autarquias locais, a razão invocada foi a da necessidade de renovação. Mas, a verdade, é que o recurso sistemático aos chamados "senadores" dos partidos e da democracia transmite a ideia de que a nomenclatura partidária é sempre, ou quase sempre, a mesma. »

Editorial do DN

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sócrates Freeport


Via Fliscorno

PS deixa finalmente cair a máscara

jorge-miranda.jpgA última postura do PS, através da voz de Vitalino Canas, é afinal a revelação de aquilo que se sabia: a intransingência e arrogância do PS em todo este processo para a escolha de um sucessor de Nascimento Rodrigues no cargo de Provedor de Justiça.

Estando eu longe de sequer simpatizar com o a política seguida por Paulo Portas (e em particular com o modo de fazer política do Paulo Portas), confesso que a proposta de intervenção do Presidente da Assembleia da República - segunda figura do estado - como mediador para "desatar" o impasse em que cairam as conversações com o PSD (se é que o PS quis de facto conversar!) me pareceu interessante, proposta para a qual Jaime Gama já demonstrou estar disponnível.

Apesar disto, e numa atitude muito habitual, o PS deixou o Presidente da Assembleia da República a falar sozinho e bate o pé numa birra infantil, querendo impor pela teimosia o figura de Jorge Miranda. Ou seja, sem qualquer tipo de consenso, o PS quer avançar com a votação do nome do constitucionalista para desta forma "demonstrar" que quer, pode e manda, uma atitude muito socrática, portanto.

O que mais me impressiona é o silêncio de Jorge Miranda neste processo todo e, acima de tudo, me impressiona como é possível que ele se deixe instrumentalizar desta forma pelo PS, permitindo que o seu nome seja proposto para votação sem que haja um consenso parlamentar.

É triste, é política à portuguesa.

Diz-se

«Mas ainda mais preocupante é que os dois ministros que estiveram na apresentação do relatório [anual da Escola Segura] - a da Educação e o da Administração Interna - se limitaram a apresentar os números. Nada sobre os motivos para tanta violência e indisciplina. Zero sobre o que propõem fazer para reverter o cancro que se vai instalando. Conclui-se que alguns ministros já não são capazes, sequer, de lançar foguetes. Talvez esteja na hora de alguns voltarem ao papel de tentar apanhar as canas.»

Diz-se

«Este ano será feito o teste. Terão as iniciativas desencadeadas - na aquisição de meios, na formação de bombeiros e na reestruturação da Protecção Civil - servido para alguma coisa? Arderão - ou não - os milhões investidos? É simples a pergunta para a qual se exige resposta: os investimentos foram suficientes para enfrentar qualquer Verão, mais ou menos quente? É o que se está para saber.

Curiosamente, este poderá ser um dado importante para o escrutínio das legislativas - se calhar quase tão importante como a gestão da crise. Estará em causa saber se tudo não passou de propaganda. Os incêndios do Verão responder-lhe-ão. »

Manual para a Crise

Algumas profissões parecem estar imunes à crise. Para mais, é só ler esta notícia no DN on-line.

sábado, 21 de março de 2009

E porque é fim-de-semana...

Don Giovanni (W. A. Mozart) - Abertura e Início da 1.ª cena

sexta-feira, 20 de março de 2009

Lamentável

Foi simplesmente lamentável a maneira como a correspondente da Rádio Renascença no Vaticano, que acompanha a visita de Bento XVI à Angola, tentou branquear as palavras do papa sobre a questão polémica da utilização do preservativo.

Lamentável que alguém que se diz jornalista, em vez de responder à pergunta feita pela pivot do Jornal das Dez da SIC-N, sobre como foi esta questão sentida em Angola, tenha aproveitado para justificar as palavras do papa, afirmando que a intervenção do representante da Igreja foi descontextualizada e mal interpretada.

Penso que não é esta a função do jornalismo, mas vindo de alguém que trabalha para a Renascença...

