sexta-feira, 24 de abril de 2009

E Depois do Adeus

Diz-se

«(...)as ruas encheram-se de gente gritando: "Liberdade! Liberdade!". A Polícia ainda carregou sobre os primeiros manifestantes, mas já era tarde: tínhamos perdido o medo.»

Manuel António Pina, in JN

Diz-se

«O problema é que, fora do calendário eleitoral, os partidos, sobretudo os do arco do poder, tendem a fugir a uma matéria tantas vezes associada ao financiamento partidário. Seria bom, depois de a poeira eleitoral assentar, que PS e PSD tomassem o combate à corrupção como prioridade.»

Editorial, DN

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Heil, Mein Führer!

Mário Soares: apoio de Sócrates a Durão Barroso é "nacionalismo no pior sentido da palavra"

Eu também entendo que Durão Barroso não terá sido feliz de todo ao "alinhar" com a malfadada cimeira das Lages, mas recorrer unicamente a esse argumento para justificar como errado o apoio de Sócrates (e de Brown, e de Zapatero, ...) ao actual Presidente da Comissão Europeia já começa a ser bastante redutor. Lamentável é que as "palas" políticas e ideológicas não permitam a Mário Soares ver nada de bom para além da esquerda que tanto defende.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Brincadeira?

Ele está a brincar, não está?

«A aposta em Vital Moreira é na qualidade política e na elevação do debate político. O PS é o único partido que foi buscar um cabeça de lista independente, o que valoriza muito uma candidatura»

Jose Sócrates

Em relação a tão aclamada "elevação do debate político" viu-se logo nas primeiras declarações de Vital Moreira a respeito da apresentação da candidatura de Paulo Rangel.

Em relação a virtuosa "independência partidária", só se esta se refere ao facto de Moreira não ser filiado ao PS porque quanto ao resto...

Mau serviço

Vital Moreira acabou por desempenhar um mau serviço à democracia, ao mesmo tempo que, e a exemplo do que se tem verificado nos últimos anos em todos os partidos políticos, colocou a Europa na prateleira dos assuntos menos importantes.

Normalmente as eleições para o Parlamento Europeu são transformadas em "cartões de arbitragem", com os partidos da oposição a exigir do eleitorado um cartão amarelo ou vermelho pela inépcia que o partido no poder tem demonstrado. Europa? Ah! Esse é um assunto menor. Era o que faltava: lá porque estamos inseridos na União Europeia não somos obrigados a ter que discutir projectos comunitários.

O resultado é o que se vê: as Eleições Europeias são aquelas que menos interesse desperta no eleitorado, ficando-se os resultados sempre em meios cartões.

Apesar de não apreciar o discurso de Vital Moreira, um defensor inquestionável de tudo o que este governo tem feito, esperava sempre alguma elevação no discurso político, mais não seja pelas posições que tem vindo a tomar nos seus textos relativamente às questões europeias. Por sinal, e em jeito de aparte, penso que hoje é lançado o livro "Nós, Europeus", onde Moreira compilou todas as suas crónicas associadas ao projecto europeu.

Ontem o PSD - finalmente! - apresentou o seu cabeça de lista para as eleições do Parlamento Europeu. Paulo Rangel, na minha opinião uma escolha já rebuscada no fundo do tacho, durante a sua apresentação, e como seria de esperar, dirigiu a "artilheria" contra o candidato socialista. Como responde Vital Moreira? Da pior maneira, dizendo que tudo isto não passa de uma "excitação juvenil", como se as opiniões e críticas apenas fossem válidas a partir de uma certa idade. Ou seja, Vital Moreira começou a campanha eleitoral de uma forma completamente redutora e desprestigiante, deixando de lado a discussão séria.

Estamos, pois, na antecâmara de mais uma campanha eleitoral europeia vazia de discussão e de ideias, com ameaças de cartões ao poder instalado, e na qual daremos pela Europa quando lermos o boletim de voto.

