sábado, 31 de março de 2007

Oh! Xôr Engenhêro! (3)

Na SIC foi divulgado que o gabinete do Primeiro-Ministro emitiu uma declaração em que se diz que os problemas vividos na Universidade Independente estão a ser aproveitados para fazer ataques políticos a José Sócrates, no assunto que diz respeito ao grau académico (diz que) obtido nessa Universidade.

Esta nota deve-se à notícia da primeira página do Expresso de hoje onde se podia ler que a "UnI emitiu diploma de Sócrates num domingo", e ainda que "Independente envolve primeiro-ministro na confusão e mostra documentos incongruentes".

Se bem me lembro a grande bronca da Universidade Independente rebentou DEPOIS da notícia do Público onde era questionada a forma como o nosso "Primeiro" obteve o seu diploma nesta universidade privada, sendo a investigação do Expresso um trabalho jornalístico posterior. Não posso deixar de lembrar que o Director-Adjunto do Expresso, aquando as notícias no jornal Público, escreveu um artigo de opinião onde pôs em causa o artigo do Público.

O que na realidade está a acontecer é que a notícia do Público já tinha quase sido esquecida pela opinião pública, e este "reavivar" pelo Expresso caiu mal no gabinete de José Sócrates. A confusão da UnI está é a ser agora aproveitado para justificar as notícias que agora estão acontecer, tentando assim descredibilizar estas notícias.

José Sócrates, na figura de Primeiro Ministro, não pode ter a pairar por cima dele este tipo de nuvens de desconfiança, mas não é com manobras de descredibilização contra os jornais, atirando para o ar a clássica desculpa de "aproveitamento político", que irá conseguir esclarecer a sua posição.

Como eu já tive oportunidade de escrever: Como se pode dar crédito a uma pessoa que tanto exige dos portugueses, que impõe tantos sacrifícios aos portugueses, quando ela própria preferiu enveredar pelo caminho do "facilitismo" para poder alcançar os seus próprios objectivos?

sexta-feira, 30 de março de 2007

Exército falha os alvos e diz que a culpa é dos alvos

Bem, visto isto será conveniente perguntar ao inimigo se os aviões estão dentro do prazo de validade para garantir que a nossa defesa antiaérea consegue fixar os alvos em caso de ataque...

Exército faz treino com mísseis terra-ar e não acerta num único alvo (DN online)

quinta-feira, 29 de março de 2007

"Será que quis dizer: Algarve" (3)


A já infame marca "Allgarve", ridícula quanto baste, não deixa de ser uma prova da máxima incompetência que grassa no Ministério da Economia.

Não se consegue perceber como é possível que se pretenda projectar uma marca turística deturpando o nome de uma região.

Não se consegue perceber ainda como se avança com uma designação dita comercial sem ter o cuidado de observar se esta já não estará registada: afinal a marca Allgarve já existe!

Ainda por cima, e atendendo ao facto de que a internet é um dos actuais meios de divulgação, não se tem o cuidado de verificar se há domínio disponível com o nome pretendido. Ok, é verdade, não é um .pt ou um .com. O domínio registado, com mais de dois anos, é o www.allgarve.biz.

Mais grave do que isso é o Ministério da Economia pagar por um plano de marketing que propõe uma designação comercial que já existe! Sem falar na desvirtuação do nome da região do Algarve, essa sem qualquer tipo de quantificação monetária.

Assim é gerido o dinheiro por Manuel Pinho...

quarta-feira, 28 de março de 2007

"Incumbir o Ministro..."

Hoje foi publicado em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros n.º 50/2007 onde são aprovadas as medidas de implementação e promoção da Estratégia Nacional para a Energia.

No ponto 2 desta Resolução pode ler-se:

"Incumbir o Ministro da Economia e da Inovação da prossecução das acções necessárias para a concretização das orientações constantes da presente resolução, sem prejuízo da necessária articulação com os demais ministros competentes em razão da matéria"

Do que se tem visto ao Ministro Manuel Pinho, a única parte que me preocupa desta resolução é precisamente aquela que diz "Incumbir ao Ministro da Economia e Inovação...".