Por falar em relembrar...

...a sociedade gostaria de relembrar a desigualdade entre a opulência no Vaticano e as condições miseráveis em que trabalham muitos missionários.

Cartoon Update

Depois das duras críticas do sector mais conservador da Igreja católica, por causa da "colocação" de um preservativo no nariz do Papa João Paulo II, eis que António volta à carga, num remake do cartoon de 1992, enfiando, desta vez, o "barrete" na cabeça do ex-cardeal Ratzinger, no seguimento da polémica que o papa reiniciou depois de afirmar que o preservativo não era a solução para a erradicação do SIDA, mas antes um factor de agravamento.

Diz-se

«Bem pode o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, vir dizer que Nascimento Rodrigues quebrou o dever de lealdade e de isenção. Sendo verdade, e apesar das razões que lhe assistem, que o provedor de justiça se excedeu no tom e no conteúdo das suas declarações, não é menos verdade que PS e PSD têm mostrado uma total falta de respeito para com a instituição, a Provedoria de Justiça, para com o actual provedor e, sobretudo, para com os cidadãos em favor dos quais foi criada: sendo que no actual quadro de crise económica e financeira generalizada, a Provedoria de Justiça é cada vez mais a instância de recurso a que os portugueses mais vão bater à porta quando se sentem vítimas de injustiça.»

Editorial do DN

Mas esta malta só acordou agora?!

Há coisas em política que decididamente só funcionam por modas: a tal "famigerada" publicidade da Antena 1 é transmitida na TV já há algum tempo - bastante tempo, atrevo-me a dizer - e só agora é que repararam nela?!

Lembraram-se agora que as manifestações estão a ser parodiadas nesta publicidade depois dos ataques do governo à CGTP?

Apenas uma curiosidade: a jornalista que transmite a informação sobre o engarrafamento provocado pela manifestação que é "contra quem quer chegar a horas" é nem mais nem menos que a Eduarda Maio, a mesma que escreveu "Sócrates, O Menino de Ouro do PS".

Ele há cada coincidência...

Hipocrisias

Deixa ver se eu entendo: este homem, que chamam de "santidade", tenta impingir a religião e a moral de uma Igreja Ocidental em África e depois vem denunciar um "processo organizado de destruição da identidade africana"?!

Ele está a gozar, não está?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Continua a Campanha Negra...

Mário Soares critica Sócrates pela polémica criada acerca da manifestação em Lisboa

Já não é a primeira vez que este histórico do PS avança com críticas dirigidas directamente à figura de José Sócrates. E não há de ser a última vez que o primeiro-ministro assobie para o lado e faça de conta que não é com ele. Um clássico, portanto.

A certa altura, das palavras de Soares, podemos ler «Ele pode ganhar a maioria absoluta se houver diálogo com os sindicatos, com os partidos e com as pessoas. Num momento tão grave da vida nacional, os partidos têm de pôr um pouco de lado as suas pretensões próprias e devem ter a humildade de ouvir e de falar». Quanto a humildade, penso que podemos evitar perder tempo a discorrer sobre o que Sócrates pensa sobre esta virtude humana. Quanto ao diálogo com os sindicatos, como se pode ver esta semana, José Sócrates parece apenas mais interessado em falar com os bons sindicatos. Não vale a penas perder tempo com os maus..

Águas de Março

terça-feira, 17 de março de 2009

Diz-se

31armada.jpg«A polícia também costuma visitar os sindicatos que Sócrates diz serem bem comportados ou esses "enganos" só acontecem nos sindicatos mal comportados?»

Ele há cada visitante...

Uma visita feita para ler este post.

Uns ofendem mais que os outros, parece

«Lamento que essas manifestações não existam argumentos, mas apenas acusações e insultos. Lamento que organizações sindicais se limitem ao insulto e ao insulto pessoal, chamando-me mentiroso. Há quatro anos que não fazem outra coisa que não seja chamar mentiroso ao primeiro-ministro. Acho que isso não é um grande argumento a favor das suas teses».