"Disparate senil"

Penso que está visto o timbre que vai ser seguido nas próximas eleições europeias: em vez de discutirmos a Europa e os seus problemas e projectos, teremos uma discussão centrada na idade dos candidatos, muito esclarecedor para o eleitorado portanto.

Isto ficou claro depois deste "disparate senil" do candidato socialista ao Parlamento Europeu (a contrapor com a expressão "excitação juvenil, claro!).

Discos Pedidos

E agora, a pedido de muitas famílias, aqui fica "Sem eira nem beira", dedicado a todos os membros do nosso governo:

terça-feira, 14 de abril de 2009

Falta de soluções?

Para o tempo que se demorou a escolher o cabeça de lista do PSD para o Parlamento Europeu, não consigo de deixar de pensar que esta é uma solução de última linha.

terça-feira, 7 de abril de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Muito estranho...

Ainda não ouvi o PCP a manifestar-se acerca do lançamento do "satélite" norte-coreano. Alguém viu por aí o Bernardino Soares?

Já agora....

....alguém me sabe dizer qual é o cabeça de lista que o PSD vai apresentar ao Parlamento Europeu?

domingo, 5 de abril de 2009

Trata-se de uma questão simples

É tão simples como isto: se não há nada a esconder, então é deixar ir o ministro à Assembleia da República. A opinião pública já está excessivamente envenenada e o que faltava agora era criar mais um tabu neste malfadado caso Freeport.

Under Pressure

Há pressão, não há pressão, os magistrados foram pressionados, não foram pressionados, o primeiro-ministro mandou pressionar, não mandou pressionar, Alberto Costa pressionado por eventualmente ter mandado pressionaristo está bonito, está!

O certo é que a opinião pública tem estado sob pressão, tudo devido a estas suspeitas de terem havido pressões no nosso sistema judicial. Assim, e porque hoje é domingo, fica aqui um clássico da música pop-rock para descontrair… Entretanto, continuamos a não saber nada do Presidente da República, a não ser, claro está, a sua preocupação contínua sobre o estatuto político-administrativo dos Açores (Atenção! Isto não é nenhuma pressão sobre o Presidente da República, alto Magistrado da Nação!!)

sábado, 4 de abril de 2009

Diz-se

«Depois é o espectáculo triste a que todos os dias assistimos na comunicação social, é raro o telejornal que não noticia mais um falhanço nas salas dos tribunais, o Pinto da Costa, a Fátima Felgueiras, o Ferreira Torres, todos saem dos tribunais a gozar com os magistrados do Ministério Público. Mas estes continuam armados em sacerdotes intocáveis e acima de qualquer instituição enquanto o povo, vítima da sua incompetência, descrê numa democracia incapaz de julgar alguém, de separar o trigo do joio da sua classe política.

É tempo de avaliar o Ministério Público, de conferir se é assim tão independente dos partidos como é suposto, se cumpre as regras que lhe cabe velar, se as suas investigações servem para condenar nos tribunais ou na praça pública com recurso a processos difamatórios. Já que estamos em Abril seria interessante fazer um balanço deste Ministério Público na perspectiva do funcionamento da democracia.»

in O Jumento

Diz-se

«José Sócrates processou João Miguel Tavares por um artigo escrito a 3 de Março no DN e o nosso colunista, ex-jornalista da casa, já foi ouvido. Um mês bastou! Bem sei que os processos por eventual abuso de liberdade de imprensa costumam andar um pouco mais rápido do que os outros, mas deixo a nota: a Justiça, quando quer, pode ser célere. Assim fosse sempre e não haveria processos esquecidos, durante tantos anos, nas prateleiras dos tribunais…»

João Marcelino, in DN

Mas alguém percebe isto?

