quarta-feira, 30 de maio de 2007

E o perdedor é...

Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP, foi sem dúvida o grande derrotado do dia. Foi quase humilhante a forma como ia sendo "atropelado" pelos jornalistas no directo televisivo para os noticiários das 20h00, com todos os jornalistas a pedirem um número indicador da adesão à greve geral.

Carvalho da Silva fechou-se num discurso evasivo, preenchido de exemplos sectoriais, muitas vezes sem números concretos, mas nunca, nunca apresentou um indicador global desta greve que se queria global e que não passou de um mero incómodo para algumas pessoas, sem que os serviços do estado fossem deveras afectados.

A cada investida dos jornalistas o Secretário-Geral utilizava o discurso de "as pessoas não são números", um chavão mais do que gasto pela CGTP nestes últimos dias, e que serviu hoje para justificar a ausência de números que ilustrassem a magnitude desta greve.

Das duas uma: ou não tinham de facto números, o que evidência que a CGTP não se soube organizar no dia de hoje ou, pior ainda, os números globais seriam vergonhosos para a CGTP e iriam por a nu as dificuldades que a CGTP teve para mobilizar os trabalhadores em aderirem a esta greve geral, sendo que eu acredito mais neste cenário.

Não consigo esquecer um sketch da Contra Informação onde a Dona Odete e o Cassete Jerónimo questionam a marcação de uma greve geral à quarta-feira quando, para a coisa ser bem feita, deveria ter sido numa sexta-feira.

Cada vez mais perto da ditadura

Custa ver a Venezuela cada vez mais mergulhada no mar de devaneios, autoritarismo e arbitrariedades de Hugo Chávez.

Liberdade de expressão e direito ao privado são conceitos cada vez mais ausentes num país cada vez controlado por um presidente que tudo tem feito para silenciar a oposição ao "governo bolivariano".

O último episódio foi o fim das emissões da RCTV - Radio Caracas Televisión, o canal de televisão privado mais antigo do país, e por sinal uma das vozes dissonantes no panorama político venezuelano. Este canal de televisão foi obrigado a cessar a sua transmissão devido à não renovação da concessão de emissão alegadamente por "violações da Constituição Nacional".

Foram inúmeras as reacções, nacionais e internacionais, contra esta decisão. Nos últimos dias o governo venezuelano começou a fazer acusações a outros canais de televisão - a Globovisión e a CNN - por estes estarem a incentivar a desestabilização nacional.

A Venezuela é actualmente um país que assiste ao circo montado por Hugo Chávez contra o "império norte-americano" (não que eu defenda George Bush, longe disso!!) sendo a atenção do povo venezuelano desviada dos verdadeiros problemas.

Assistimos a uma população empobrecida que se contenta com as poucas migalhas que o governo oferece e se satisfaz com as inúmeras promessas que faz.

Entretanto Hugo Chávez continua a consolidar a sua posição na cadeira presidencial da qual não tem tenções de sair. Certamente que Simón Bolivar sentiria vergonha de ver o seu nome associado a um país e a um governo que age contra os princípios que o Libertador da América Latina defendeu.

Mais um link: A Dupla Personalidade

A Dupla Personalidade é um blog da autoria de Joana Leite Silva dedicado à publicação de algumas tiras de Banda Desenhada da sua autoria. Bem, a designação "Banda Desenhada" pode ser "excessiva" se olharmos para o tipo de desenho praticado mas o facto é que estes bonecos, apesar da sua simplicidade, conseguem transmitir um elevado grau de humor, associados naturalmente a textos bastante criativos.

Um blog a ter debaixo de olho

terça-feira, 29 de maio de 2007

E a Fanfarra veio a rua

Aí está a primeira Fanfarra de Armas Montadas do Concelho de Vagos, nascida na Freguesia de Ouca a partir de uma ideia da sua Presidente de Junta, Fernanda Oliveira, e com o apoio da ARCO - Associação Recreativa e Cultural de Ouca.

Após uma cerimónia de juramento e entrega de divisas, decorrida na sexta-feira passada, a Fanfarra da ARCO solenizou musicalmente a Procissão da Festa de Primeira Comunhão e Profissão de Fé que decorreu no domingo passado em Ouca.

Fica o vídeo para ter uma ideia...