Estas palavras foram críticas que José Sócrates dirigiu à CGTP ainda a respeito da manifestação de sexta-feira passada. Ele estava muito indignado com as ofensas que lhe eram dirigidas, dando como exemplo o facto de o terem chamado de "mentiroso".

Disse ainda que com a UGT não é assim. A UGT já se manifestou também contra este governo e a manifestações desta unidade sindical foram tudo menos ofensivas.

Sinceramente, depois disto, gostaria que as televisões e restantes meios de comunicação fizessem uma pesquisa histórica de som e imagem para poder ver o alcance deste tipo de comparações redutoras do primeiro-ministro. Penso que seria muito interessante.

A Campanha Negra de Ferro Rodrigues

ferro.jpgEleições Europeias: Ferro Rodrigues nega ter sido convidado para cabeça de lista do PS

Afinal, pelos vistos, Ferro Rodrigues não foi convidado para cabeça de lista do PS para o Parlamento Europeu. Será mais uma campanha negra contra José Sócrates? Haverá aqui um dedinho do Manuel Alegre? Será que a Manuela Ferreira Leite tem alguma coisa a ver como caso? Será uma notícia intencional do Público? Ou a Manuela Moura Guedes desencantou este facto para atacar o governo?

Tiro no Porta-Aviões

Titanic2.jpgAte que consigo compreender que se promova a produção nacional: faz todo o sentido nos tempos que correm. Uma encomenda de 500 milhões de euros aos Estaleiros Navais de Viana de Castelo parece ser um bom negócio (pelo menos é muito dinheiro).

O que não se compreende é que se feche um negócio deste valor com a entidade que está a construir um ferry boat para os Açores que já ultrapassa o preço inicial em praticamente 25%, cheio de "remendos" (tal como foi caracterizado na SIC) e limitado na sua carga máxima devido a erros de concepção (já para não falar na segurança da tripulação que terá levar o ferry até a "morada" do cliente).

Não se percebe como se pode confiar numa entidade que atrasa a entrega da encomenda em tantos anos. "afinar detalhes técnicos"? Uma entrega prevista inicialmente para 2006, e que só será concretizada em 2010, precisa de 4 anos para afinar detalhes técnicos?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Diz-se

«No seu regresso de Cabo Verde, o primeiro-ministro lá se confrontou com a necessidade de comentar os números e os motivos da manifestação. E a reacção foi, como de costume em situações desta natureza, politicamente pobre. Na redutora visão de José Sócrates, aquelas dezenas de milhares de portugueses saíram à rua apenas para o insultar».

Rafael Barbosa, in JN

sábado, 14 de março de 2009

Discurso ressabiado

E a UGT? Quem a instrumentaliza? A novidade deste discurso ressabiado é que agora estas campanhas não são exclusivas do PCP mas também do Bloco de Esquerda.

Haja paciência para estes discursos enlatados de campanhas negras e afins!

(imagem obtida no Abrupto)

IRS 2008 - Actualização da Relação de Dependentes

Lido aqui:

Já actualizou sua lista de dependentes do IRS ? Não? Então pode copiar da minha.

DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS - IRS
(Por definição, são meus dependentes, todos aqueles que SOU OBRIGADO, POR LEI, A SUSTENTAR)

RELAÇÃO DOS MEUS DEPENDENTES:

01) Presidência da República e assessores;
02) Governo e assessores (até mesmo os familiares nomeados por clientelismo político);
03) Câmara Municipal de ... e assessores, (até mesmo os familiares nomeados porpelo mais puro nepotismo, quer pessoal, quer político); (idem) ; Há Municípios onde trabalha a família toda do Presidente e do seu Vice, bem como antigos opositores.....
04) EPAL (consumos mínimos);
05) EDP (consumos mínimos);
06) TELECOM; TMN; etc.
07) Gás de Portugal (consumos mínimos);
08) Beneficiárias da taxa de saneamento básico (recolha de lixo, etc);
09) Centros de inspecção de veículos;
10) Companhias seguradoras (seguro automóvel obrigatório) ;
11) BRISA - Portagens;
12) Concessionárias de parques e estacionamento automóvel;
13) Concessionárias de terminais aeroportuárias e rodoviários;
14) Instituições financeiras - Taxas de administração e manutenção de contas correntes, renovação anual de cartões, requisição de talões de cheque etc.;
15) Mais de 250 deputados da Assembleia da República, com os respectivos ESQUEMAS de apoio.
16) BPN, BPP e demais esquemas de enriquecimento fácil de administradores e gestores cleptomaníacos a que o estado entrega os impostos que pago, para evitar o alarme social e financeiro.

Tenho a certeza de que me esqueci de um monte deles ...Pode lembrar-se e acrescentar por mim?

As poucas convicções do PS

Está aí mais uma amostra da (pouca) convicção do PS na hora de tomar decisões. Independentemente da questão em torno do pão ter mais ou menos sal, o certo é que a maioria PS aprovou ontém na Assembleia da República uma lei que diminui o teor de sal na confecção do pão. Esta convicção firme e inabalável de zelo pela saúde pública apenas durou até começarem as críticas do sector. Vai dai, o partido socialista já fala em abrir excepções.

Quando mais perto estamos das eleições mais voláteis são as convições do partido do governo.

CSI - Crimes Sobem Intensamente

Esta foi uma das poucas vezes em que a líder do PSD foi certeira nas suas críticas: o único responsável pelo aumento preocupante da criminalidade no último ano tem um único culpado e esse é o governo socialista.

Toda a oposição há muito que clamava pelos dados referentes à criminalidade do ano de 2008, informação esta que mais parece ter sido arrancada a ferros. Percebe-se agora o porquê: os dados não são nada abonatórias para a política de (in)segurança do governo. E ainda não foram incluídos os dados referentes ao Programa Escola Segura. Como disse ontem Rodrigues Guedes de Carvalho, e estou a citar de memória, «Para um debate sobre a segurança na SIC procuramos que estivesse um membro do governo, mas não estiveram disponívies. Agora percebo porquê».

Não vale a pena por a culpa na crise internacional, esse bode expiatório de tudo de mal que acontece agora no nosso país. Estamos a falar de dados de todo o ano de 2008, o mesmo ano durante o qual todo o governo socialista, e em particular o Primeiro Ministro, sempre disseram que tinhamos uma economia blindada e que nunca iriamos soçobrar ao mal que começou em Wall Street.

Perfeito, perfeito era que agora a Manuela Ferreira Leite apresentasse alternativas em vez de apenas criticar.

Continuamos a aguardar.

E porque é fim-de-semana...

Joseph Haydn, Te Deum em Dó Maior
200 anos sobre a morte de Haydn

O julgamento público

Confesso que sou incapaz de imaginar o que o pai da infeliz criança que faleceu em Aveiro, esquecida no interior da viatura, deve estar a passar neste momento. Para além do inevitável julgamento pela justiça e o ainda mais inevitável julgamento pela opinião pública, o julgamento pela sua consciência é capaz de ser o mais penalizador.

Não consigo imaginar como se deve sentir um pai que vê um filho morrer por sua causa. Como se este castigo não bastasse. ainda tem que ser julgado por isso mesmo. Não, não quero dizer que não deva ser julgado. A justiça, tal como sempre deveria ser, tem que ser cumprida. Eu pretendo apenas procurar entender o drama e a angústia que esta família deve estar a sentir: um filho morre e o pai, por causa disso, pode ainda encarcerado por cinco anos.