"Nem sempre as sociedades evoluem para melhor"

É com a frase que dá título a este post que encerra o primeiro episódio da série documental "Portugal - Um retrato social", da autoria do Prof. António Barreto e que estreou ontem na RTP1.

Desde o dia em que esta série documental foi anunciada que fiquei literalmente à espera da sua estreia. Pelo que entendi trata-se de um trabalho de investigação e de campo que pretende dar a conhecer como é que a sociedade portuguesa evoluiu - para melhor ou para pior - nestes últimos quarenta, cinquenta anos.

Trata-se de uma série de sete episódios que pretendem analisar as várias vertentes da nossa sociedade, tendo este primeiro episódio analisado evolução das nossas condições de vida, a maneira como nascemos e como vivemos, a maneira como o conceito de "família" evoluiu neste último meio século.

Apesar de nesta série não se pretender adjectivar a forma como a nossa sociedade evoluiu, não deixa de ser paradigmática a frase com que este primeiro episódio encerrou. Parafraseando ainda esta série, a nossa sociedade preocupa-se mais com aqueles que trabalham do que com aqueles que já contribuíram com ela.

Os assuntos abordados evoluíram quase naturalmente, e de forma bem conduzida. A maternidade assistida medicamente dos nossos dias e as "parteiras" das aldeias há anos atrás; a diminuição considerável da mortalidade infantil; a alimentação; o conceito de família nuclear e as formas actuais de agregados familiares mais desconcentradas e menos clássicas; mas a parte final do programa pôs o dedo numa das feridas da nossa sociedade actual: a maneira como a terceira idade é tratada. A solidão, os centros de dia, os lares. A maneira como os mais velhos, antes integrados na família, mais próximos dos netos e mesmo dos bisnetos, agora são vistos como um fardo no actual modelo de sociedade. Agora ambos os membros do casal trabalham, os filhos estudam, a família encontra-se geralmente todo o dia fora de casa. A dependência dos mais velhos é por isso uma complicação para esta vida que agora se leva a correr fora de casa.

Este assunto foi calcado e recalcado, ocupando uma grande parte final deste episódio, evidenciando claramente que este é um problema sério e que corresponde a uma evolução negativa da nossa sociedade.

Se assim não fosse não vejo outra justificação para terminar dizendo que "Nem sempre as sociedades evoluem para melhor".

domingo, 25 de março de 2007

Ainda mandaram o Vam Damme...

...para "eliminar" o Cristiano Ronaldo, mas já não foram a tempo de evitar a goleada.

Portugal brinda Bélgica com golos e espectáculo
(DN online)

sexta-feira, 23 de março de 2007

"La Catedral del Mar"

No verão passado passei por terras espanholas e lá adquiri um exemplar do romance "La Catedral de Mar", de Idelfonso Falcones. Na altura este livro já ia na sua 16ª edição e era um autêntico campeão de vendas. Para um estreante, foi uma entrada de rompante no circuito dos best-sellers.

Só agora é que "peguei" neste livro e li-o literalmente de um só fôlego. São seiscentas páginas que passam quase sem nos apercebermos disso e que valem bem a pena.

Este romance decorre na Idade Média, mais precisamente no século XIV, e conta a vida de Arnau Estanyol, cuja vida gira em torno da construção da Catedral de Santa Maria do Mar, em Barcelona, um templo construído pelo povo e para o povo, expoente máximo do gótico catalão.

O pai, que servia um senhor feudal, foge com Arnau Estanyol para Barcelona. Sem mãe, acaba por encontrar o carinho na imagem da Nossa Senhora do Mar, numa altura em que se iniciavam as obras da Catedral. De um simples estivador (um bastaix) a representante máximo da Câmara do Comércio de Barcelona, integrando também a nobreza espanhola, Arnau vê-se envolvido nos momentos mais marcantes da história da cidade de Barcelona.