Então nestes últimos dias esteve-se a apregoar que não senhor, não tem havido pressões sobre os magistrados que estão a fazer investigações no âmbito do caso Freeport, e agora o Conselho Superior do Ministério Público, por unanimidade, decide «instaurar um inquérito para apurar a eventual existência de pressões aos dois dois procuradores titulares do processo Freeport»?

Se não houve pressões, para quê o inquérito?

Se não havia certezas, porque as afirmações a garantir que não houve pressões?

Para quando alguém que se preste a esclarecer tudo isto?

E o Presidente da República? Onde pára?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Diz-se

«Neste país ninguém tem coragem de acabar as frases. Fui pressionado, fui roubado, recebi um telefonema, recebi um e-mail, gravei um DVD. Uns refugiam-se no sistema para sacudir responsabilidades das más figuras, outros sacodem o complemento indirecto da frase»

Miguel Marujo, in Cibertúlia

A física da bola

«É normal que as decisões futebol sejam contestadas. O que já não é tão normal é o facto de o Porto invocar as leis da física e até o nome de Newton em sua defesa, mostrando um grau de cultura científica que não é vulgar nos clubes portugueses. Apesar de ser físico, não me pronuncio, até porque o lance não é fácil de avaliar. Mas, para que os leitores possam avaliar por si mesmos, deixo, em cima, tiradas do "You Tube", imagens do lance do penalty que foi assinalado pelo árbitro e, em baixo, o extracto do comunicado do Futebol Clube do Porto. Será que a Comissão Disciplinar conseguiu "reinventar mesmo as leis da Física", como afirma o comunicado?»

Carlos Fiolhais, in De Rerun Natura

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eufemismos

«Se há aspectos do Código de Trabalho que estão pouco clarificados, o Governo está disponível para clarificá-los.»

Como se não bastasse falar no condicional, as falhas no Código do Trabalho são referidas como "aspectos pouco clarificados".

Diz-se

«De facto, como dizia William Shakespeare, "há algo de podre no reino da Dinamarca". Em Portugal, há diversas suspeitas de corrupção a serem investigadas. O País discute se o primeiro-ministro esteve ou não envolvido no processo de licenciamento do Freeport e se daí retirou vantagem pessoal ou patrimonial. Tudo perda de tempo. Depois verificamos que, quando alguém é apanhado, julgado e condenado pelo crime de corrupção, acaba premiado, como aconteceu com Domingos Névoa. Mesmo que um julgamento destes seja uma agulha num palheiro.»

Editorial do DN

Repudiar

Nunca o verbo "repudiar" teve tanta utilização como agora:

«O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, repudiou hoje a existência de "suspeições totalmente infundadas" sobre pressões exercidas pelo Governo junto dos magistrados que estão a investigar o processo Freeport.»

«"Repudio completamente todo esse tipo de informações e insinuações. Alguém está a brincar com coisas sérias", acrescentou [Lopes da Mota].»

«Estou indignado e repudio energicamente qualquer tipo de insinuação que vise pôr em xeque o meu trabalho.»

«Uma hora depois da divulgação da notícia [da divulgação do DVD], cerca das 21:00 de sexta-feira, o gabinete do primeiro-ministro emitiu um comunicado em que repudiou "com veemência" todas "as referências" que o envolvem, "directa ou indirectamente".»

«Caso Freeport: José Sócrates volta a repudiar notícias "difamatórias" contra si.»

Trabalhadores atirados para o vazio

Sem o mesmo relevo que o caso Freeport ou o julgamento de Isaltino Morais, trata-se, na minha opinião, de uma notícia que manifestamente se traduz num assunto de maior gravidade para o "comum dos mortais".

Enquanto somos "envenenados" com notícias em catadupa que envolvem a honorabilidade de determinadas pessoas, assuntos que nos tocam mais directamente passam desapercebidos e sem que se vislumbre a verdadeira extensão dos problemas que nos podem trazer.