Naturalmente que não faltará quem desate a atirar pedras. Eu já vi um psicólogo (na TVI, claro!) a dizer que isto é foi um comportamento de alguém que não está preparado para ser pai. Sem conhecer a pessoa, sem compreender o porquê que está por detrás da negligência fatal, o público parte para a crítica primária. Afinal, nós somos sempre melhores que os outros.

Deixem esta família em paz. Já têm sofrimento mais do que suficiente e não precisam da ajuda de ninguém para tornar a situação pior.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Xutos e Pontapés - 2

Diz-se

«Agora só falta o BE passar a preocupar-se também com os direitos humanos no Irão e nos outros 22 países islâmicos, talvez quem sabe?, até na Faixa de Gaza, onde foi agora adoptada a "sharia" e são também comuns as lapidações de mulheres adúlteras (as mulheres são enterradas até à cintura e apedrejadas até à morte) e os enforcamentos e amputações de homossexuais, por cuja causa o partido justificadamente se bate… em Portugal. Talvez o BE decida mesmo começar, finalmente, a denunciar também os tribunais corânicos como os que, na Arábia Saudita (não é Angola, mas sempre será mais fácil que o Irão…), condenaram há dias uma mulher síria de 75 anos a 40 vergastadas, 4 meses de cadeia e deportação por ter deixado entrar em casa dois homens, um deles seu filho de leite, que lhe foram levar pão.»

Manuel António Pina, in JN

Festa!

Pedro Lomba convida todo mundo à festa. O convite está aqui.

Biodiversidade

Quatro anos

Estes quatro anos de (des)governação socialista caracterizam-se, acima de tudo, por um autismo e uma arrogância que por vezes é difícil de compreender.

Certo é que a actual conjuntura económica serve perfeitamente os interesses eleitoralistas do PS, trata-se de uma situação internacional que veio na melhor altura, e serve para desviar a atenção das verdadeiras origens da nossa crise nacional, uma crise que, tal como a Manuela Ferreira Leite afirmou, é anterior a actual crise internacional.

Muitas das opções deste governo foram feitas no espírito de contra tudo e contra todos, trazendo uma instabilidade social como a muito não se via.

As opções deste governo deixaram de lado intervenções verdadeiramente importantes, o que tem permitido que as grandes empresas do sector da energia tenham feito de gato e sapato os consumidores. A Autoridade da Concorrência é uma verdadeira anedota, e as petrolíferas gabam-se dos lucros conseguidos no último ano.

As opções deste governo têm sido um verdadeiro desinvestimento no ensino superior, prejudicando todos aqueles que desejam alcançar verdadeiramente um curso universitário.

As opções deste governo têm levado a uma centralização e controlo estadual sem precedentes.

As opções deste governo têm levado ao desinvestimento e deslocalização da industria em Portugal.

Mas, ao olhar para o lado, as opções ainda não convencem: o CDS e o PCP são dois partidos gastos, de ideologias puídas (se bem que o Paulo Portas pareceu procurar uma postura diferente), o BE mantém um discurso de esquerda popular, europeu-reaccionário, caracterizado por uma hipocrisia que já é imagem de marca, e finalmente o PSD que tem uma líder que ainda procura vingar junto do eleitorado, o que tem levado a uma condução também ela errática do PSD.

Nisso o PS e o PSD são muito semelhantes.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Xutos e Pontapés

Acho que já todos percebemos como o PS trata todos aqueles que se opõe à linha principal (leia-se socrática) do partido: ele é a malhar e ele é a pontapé.

Enfim, quem se mete com o PS, leva!

terça-feira, 10 de março de 2009

Ainda sobre o c...

Vale a pena ler aqui

"Mais leite e menos cacau"

Ao contrário do que algum comentadores e bloguistas já começaram a criticar, eu não vejo a eventual regulação da publicidade a alimentos para crianças e jovens como mais uma medida de paternalização ou restrição de liberdades por parte do estado. Uma coisa é regular a publicidade, outra coisa é retirar-nos a liberdade de escolhermos o que comer e quando comer. Penso que não é isso o que está em causa.