Este livro foi publicado em português pela Bertrand com o título "A Catedral do Mar", e, contrariamente ao seu fenómeno de vendas verificado em Espanha, ele passou completamente ao lado do mercado nacional. Não deixa, no entanto, de ser um excelente livro que recomendo vivamente.

A não perder.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Oh! Xôr Engenhêro! (2)

A questão de fundo não é o facto de o nosso "Primeiro" ser ou não ser Engenheiro. Vivemos numa sociedade que vive preocupada com estes epítetos profissionais, que em nada reflectem a verdadeira competência da pessoa.

Mais importante é a credibilidade da figura máxima do nosso governo.

Como se pode dar crédito a uma pessoa que tanto exige dos portugueses, que impõe tantos sacrifícios aos portugueses, quando ela própria preferiu enveredar pelo caminho do "facilitismo" para poder alcançar os seus próprios objectivos?

Oh! Xôr Engenhêro!

Ainda na edição impressa do jornal Público de hoje (destacado da minha responsabilidade):

Contradições sobre a frequência e avaliação de quatro cadeiras

Disciplinas da licenciatura na UnI terão estado a cargo de reitor e de director do departamento de Engenharia Civil, antigo adjunto do ex-secretário de Estado Armando Vara

As cadeiras dos 3.º e 5.º anos que permitiram que José Sócrates terminasse a licenciatura na Universidade Independente (UnI) foram concluídas numa altura em que o curso só tinha dois anos de existência.

Contactado pelo PÚBLICO, o director naquele período da Faculdade de Ciências e Tecnologias da UnI, e actual vice-reitor, Eurico Calado, garante que essas disciplinas "não estavam a funcionar em 1995/96. O primeiro-ministro nega, afirmando ter frequentado "algumas das aulas e passado às cadeiras". De acordo com Sócrates, as quatro disciplinas em causa haviam sido antecipadas face ao plano normal de curso para alguns alunos que vinham de outras instituições, ao abrigo de processos de transferência.


No certificado de habilitações assinado pelo reitor Luís Arouca e pela chefe de serviços administrativos, Mafalda Arouca (filha do reitor), é referido que em 1995/1996, em regime nocturno, José Sócrates completou cinco cadeiras: Inglês Técnico do 1.º ano, Análise de Estruturas e Betão Armado e Pré-Esforçado do 3.º ano, Projecto e Dissertação e Estruturas Especiais do 5.º ano. As notas nestas disciplinas variam entre os 15 e os 18 valores (numa escala de 0 a 20).

Em 95/96, Sócrates integrava o Governo e, no seu processo, há correspondência com o timbre do Ministério do Ambiente.

Quanto ao pedido de equivalências (ver texto principal), Eurico Calado assegurou que este não passou pelo então director da faculdade, como era habitual. Assim, "só poderia ter sido autorizado por uma pessoa: o reitor".

Confrontado com estas dúvidas, José Sócrates remeteu esclarecimentos para o reitor, que iria indicar um dos seus docentes, naquele período, que se disponibilizaria para precisar as suas alegações. O professor em causa é António José Morais, então director do departamento de Engenharia Civil. Este responsável, que esteve ligado aos dois últimos governos do PS, afirmou ao PÚBLICO ter leccionado "várias cadeiras de estruturas" e que José Sócrates fora seu aluno. Instado a enumerar essas disciplinas, António José Morais começou por dizer não se lembrar ao certo. Depois, confrontado com as quatro cadeiras dos 3.º e 5.º anos frequentadas por José Sócrates, assumiu ter sido o docente de todas elas, incluindo a cadeira de Projecto e Dissertação. "Foram frequentadas por ele e por outros alunos. Eram uns cinco ou seis", garantiu. Mais uma vez esta resposta não coincide com a versão de Luís Arouca. Uma semana após ter sido questionado sobre os docentes de Sócrates, o reitor referiu que, para além de António José Morais, um outro professor, Fernando Guterres, dera as disciplinas práticas de estruturas, incluindo a de Projecto e Dissertação. António José Morais havia dito claramente ao PÚBLICO: "Projecto e Dissertação foi comigo."

