segunda-feira, 30 de março de 2009

Diz-se

«A pontualidade não é uma das virtudes teologais e, apesar de tudo, não estará entre as qualidades mais importantes exigíveis a um primeiro-ministro. Mas ter 1500 pessoas (a quem fora exigida pontualidade) à espera do início de um espectáculo que não começaria sem terem chegado os convidados de honra e, mesmo assim, os convidados chegarem meia hora atrasados, como aconteceu na estreia da ópera "Crioulo" no CCB, talvez não seja apenas uma questão de pontualidade mas de cidadania. Até isso, porém, seria um "fait-divers" negligenciável, que só terá tido o efeito que teve nos media - e, se calhar, nas ruidosas vaias do Grande Auditório - devido ao inusitado clima de hostilidade, por razões que já têm menos que ver com a política do que com a sociologia, existente em torno da figura do primeiro-ministro, que faz com que a mínima faúlha incendeie a pradaria da contestação. Insólito é o que sucedeu depois, e isso, sim, é notícia: um assessor de Sócrates a atirar as culpas do atraso para… o primeiro-ministro de Cabo Verde. Isso já não é só uma questão de chá, é um desastre institucional e diplomático.»

Manuel António Pina, in JN

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