O que está em causa, sim, é a utilização da televisão para divulgar hábitos alimentares incorrectos junto de uma faixa de telespectadores bastante influenciável, como é o caso das crianças e jovens. Quando vejo publicidades em que anunciam pães com pepitas de chocolate como sendo um "óptimo" pequeno almoço, ou quando vejo uma criança, ainda noutra publicidade, a deixar de lado uma sanduíche para comer uma barra de chocolate porque "contém mais leite e menos cacau", penso que é fácil de perceber o alvo deste tipo de medidas.

Diz-se

«Os jornais têm de ser credíveis, verdadeiros, justos e equilibrados, mas não têm de apresentar provas, como se fossem uma extensão do Ministério Público. Eu não tenho dentro de mim um inspector da PJ para saber se Sócrates aldrabou a sua licenciatura, os projectos da Guarda ou a escritura do apartamento Heron Castilho. Basta-me ter lido as notícias que foram publicadas e as justificações do primeiro-ministro. O "manhoso" e o "duvidoso" nascem daí - da diferença, que me parece insanável, entre o que foi publicado e o que foi justificado. A comunicação social é um contrapeso do sistema democrático, que pressupõe respostas às questões que levanta. Ora, sobre qualquer um desses casos, só o gabinete do primeiro-ministro e, quando muito, a sua mãezinha podem considerar as respostas dadas como sendo satisfatórias. Porque não são.»

João Miguel Tavares, in, DN

Diz-se

«José Lello acusou Manuel Alegre de "falta de carácter" e logo saltaram os alegristas exigindo que Sócrates se demarque de Lello. Pare-se o país e referende-se: Alegre tem falta de carácter? Sim ou não? Eu acho que o "não" ganhava, e não é porque partia com o famoso milhão de votos de avanço. É que o povo saberia responder que Lello não sabe exprimir-se. É possível acusar-se Manuel Alegre de bom ou de mau carácter, conforme as opiniões de cada um. Mas que lhe falta cunho ou marca (pssst, José Lello: carácter) é que é simplesmente tolice.»

Ferreira Fernandes, in, DN

sábado, 7 de março de 2009

Temos que ver a coisa pelo lado bom

Se, tal como disse o Primeiro Ministro, todos os seus acessores usam o Magalhães no seu trabalho, então eles devem trabalhar no duro ao ponto de não terem tempo de jogar um dos jogos didácticos com erros de português. Caso contrário já teriam dado com esses mesmos erros...

...ou então não sabem português. Escolham.

Em todo caso, parece que o chefe já deu ordem para desinstalar os jogos.

Diz-se

«A questão de fundo está em saber se o País ganha ou não em ter homens de diferentes famílias políticas nestes dois cargos [Presidência da República e Governo].

Claramente ganha, e os portugueses têm sabido entender as vantagens desse equilíbrio, opção apenas quebrada no tempo em que António Guterres coexistiu com Jorge Sampaio.

Um PR atento, especialmente crítico, capaz de chamar a atenção para os problemas da sociedade nacional, exercendo sem fronteiras de cumplicidade partidária os seus poderes, é uma mais- -valia para o País. E é o que acontecerá de novo já na segunda-feira, quando Cavaco voltar ao Norte, aos concelhos de Barcelos, Braga e Porto, para realizar a quinta jornada do Roteiro para a Inclusão, dedicada ao desemprego e aos novos riscos de pobreza.

Além do mais, um PR de cor diferente da maioria executiva até tem muito mais peso quando utiliza a força da sua palavra para patrocinar importantes medidas do Governo; ou quando relembra o País a um partido, o PS, que pode ter tendência a preocupar-se de forma excessiva nos próximos meses com os seus equilíbrios internos...»

João Marcelino, in DN

Diz-se

«O deputado José Eduardo Martins não é um deputado qualquer, é um deputado do c...»