Tudo isto a respeito da Lei do Trabalho que o PS fez passar na Assembleia da República, cuja discussão e votação teve uma duração perto do record mundial dos 100 metros planos, tal foi a pressa que tinha o partido que sustenta o poder.

Agora começa a descobrir-se que esta lei está cheia de buracos e armadilhas. O trabalhador vê-se desprotegido por causa de uma lei cheia de lacunas e omissões e nada pode fazer porque "é a lei".

Por um lado houve um partido que elaborou um texto com má qualidade. Esse mesmo partido impôs a seguir tempos reduzidos para a sua apreciação o que não permitiu alegadamente verificar a existência de tais falhas; esta lei "sobe" ao Presidente da República que promulga o documento e agora, com este documento transformado em palavra de lei, verifica-se que funciona mal.

Como pode a classe política pretender ver dignificado o seu trabalho que, queiramos ou não, tem uma grande importância, se passa a vida a dar tiros nos pés? Como se pode confiar no trabalho dos deputados quando, numa lei com a importância como é a Lei do Trabalho, se verifica que o trabalhador passou a estar mais desprotegido, não por decisões políticas - essas não estão a ser consideradas aqui -, mas porque o documento é tecnicamente mau?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Frase do dia

«Por que é que a palavra de 30 inspectores da PJ vale mais do que a palavra de uma coordenadora?»

Advogada de defesa da antiga inspectora coordenadora da PJ, Ana Paula da Costa Matos, ao revelar que iria recorrer da sentença de sete anos e meio de prisão por quatro crimes de peculato.

Diz-se

«No presente, nem Portas nem sobretudo Ferreira Leite pegam nessa bandeira. Para a líder do PSD, o tema era uma excelente oportunidade para criticar o Governo, falar ao coração do centro-direita e ao mesmo tempo solidificar a sua imagem de autoridade. Não o fez e apenas podemos especular porquê. Será que o PSD não considera grave o aumento do crime? Será que o PSD não vê aí uma possibilidade de ganhar votos? Ou será que o PSD é demasiado 'elitista e liberal' para sujar as mãos com discursos 'populistas'? Não faço ideia. A minha única conclusão é que o grande partido do centro-direita português, que aspira a ganhar as eleições, não levanta essa bandeira. Enquanto no país cresce o ‘killer instinct’ real, no PSD morre o ‘killer instinct’ político.»

Domingos Amaral, in Correio da Manhã

Diz-se

«A memória é de geometria infinitamente variável e, sempre que os propósitos não se compadecem com escrúpulos, como acontece na guerra, a História pode ser escrita, reescrita e apagada à medida das conveniências. Foi assim que a Orquestra Juvenil Palestiniana "Cordas de Liberdade" (bonito nome…) foi agora dissolvida pelas autoridades de Jenin, na Cisjordânia, por ter tocado para um grupo de sobreviventes do Holocausto.»

Manuel António Pina, in JN

Diz-se

«Muita violação de segredo de justiça, muitas sentenças incompreendidas, muitas demoras inexplicáveis, muitos sinais - porventura errados - de subserviência a outros poderes retiraram à Justiça marcas que em tempo de crise seriam de grande utilidade para garantir a saúde do regime democrático. A isto se juntou o facto de alguns políticos utilizarem a Justiça num combate que deveria ser apenas político. E tudo contribuiu para que não haja decisão que não seja contestável ou tida por dúbia. E isso só interessa aos criminosos e aos habilidosos, que mesmo condenados podem sempre continuar a gritar a sua inocência, podem sempre lançar a dúvida que vai diminuindo a Justiça aos nossos olhos.»

João Leite Pereira, in JN

Diz-se

«A imagem da justiça em Portugal não pára de piorar. Se as trocas de acusações públicas dentro da instituição que lidera a investigação apontam para uma falta de sintonia pouco tranquilizadora para os cidadãos, estas graves suspeitas são mais uma machadada na sua credibilidade.»

Editorial do DN