quarta-feira, 15 de abril de 2009

Mau serviço

Vital Moreira acabou por desempenhar um mau serviço à democracia, ao mesmo tempo que, e a exemplo do que se tem verificado nos últimos anos em todos os partidos políticos, colocou a Europa na prateleira dos assuntos menos importantes.

Normalmente as eleições para o Parlamento Europeu são transformadas em "cartões de arbitragem", com os partidos da oposição a exigir do eleitorado um cartão amarelo ou vermelho pela inépcia que o partido no poder tem demonstrado. Europa? Ah! Esse é um assunto menor. Era o que faltava: lá porque estamos inseridos na União Europeia não somos obrigados a ter que discutir projectos comunitários.

O resultado é o que se vê: as Eleições Europeias são aquelas que menos interesse desperta no eleitorado, ficando-se os resultados sempre em meios cartões.

Apesar de não apreciar o discurso de Vital Moreira, um defensor inquestionável de tudo o que este governo tem feito, esperava sempre alguma elevação no discurso político, mais não seja pelas posições que tem vindo a tomar nos seus textos relativamente às questões europeias. Por sinal, e em jeito de aparte, penso que hoje é lançado o livro "Nós, Europeus", onde Moreira compilou todas as suas crónicas associadas ao projecto europeu.

Ontem o PSD - finalmente! - apresentou o seu cabeça de lista para as eleições do Parlamento Europeu. Paulo Rangel, na minha opinião uma escolha já rebuscada no fundo do tacho, durante a sua apresentação, e como seria de esperar, dirigiu a "artilheria" contra o candidato socialista. Como responde Vital Moreira? Da pior maneira, dizendo que tudo isto não passa de uma "excitação juvenil", como se as opiniões e críticas apenas fossem válidas a partir de uma certa idade. Ou seja, Vital Moreira começou a campanha eleitoral de uma forma completamente redutora e desprestigiante, deixando de lado a discussão séria.

Estamos, pois, na antecâmara de mais uma campanha eleitoral europeia vazia de discussão e de ideias, com ameaças de cartões ao poder instalado, e na qual daremos pela Europa quando lermos o boletim de voto.

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