Afinal não é desta que compro uma estação de televisão

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quem? Eu? Eu não insinuei nada!

Que durante as sessões da Assembleia da República é habitual haver os "famosos" apartes, já não é novidade. Depois, há quem tem estômago para aguentar este tipo de "provocações" e há quem não o tem. Pelos vistos Afonso Candal faz parte do segundo grupo e, vai daí, parte para a insinuação.

Assim, e do alto da ironia azeda a que o PS nos tem habituado, José Candal dirige-se a José Eduardo Martins dizendo «Eu sei que piamente os seus interesses são os contribuintes. Deixaremos essas suas preocupações profundas para outra altura...». Bom, a reacção do visado, segundo aquilo que se consta, não terá sido a mais feliz mas, como o próprio Eduardo Martins disse posteriormente, «quem não se sente, não é filho de boa gente».

Diz Candal que «Não insinuei fosse o que fosse e se tivesse algo a dizer afirmava-o». Então, o que é que ele quis dizer com aquelas palavras na quinta-feira passada? Se não era uma insinuação, o que é que ele quis dizer com aquilo? Se há um mal entendido, porque não procurar esclarecê-lo?

Para um deputado de um partido que não tolera insinuações com o caso Freeport, não me parece que tenha agido da melhor forma.

Assim prega Frei Tomás...

A venezualização do eleitorado?

PS com a maioria absoluta cada vez mais longe sem que isto se reflicta num ganho para o PSD, que também perde terreno. Quem sai a ganhar é o BE, PC e CDS, confirmando o Bloco como terceira força política.

Ao que parece, o eleitorado vai-se afastando dos partidos do denominado bloco central, abrindo espaço para o discurso demagógico de esquerda populista e europeu-reaccionário do Bloco de Esquerda.

Será a venezualização do eleitorado português?

É tudo nosso!

O cartoon acima apresentado já o conheço há algum tempo e não é por isso que deixa de estar actualizado, se atendermos a onda de nacionalizações que varre actualmente a Venezuela. Em pouco tempo Chávez, esse grande estadista e democrata - segundo Mário Soares, começou a apropriar-se de industria privada venezuelana que não siga as orientações políticas do actual (des)governo nacional, leia-se, a vontade de Chávez.

Os casos mais recentes foram a Cargill e Smurfit Kappa. A primeira, porque não estava a produzir arroz aos preços impostos pelo executivo (mais baixos que os praticados, claro), e a segunda foi "apanhada" pelos planos da «revolução agrária» de Chávez. E mais estão na mira do governo venezuelano (estive prestes a escrever "chaviano", mas tive receio que as pessoas de Chaves não gostassem...).

Chávez tem conseguido impor algumas medidades de igualdades de oportunidade na educação, mas, em termos de economia, o povo está igual o pior do que se encontrava antes da malfadada «Revolução Bolivariana» (eu penso que Simón Bolivar deve estar neste momento às voltas no túmulo: deu a sua vida pela liberdade para isto). Na impossibilidade de aumentar a riqueza e o poder de compra, parte-se para a expropriação, de forma a poder garantir o sustento da população que, de outra forma e por culpa do próprio Chávez, não aufere.

E assim vai Chávez, de expropriação em expropriação até a conquista total do sector privado venezuelano.

Haja petróleo!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Diz-se

«Na luta pelo poder começou a valer tudo, partidos, corporações e outros interesses económicos instalados tudo fazem para conseguirem na rua o que receiam não alcançar nos votos ou para criar um ambiente em que quem ouse elogiar uma medida governamental se sinta como uma ovelha ranhosa. Veremos nas eleições se os que optaram por esta estratégia vão obter algum benefício ou pagar bem caro a oportunidade perdida de apresentar um projecto governamental alternativo, obrigando muitos como eu a votar mais por falta de opção do que por simpatia com José Sócrates.»

in O Jumento

Devagar se vai...