De acordo com o Relatório de Auto-Avaliação da Universidade Independente, citado por uma comissão de avaliação externa aos cursos do Engenharia Civil, outros alunos terão completado a licenciatura em Engenharia Civil, na Universidade Independente, antes do fim natural do curso. Nesse documento (ver texto nestas páginas) verifica-se que no ano lectivo de 1997/1998 já existiam sete alunos com o curso concluído. Não se especifica quais.

Xôr Engenhêro

Há falhas no dossier de José Sócrates na Universidade Independente
(Publico online)

segunda-feira, 19 de março de 2007

"Será que quis dizer: Algarve" (2)

Ainda sobre a questão do Al(l)garve, não resisti à ideia de publicar este cartoon, da autoria de Raim, e publicado ontem no seu blog.

Como nasce um paradigma

Este é daqueles textos que de vez em quando aparecem no meu correio electrónico e está fortemente divulgado pela blogosfera. Mesmo assim acho que vale a pena partilhar :

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.

Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.

Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.

Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

" Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui... "

Não percam a oportunidade de passar esta história para os amigos, para que, de vez em quando, se questionem, como eu faço, por que fazem,ou não fazem) certas coisas!

"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO"

Albert Einstein

domingo, 18 de março de 2007

Agora perfeito, perfeito...

...era o Benfica ganhar ao Estrela da Amadora e ao Porto.

Sporting bate FC Porto por 1-0

:-)

sábado, 17 de março de 2007

"Será que quis dizer: Algarve"

O título deste post corresponde precisamente ao que o motor de busca Google apresenta na primeira linha de resultados de pesquisa quando introduzimos a expressão «Allgarve».

Decididamente o excesso de velocidade tem perturbado significativamente a lucidez do ministro Manuel Pinho. De cada vez que este ministro abre a boca somos brindados com as ideias mais disparatadas, imagem de marca a que este executivo nos tem vindo acostumar, graças a este incansável paladino do dislate.

O último «caso» verificou-se no anuncio da campanha de promoção do Algarve. Algarve?... Perdão eu quis dizer Allgarve. Assim, com dois ll.

Uma das explicações, talvez a mais alucinada, que eu ouvi da boca do ministro Manuel Pinho, a justificar este atentado contra a identidade da região do Algarve, foi que com esta aproximação ao inglês (?!) os estrangeiros terão mais facilidade em pronunciar o nome. All-Garve?!? All, ainda vá lá, percebo, mas «Garve»?!

Procurei no Longman Dictionary of Conteporary English, nos dicionários português-inglês e inglês português da Porto Editora e nos dicionários português-inglês e inglês português da Texto Editora e não vi nenhuma referência à palavra «Garve». Ainda procurei nos meus dicionários de português, (Houaiss, Porto Editora, Texto Editora) e nada!

Finalmente uma pesquisa na net. No Google. Venho descobrir que «Garve» é uma vila no norte da Escócia!!

Óbvio, não?

Atendendo a esta ideia peregrina, eu proponho que se vá mais longe, já agora que vamos vender tudo isto aos estrangeiros. Comecemos a promover as restantes cidades e regiões, alterando as suas designações para nomes mais próximos à língua do nosso mais velho aliado.

Não haja dúvida que este Manuel Pinho é uma autêntica fonte para os criativos do «Contra-Informação».

sexta-feira, 16 de março de 2007

Latim e Canto Gregoriano

"As orações mais conhecidas da tradição da Igreja deveriam ser recitadas em latim e, se possível, trechos de canto gregoriano deveriam ser cantados"

São estas as palavras que podem ser lidas na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, uma publicação de 140 páginas onde Bento XVI expressa as novas orientações da Igreja, em especial da missa.

Em poucas palavras: ortodoxia, ortodoxia, ortodoxia.

Este papa (e ressalvo que a palavra foi intencionalmente escrita em minúscula) volta a revelar a face mais conservadora e mesmo retrógrada de uma igreja que mais parece preocupada em renegar o trabalho do Papa João XXIII e do Papa João Paulo II.

