quinta-feira, 26 de março de 2009

Diz-se

«Este incidente tão mediatizado revelou dois interessantes aspectos da forma mentis deste tempo em que vivemos. A primeira tem a ver com o comportamento dos que não têm fé, e por isso não acreditam em nada do que estou aqui a escrever. Dúvida que me surge: se não acreditam porque é que se incomodam tanto com o que o Papa diz? Será porque, como alguns vaticinam, as religiões poderão substituir, no século XXI, as ideologias? E isso é, só por si, ameaçador? E quem deu cabo das ideologias? Foram as religiões? Não me parece. A segunda tem a ver com a religião à la carte, adoptada pelos que acreditam mas não concordam, e querem uma religião à medida das concessões que foram fazendo ao longo da sua vida e, de acordo com cada circunstância concreta, uma ementa de interpretações onde caiba tudo e eles próprios.»

Maria José Nogueira Pinto, in DN

Comentário: Estas palavras de Maria José Nogueira Pinto não passam de "retórica da rolha": o Papa falou e, ao abrigo da infabilidade papal, não há discussão possível. Não me incluo em nenhum dos grupos descritos e, no entanto, não posso deixar de discordar da ultra-ortodoxia professada por este papa que tem conseguido afastar a Igreja da sociedade civil. Não, não se trata de religião à la carte, mas antes o repúdio por uma Igreja que se movimenta por meros interesses pessoais e mundanos, que nada tem a ver religião na verdadeira acepção da palavra.

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