Luis Afonso, in Bartoon-Maratona (Público On-line)

Euromilhões

Primeiro, a justificação era que os aumentos dos combustíveis se deviam ao aumento do crude nos mercados internacionais. Depois, com a baixa acentuada do barril de petróleo, a justificação era que a opinião pública não tinha o conhecimento correcto do funcionamento do mercado: afinal o preço do crude não é o mais importante, sendo que os preços estão condicionados ao mercado internacional de produtos refinados. Mudam-se os tempos, mudam-se as explicações...

Independentemente destas "explicações", não é possível ficar indiferente (e mesmo indignado!) com a divulgação dos resultados da Galp, que ontem anunciou um lucro de 478 milhões de euros, o que se traduz num aumento dos lucros em 14%. A indignação deve-se, acima de tudo, à explicação destes lucros: a Galp Energia «beneficiou da lentidão com que a petrolífera acertou os seus preços pelos valores internacionais nos últimos três meses do ano passado». Ou seja, «a companhia registou [durante este período] um aumento de quase 200 por cento dos seus lucros, que foi de 125 milhões neste trimestre (mais 198,8 por cento)».

Falta apenas dizer que este "bom desempenho" da petrolífera nacional já nos custou o segundo lugar do pódio no concurso europeu "A Gasolina Mais Cara da Europa", tal como foi noticiado na semana passada.

Eu por mim, continuo a não por gasolina na Galp (não que faça muita diferença, mas marca um posição).

Foi por uma unha negra!

Foram apenas uns miseráveis 72.000 km que separaram a Terra do pequeno asteróide 2009 DD45, um "calhau" com perto de 30 metros de altura que por um triz não acertou no nosso amado (e muito maltratado) planeta no passado dia 3 de Março.

"72.000 km?! Mas isso é uma distância muito grande!" Bem, eu particularmente não me posso gabar de ter uma boa pontaria, mas nunca falharia um alvo por uma distância destas. No entanto, 72.000 km é uma distancia completamente irrisória. Se atendermos que em astronomia as distâncias são comummente tratadas em anos-luz (que corresponde à distância percorrida pela luz num ano, e que é qualquer coisa perto dos 1013 km, ou seja um dez seguido de 12 zeros: nem o euromilhões dá prémios tão grandes) e, numa escala mais "pequena", em Unidades Astronómicas (que corresponde à distância entre a Terra e o Sol, apenas uns meros 150 milhões de quilómetros), é possível verificar quão irrisória é a distância de 72.000 km.

Continuando ainda com as comparações, se tivermos em conta que a Lua dista da Terra de apenas uns meros 385.000 km, vemos que o asteróide passou a praticamente um quinto desta distância. Finalmente, 72.000 km corresponde a pouco mais do dobro da distância a que se encontra um satélite geoestacionário.

Finalmente, se este asteróide tivesse atingido efectivamente a Terra, estimava-se uma destruição semelhante ao asteróide que em 1908 atingiu Tunguska (Sibéria), onde foi devastada uma área de aproximadamente 2.000 km quadrados (não deixa de ser curioso que vi um documentário sobre este assunto no canal História na semana passada).

O que mais impressiona, e preocupa!, em todo este caso é que este asteróide apenas foi detectado no sábado passado!

Para os mais curiosos, pode ser consultada uma animação muito interessante aqui.

Entretanto, será conveniente pôr o Bruce Willis em alerta, pelo sim, pelo não.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Diz-se

«A rudeza do combate já se adivinha. Como ele não falou para o exterior, como nada disse depois de muito falar, como demonstrou um silencioso desprezo pelos males gerais da sociedade - este político medíocre, que tem alta ideia de si próprio, retoma-a, para uma plateia de ombros caídos e lugubremente submissa. Porém, aquela plateia não é o País, nem sequer expressiva do PS. Tenham lá paciência e haja Freud!»

Baptista-Bastos, in DN