Censura?

Hoje reparei que alguns blogs vaguenses removeram o link que apontava para o Pontos Soltos.

Boicote concertado? Censura?

Não se preocupem... eu vou manter a hiperligação para os vossos blogs.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Para quem possa precisar...

Convite: Visita ao Oásis de Alcochete

Transcrevo aqui o "convite" que me foi enviado hoje e que veio através da minha caixa de correio:

«Caros Amigos,

A pedido do cómico Mário Lino - entertainer de almoços e de convívios de autarcas do Oeste - estou a organizar, para um dos próximos sábados, um passeio ao Oásis Alcochete.

A concentração está prevista para a porta do Ministério das Obras Públicas - à Sé - de onde partirá a caravana de jipes 4X4 que atravessará a Ponte Vasco da Gama com destino ao Deserto a Sul do Tejo.

A primeira paragem será na Área de Serviço da Margem Sul, onde os nossos experientes motoristas necessitam baixar a pressão dos pneus, necessária à circulação nas dunas.

O trajecto até ao Oásis, onde serão servidos carapaus assados e enguias do Tejo, poderá ser feito, por escolha e conveniência dos participantes, quer continuando na caravana de jipes ou em dromedário (uma só bossa), o que torna a aventura muito mais excitante, pois tirando os beduínos tratadores e a areia, os participantes não encontrarão: "pessoas, escolas, hospitais, hotéis, indústria ou comércio"!

Reunidos os participantes será servido o almoço, em tendas, com pratos tradicionais do Oásis Alcochete. À tarde, a seguir ao pôr-do-sol no deserto - espectáculo sempre deslumbrante - será servido um chá de menta, após o que, a caravana regressa nos jipes, com paragem na área de Serviço da Ponte Vasco da Gama, para reposição da pressão dos pneus.

ALERTA: O tempo urge. Segundo as sábias e oportunas declarações do Dr. Almeida Santos, M. I. Presidente do PS as pontes são alvos dos terroristas pois podem ser dinamitadas a qualquer momento, pelo que não se devem construir novas devemos aproveitar as que temos, enquanto estão de pé.

Conto convosco para esta inesquecível aventura ao Deserto a Sul do Tejo!

MUITA ATENÇÃO : A cada participante será exigida uma declaração por escrito onde se comprometem, durante toda a aventura, a não referir qualquer das seguintes palavras: diploma, curso, Independente, engenheiro, fax e inglês técnico.

PS - Lamento informar, mas só estão disponíveis dromedários (1 bossa). Segundo o humorista Mário Lino, os camelos andam por aí à solta...»

webílhavo?

Será que a malta do Vagos2005, ou Webvagos como há algum tempo tem surgido no cabeçalho do blog, vai mudar para Ílhavo2005 (ou Webílhavo)?

Os endereços no Blogspot com Ílhavo já está ocupado mas ílhavo2005 e webílhavo estão livres...

:-)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Mário Lino nega ter chamado deserto à margem sul

E é verdade!! Como é que os jornalistas são capazes de escrever tamanha atrocidade?!? Ele apenas disse que:

«não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas [para fazer o aeroporto na margem sul]»

daí a dizer que é um deserto... ah! e gostei muito de o ministro vincar a necessidade de «milhões de pessoas». Sim, senhor!!

Mais um link: The-iguana

Mais uma aquisição para os meus links na secção "Pontos Vaguenses", ou não fosse o autor deste blog da freguesia de Ouca.

The-iguana - Life Moments, Software Reviews, Photography and More... (xiça, que o título é longo!!) é um blog que abriu portas há bem pouco tempo e que tem por objectivo ser um espaço de comentários sobre software, fotografia e design. Ah! E life moments também.

Para quem gostar destes assuntos, é só dar um saltinho.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Ambiguidades

A respeito do professor que foi suspenso pela DREN alegadamente por piada/insulto* dirigido/insinuado* ao Primeiro Ministro pode-se ler no Blasfémias:

«Numa democracia como a nossa o Primeiro-Ministro presta contas aos eleitores. É o eleitor que é o superior hieráquico do Primeiro-Ministro. Na Função Pública é o Primeiro-Ministro que é o superior hierárquico de todos os funcionários. Pelo que o caso do professor suspenso pela DREN é curioso. O professor suspenso pela DREN é o superior hierárquico de Sócrates por ser eleitor ou é um inferior hierárquico do Sócrates por ser funcionário público?»