Bem, é verdade que também aponta algumas correcções, mas não passam disso, no que se refere, por exemplo, aos excessos cometidos no chamado "momento da paz" durante a liturgia. Mas tirando esses pequenos apontamentos, o que encontrámos é um documento da mais pura veia conservadora da lavra de Bento XVI. E também repulsiva.

Parece mais uma preocupação com a cosmética das cerimónias do que com as pessoas, os padres, que as presidem. Nesses a Santa Sé se deveria preocupar. As acções de muitos padres têm posto em causa a fé e a autoridade na Igreja. São as políticas do Frei Tomás, as omissões, a tomada de posições mais confortáveis e convenientes ao nível pessoal de alguns sacerdotes que têm feito com que os fiéis deixem de ver os padres como representantes da palavra de Cristo. Sem questionar a importância que a celebração da liturgia representa, o papa Bento XVI parece mais preocupado com o aspecto exterior, descurando o verdadeiro miolo da Igreja.

Não é o facto da missa voltar a conter trechos em latim ou canto gregorianos que vão fazer com que os fiéis tenham mais respeito (e fé!!) na Santa Igreja. Tudo começa com o respeito pelos seus representantes, e este tem-se desvanecido cada vez mais rapidamente.

Novamente Bento XVI segue o caminho oposto de João XXIII e de João Paulo II, fechando cada vez mais a Igreja sobre si mesma e esquecendo que existe um mundo lá fora que espera por mais do que cosméticas.

Decididamente, se Bento XVI vivesse na Idade Média, seria um papa feliz.

domingo, 11 de março de 2007

Bush Go Home!

Independentemente da má política que Hugo Chávez representa – pré-ditatorial, egocêntrica e manipuladora – é preciso reconhecer-lhe a maneira como tem conseguido orquestrar a sua campanha anti-estadounidense na América Latina.

O discurso anti-imperialista tem conseguido passar, e tem permitido ao presidente da Venezuela granjear diversos apoios junto dos seus vizinhos do sul do continente americano. No entanto o mérito deste sucesso deve-se principalmente ao alvo das críticas de Hugo Chávez: George W. Bush. A desastrosa política externa da administração norte-americana tem facilitado enormemente a vida a Chávez.

O périplo de George Bush que agora está a fazer, e que passa pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México (claro que tinha que passar pelo México!), por muitas boas intenções que ele divulgue na comunicação social, não deixa de ser visto como uma mera manobra para contrariar o Hugo Chávez.

E não está a correr nada bem…

Os brasileiros não receberam o presidente norte-americano da melhor maneira. As críticas e as manifestações cresceram exponencialmente obrigando à comitiva norte-americana a um grau mínimo de exposição. A indignação aumentou quando a comunicação social noticia que “a comitiva de Bush trouxe dos Estados Unidos a água que usou e também papel higiénico”.

Se a intenção desta visita era comover os países da América do Sul, os efeitos estão a ser perversos. E Hugo Chávez agradece. Mais uma vez.

George Bush revela novamente que não sabe como lidar politicamente com os países da América Latina e não consegue admitir que ele próprio é co-autor do que actualmente lá acontece. Novamente, a política externa norte-americana volta a dar um tiro no pé, demonstrando um elevado nível de incompetência nas mãos de um presidente mais preocupado em resolver as suas crises de identidade.

Por seu lado, Chávez iniciou uma “contra-visita” junto dos vizinhos que lhe são mais próximos politicamente, começando pela Argentina, onde afirmou que “Bush é um símbolo da dominação e nós somos um grito de rebeldia contra a dominação. Eles estão a tentar enganar o nosso povo e a dividir-nos”.

