sábado, 14 de março de 2009

O julgamento público

Confesso que sou incapaz de imaginar o que o pai da infeliz criança que faleceu em Aveiro, esquecida no interior da viatura, deve estar a passar neste momento. Para além do inevitável julgamento pela justiça e o ainda mais inevitável julgamento pela opinião pública, o julgamento pela sua consciência é capaz de ser o mais penalizador.

Não consigo imaginar como se deve sentir um pai que vê um filho morrer por sua causa. Como se este castigo não bastasse. ainda tem que ser julgado por isso mesmo. Não, não quero dizer que não deva ser julgado. A justiça, tal como sempre deveria ser, tem que ser cumprida. Eu pretendo apenas procurar entender o drama e a angústia que esta família deve estar a sentir: um filho morre e o pai, por causa disso, pode ainda encarcerado por cinco anos.

Naturalmente que não faltará quem desate a atirar pedras. Eu já vi um psicólogo (na TVI, claro!) a dizer que isto é foi um comportamento de alguém que não está preparado para ser pai. Sem conhecer a pessoa, sem compreender o porquê que está por detrás da negligência fatal, o público parte para a crítica primária. Afinal, nós somos sempre melhores que os outros.

Deixem esta família em paz. Já têm sofrimento mais do que suficiente e não precisam da ajuda de ninguém para tornar a situação pior.

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