* Riscar o que não interessa

Causas e Efeitos

«Certos autores, quiçá por adquirida convicção ou compleição espiritual naturalmente pouco afeiçoada a indagações pacientes, aborrecem a evidência de não ser sempre linear e explícita a relação entre o que chamamos causa e o que, por vir depois, chamamos efeito. Alegam esses, e não há que negar-lhes razão, que desde que o mundo é mundo, posto ignoremos quando ele começou, nunca se viu um efeito que não tivesse a sua causa e que toda a causa, seja por predestinação ou simples acção mecânica, ocasionou e ocasionará efeitos, os quais, ponto importante, se produzem instantaneamente, ainda que o trânsito da causa ao efeito tenha escapado à percepção do observador ou só muito tempo depois venha a ser aproximadamente reconstituído. Indo mais longe, com temerário risco, sustentam os ditos autores que todas as causas hoje visíveis e reconhecíveis já produziram os seus efeitos, não tendo nós senão esperar que eles se manifestem, e também, que todos os efeitos, manifestados ou por manifestar, têm as sua inelutáveis causalidades, embora as múltiplas insuficiências de que padecemos nos tenham impedido de identificá-las em termos de com eles fazer a respectiva relação, nem sempre linear, nem sempre explícita.»

José Saramago, in "História do Cerco de Lisboa"

segunda-feira, 21 de maio de 2007

E as outras "Maddies"?

Não consigo imaginar qual será a dor dos pais que vêm desaparecer um filho, em particular quando esse desaparecimento é devido a um rapto, mais grave ainda se esse rapto for de natureza sexual. Penso que ninguém é capaz de se colocar na pele dos pais da Madeleine, desaparecida a mais de duas semanas e sem qualquer pista concreta sobre o seu paradeiro. Se não se passou pela experiência - e longe de mim estar a desejar isso a alguém! - penso que muito dificilmente alguém compreenderá o tormento de uma família que se vê atingida sentimentalmente em proporções imensuráveis.

Para além do desaparecimento desta criança, um outro facto me choca ainda mais profundamente: a forma desproporcionada em que foram tratados outros casos semelhantes ocorridos no nosso país.

Será que as autoridades portuguesas estão a tratar este caso com mais cuidado? Quero crer que não, quero acreditar que fizeram (ou ainda estão a fazer) o mesmo trabalho que têm vindo a desenvolver desde o aparecimento da Madeleine.

Mas chega a ser aberrante a forma como os média acompanham o caso.

Em outros casos semelhantes, em que crianças portuguesas desapareceram sem deixar rasto, tiveram, algumas, algum destaque na comunicação social.

Depois foi o esquecimento.

O presumível rapto da Maddie já tem mais de duas semanas e continua a ser notícia dos telejornais.

Sinceramente gostaria que todas as outras vítimas de desaparecimento tivessem tido também o "privilégio" de ver a sua imagem fortemente divulgada. Gostaria que não fossem atiradas para a prateleira das notícias menos interessantes.

E gostaria que fossem encontradas, assim como espero que também encontrem a Madeleine.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Um ano...

Há um ano comecei este espaço dizendo que "Este blog irá servir para "despejar" todas as ideias, minhas ou de terceiros, que me surjam durante o dia. Servirá para deixar uma marca sobre aquilo que leio, que ouço e que vejo durante o dia. Servirá também para expressar as minhas opiniões e os meus pontos sobre os mais diversos assuntos".

Passado um ano este espaço tem sido um pequeno reflexo daquilo a que me propus, sem qualquer tipo de obrigatoriedade cega, um pouco ao sabor daquilo que leio, ouço e falo, um pouco ao sabor dos acontecimentos, locais, nacionais ou internacionais, um pouco dentro do tempo que tenho disponível para blogar.

Uma das coisas mais gratificantes tem sido os vários contactos por e-mail das pessoas que visitam este blog, sem contar com alguns comentários que por vezes surgem aos post que escrevo, mesmo que alguns, muitos poucos, servissem apenas para a ofensa... apenas porque aqui foram também ditas algumas verdades.