Entretanto o povo venezuelano é ofuscado com estas intervenções de “peito aberto” do seu presidente, esquecendo-se dos problemas que lhe são mais próximos. Uma autêntica política de “pão e circo” que mantém a Venezuela autista dos seus verdadeiros problemas.

sábado, 10 de março de 2007

Steve Jobs Stanford Commencement Speech 2005

Não tenho o hábito de postar vídeos do YouTube, mas penso que vale a pena ouvir este discurso do Steve Jobs na cerimónia de entrega de diplomas na Universidade de Standford.


A existência de Deus

«Talvez as divindades não tenham muito mais necessidade dos seus fiéis do que os fiéis pedem milagres à divindade. O que é, no fundo, este troca não declarada que está na base de todo o sentimento religioso? Deus teria então criado o cosmos para ter a certeza da sua própria existência?»

Ernesto Ferrero, in N

sexta-feira, 9 de março de 2007

Lá acontecer, acontecem...

«Muito bem, falemos de probabilidades. Em primeiro lugar, no assunto preferido por todos: a lotaria.

As probabilidades de ganhar a Powerball
[jogo de apostas semelhante ao totoloto] são aproximadamente de 120 milhões para 1. Desde o seu início, em 1997, mais de 50 pessoas "desafiaram as probabilidades" e venceram o jackpot, transformando-se nalgumas das pessoas mais sortudas e ricas do planeta. Odeio essa gente. Mas estou a tergiversar.

Falemos agora de um outro evento com baixas probabilidades de se concretizar: a civilização ser aniquilada por um asteróide gigante em colisão com a Terra. Os astrofísicos calcularam que a probabilidade de tal acontecer num dado ano é de, aproximadamente, 1 em 1 milhão.

Dado os nossos antepassados simiescos terem vagueado pelo planeta durante mais de 7 milhões de anos, a probabilidade de um asteróide já nos ter aniquilado é, aproximadamente, de 700 por cento. Por outras palavras, já deveríamos estar todos mortos... não uma, nem duas, mas
sete vezes.

Contudo, como a maioria de vós saberá, desde que passou a haver registos da história da Humanidade, esta nunca foi aniquilada.

Onde quero eu chegar? Bem, não estou a querer dizer que vamos ser todos mortos por um asteróide. O que eu quero é que percebam uma coisa acerca dos eventos com poucas probabilidades de ser realizarem e que é o seguinte:

As merdas acontecem.»

Adam Fawer, in Improvável

quinta-feira, 8 de março de 2007

Nascimento na A14

Não foi na Figueira da Foz, porque a maternidade foi encerrada; não foi em Coimbra, porque não chegou a tempo; foi na autoestrada A14, numa ambulância dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz.

É este tipo de episódios que nos faz pensar se a política economicista do governo, que se escuda por detrás de estudos técnicos, justificam este tipo de situações. Desta vez não ocorreu nada, mas e se o parto se complicasse? e se a mãe e/ou a criança precisassem de ajuda especializada?

Saliento uma passagem da notícia que vem hoje no Público online: «O parto foi assistido pela equipa médica da ambulância dos BVFF, onde, "por acaso", seguia uma médica do INEM».

Baudolino - Umberto Eco

«O mundo condena os mentirosos que não fazem senão mentir, até sobre as coisas ínfimas, e vai premiando os poetas, que só mentem sobre as coisas grandíssimas»

Já lá vai algum tempo que não discorro nestas páginas sobre os meus "livros de cabeceira", livros que servem para complementar o meu dia-a-dia preenchido do mais diverso material técnico.

O mais recente desses livros lidos foi o "Baudolino" de Umberto Eco. Há já algum tempo que Umberto Eco me "escapava". Dele são bem conhecidos "O nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault", sendo "Baudolino" o penúltimo dos seus romances.

Esta obra situa-nos na Idade Média e relata a história de Baudolino, um camponês "fantasioso e fanfarrão", nascido em terras onde mais tarde surgirá a cidade de Alessandria, e que se tornou no filho adoptivo do imperador Frederico I, o Barbaruiva. Bem, adoptado é uma maneira de falar... na verdade foi comprado a uma família que viu uma excelente oportunidade de se desfazer de um "empecilho".