A todos os que por aqui passam e a todos os que comigo contactam, quer seja por e-mail, quer seja por comentários, o meu muito obrigado. Sem vocês isto seria a mesma coisa que escrever num caderno que fica sistematicamente no fundo de uma gaveta, onde as palavras ficariam armazenadas e vazias de sentido.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Blog: Troll Urbano

Mais um blog que, na minha opinião, vale a pena visitar com alguma regularidade - Troll Urbano. Já incluído na minha lista de Outros Pontos.

Ideologias ultrapassadas

Sinceramente quando li que o papa Bento XVI criticava "certas ideologias que considerávamos ultrapassadas", julguei que se referia ao seu pontificado... afinal era uma crítica aos "governos autoritários" da América Latina.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Vagos em Acústico 2007

Aqui uma daquelas que vale a pena ver já que se trata de ver alguns nomes do nosso mercado musical num ambiente mais intimista, em que a proximidade do público com o artista dá azo a uma cumplicidade invulgar.

Começa já amanhã!

«O Vagos em Acústico nasceu em 2006, resultado da parceria de três instituições de referência do concelho, a Câmara Municipal de Vagos, o Centro de Educação e Recreio e a Rádio Vagos FM.

Depois de uma primeira edição com sucesso em concertos como Mesa e Nuno Prata, o Vagos em Acústico cresceu. Mantendo o conceito original e com um cartaz de inequívoca qualidade, o Vagos em Acústico 2007 conta mais uma vez com a Câmara Municipal de Vagos como parceira.

O principal objectivo é proporcionar na região uma série de momentos auditivos agradáveis para todo o tipo de público e dar oportunidade a novas bandas portuguesas de alargar a divulgação dos seus trabalhos.

O auditório do Centro de Educação e Recreio volta a receber o evento, relevando os conceitos acústicos e intimista do festival. Com um ambiente acolhedor e acusticamente confortável como elementos chave, este projecto lança para as noites do festival um despertar auditivo!

My Tie
12 de Maio

Os My Tie são uma banda Rock. O som que praticam aquece-nos a alma com as melodias fortes que dão corpo às palavras sentidas em cada música. Referenciam-se facilmente nomes como Coldplay, Radiohead, Bjork ou Deus. Começaram já no novo Milénio como muitas outras bandas através de Concursos como Antena 3 - Quinta dos Portugueses e no Rock in Rio. Lançaram o primeiro álbum The Prize com recursos próprios através do Blitz. Mais tarde, assinam um contrato de Publishing e Distribuição com a Som Livre e lançam o single Playback, versão do tema conhecido de Carlos Paião com o qual fazem alguns programas de televisão e rádios nacionais. Vários temas do álbum The Prize foram incluídos em Bandas Sonoras de Telenovelas como "You're alright to the world" nos Morangos com Açúcar (TVI) e "The Entrance" na New Wave(SIC). O Tema "Escape" está em Playlist na Antena 3. No Vagos em Acústico espera-se um grande concerto.


JP Simões
19 de Maio

Nasceu em Coimbra em 1970. Estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, Escrita de Argumento, Saxofone e Lingua Árabe, mas tem exercido essencialmente música nos últimos 13 anos com os Pop dell'Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati. Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou activamente como músico e actor em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra e outros, assinando pelo caminho algumas bandas sonoras para documentários. No teatro, escreveu o libreto da "Ópera do Falhado", partilhando a invenção musical com o compositor Sérgio Costa. Edições musicais previstas para 2006/2007: "1970", álbum a solo. Este ano também no Vagos em Acústico para divulgar o seu álbum de estreia.