Toda a história de Baudolino é contada pelo próprio a Niceta Coniates, um historiador bizantino, que encontrou durante a captura da cidade de Constantinopla aquando da Quarta Cruzada. Numa altura em que a história do cristianismo se cruza com os seus mais diversos mitos, assistimos a descrição de uma viagem fantástica e fabulada com o objectivo de encontrar o reino de Prestes João. Uma viagem que se imersa na história das cruzadas e da expansão do cristianismo. A própria História afinal tem episódios que se justificam pela intervenção imaginativa de Baudolino, sendo inclusive descortinada a morte misteriosa do imperador Frederico.

Quem possa pensar que Umberto Eco é um autor "difícil" penso que poderá encontrar em "Baudolino" uma porta para o seu universo literário. Uma excelente leitura que recomendo.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Os inúmeros caminhos da vida

"Nós vivemos da nossa vida um fragmento tão breve. Não é da vida geral - é da nossa. É em primeiro lugar a restrita porção do que em cada elemento haveria para viver. Porque em cada um desses elementos há a intensidade com o que poderíamos viver, a profundeza, as ramificações. Nós vivemos à superfície de tudo na parte deslizante, a que é facilidade e fuga. O resto prende-se irremediavelmente ao escuro do esquecimento e distracção. Mas há sobretudo a zona incomensurável dos possíveis que não poderemos viver. Porque em cada instante, a cada opção que fazemos, a cada opção que faz o destino por nós, correspondem as inumeráveis opções que nada para nós poderá fazer. Um golpe de sorte ou de azar, o acaso de um encontro, de um lance, de uma falência ou benefício fazem-nos eliminar toda uma rede de caminhos para se percorrer um só. Em cada momento há inúmeros possíveis, favoráveis ou desfavoráveis, diante de nós. Mas é um só o que se escolheu ou nos calhou.

Assim durante a vida vão-nos ficando para trás mil soluções que se abandonaram e não poderão jamais fazer parte da nossa vida. Regresso à minha infância e entonteço com as milhentas possibilidades que se me puseram de parte. Regresso à juventude, à idade adulta, ao simples dia de ontem e a infinidade de soluções que não adoptei dava para um mundo de vidas. Foi uma só. Nela realizei, num único percurso, aquilo que constituiu o todo de uma vida humana. E todavia, nessa estreiteza de ser está o infinito de mim. Deus é a simplicidade absoluta e tem o máximo de ser. Nós conhecemos em nós esse máximo e é por isso que ao Deus o soubemos inventar."

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente IV"

sábado, 3 de março de 2007

D. Sebastião

Nesta semana fomos brindados com uma notícia que, de facto, não o era.

Paulo Portas, desiludido com o rumo do "seu" partido, avançou publicamente com a candidatura à liderança do CDS/PP. Convenhamos que isto de "notícia" não tem nada. Na noite em que Paulo Portas abandonou a presidência do CDS/PP, todo mundo ficou com a nítida sensação que este "abandono" não o seria por muito tempo. Tratou-se, sim, de um recuo estratégico, abandonando a luzes da ribalta por algum tempo, o necessário para que a memória colectiva, que por vezes é muito volátil em questões de política, esquece-se o disparate pegado que foi a sua passagem quase efémera pelo governo da nação.

Por isso este regresso não é nada surpreendente, e o mau desempenho de Ribeiro e Castro apenas serviu como pretexto para um desejo que nasceu mal anunciou o abandono do CDS/PP. Mais faz lembrar um mau argumento de um filme de suspense em que ao fim de quinze minutos já sabemos como vai terminar o filme de duas horas.

Paulo Portas acredita piamente que ele é o único líder capaz para o CDS/PP, e pelos vistos o CDS/PP crê que Paulo Portas é o D. Sebastião, ou mesmo o Messias, que procurará a salvação dum partido que está cada vez mais desbotado.

Mal vai um partido que apenas se consegue rever num único líder, esvaziando as suas potencialidades internas.

Passa-se no CDS nacional, passa-se no CDS em Vagos...