David Fonseca
2 de Junho

Com 33 anos, David Fonseca é uma das mais carismáticas vozes da música portuguesa. Natural de Leiria, o seu nome é indissociável ao da banda a que deu voz, o grupo Silence 4. Surgido em 1998, o grupo impôs-se rapidamente como o maior fenómeno da música portuguesa dos últimos tempos. Em 2003, David Fonseca lança o seu primeiro disco a solo, "Sing Me Something New", onde explora novas facetas de compositor e intérprete: toca praticamente todos os instrumentos deste disco que estreou simultaneamente em mais de 150 rádios por todo o país. Em 2004, David participa no projecto Humanos, dando voz a temas inéditos de António Variações ao lado de Manuela Azevedo e Camané. O sucesso do disco culmina em 3 espectáculos memoráveis nos Coliseus de Lisboa e Porto e uma actuação para 40.000 pessoas no festival Sudoeste. Em 2005 chega a vez de "Our Hearts Will Beat As One". O disco atingiu o 1º lugar no top nacional logo após o seu lançamento e foi considerado pelos media como o melhor álbum pop do ano. Mais recentemente, a par dos concertos realizados em Portugal, David Fonseca foi convidado para participar na edição de 2007 do "South by Southwest", um dos mais importantes festivais de música no mundo, realizado em Austin, Texas. A sua aparição no Vagos em Acústico marcará o evento para sempre e você não pode perder estes momentos. »

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Défice Democrático?

A sua postura política poderá ser duramente questionada, a adjectivação para com os políticos e os jornalistas do continente poderá não ser a mais elegante (longe disso!!), os métodos poderão ser rotulados de censuráveis ou mesmo obscuros, mas o certo é que Alberto João Jardim arrecadou a segunda maior vitória do PSD na Madeira e infligiu ao PS a pior derrota de sempre em eleições regionais madeirenses.

Por muito que o PS tenha "barafustado" sobre as condições em que decorreu a campanha eleitoral, o certo que não deveria estar muito convicto das reclamações que apregoava nos comícios. Uma coisa é o que o seu candidato gritava aos quatro ventos, outra foi o que o PS fez junto das entidades que fiscalizam todo o processo eleitoral. Na Comissão Nacional de Eleições apenas foram registadas 26 queixas, sendo que 12 delas partiram do PS.

Esta "falta de convicção" mais rapidamente foi sentida pelo eleitorado e reflectiu-se fortemente no resultado do Partido Socialista nestas eleições: apenas pouco mais de 15% das intenções de voto, um "tombo" de 12% comparado com o anterior acto eleitoral e no qual o PS atingiu o seu maior score de sempre.

Penso que a população da Madeira foi sensível aos argumentos do novamente reeleito Presidente Regional. Este demitiu-se porque o seu programa eleitoral foi elaborado com base num cenário económico que mudou radicalmente por decisão governamental. Volta a apresentar-se (porque a lei o permite!) ao eleitorado com um novo programa eleitoral que reflecte a nova lei das finanças regionais.

Por outro lado, quer se goste ou não, trata-se de um político com obra feita. Pode não se concordar com ela mas o certo é que o povo madeirense reconheceu o desenvolvimento que Alberto João Jardim introduziu na Madeira. A oposição, por outro lado, não cativo. Foi simplesmente vista como um tiro no escuro, e na hora de colocar a cruz no boletim de voto a Madeira voltou as costas ao desconhecido e preferiu manter o rumo que o governo regional tomou desde as primeiras eleições livres no arquipélago.

Estas eleições, e o resultado alcançado pelo PSD, acabam por se traduzir num forte apoio ao Alberto João Jardim e num "protesto" contra as políticas regionais que este governo socialista tem vindo a impor. Pelo menos assim terá sido entendido na Madeira.

Défice democrático? Acreditam mesmo que nos dias que correm, com o actual acesso à informação, é possível ludibriar facilmente 65% do eleitorado? O não terá sido antes toda uma má gestão política por parte dos partidos da oposição na Madeira?

Se o PS acreditava na vitória, ou mesmo se o PS acreditasse em todas as acusações que fez durante a campanha, então porquê o seu Secretário-Geral, o (eng.) José Sócrates, nunca apareceu em campanha?

O cheiro a derrota já se sentia aqui no continente e se há uma coisa em que o nosso Primeiro Ministro é de facto bom é na gestão da sua imagem, e a última coisa que ele queria era ver-se associado a tamanha derrocada atlântica.

terça-feira, 8 de maio de 2007

"O que mais te surpreende na Humanidade?"

E ele respondeu:

"Os homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem presente nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer...

...e morrem como se nunca tivessem vivido."

Rezam algumas páginas na web que se trata de uma resposta dada pelo Dalai Lama à pergunta que figura no título deste post. Não sei se assim é, mas não deixa de ser um pensamento a ter em consideração.

Joshua Bell? Não, não o vi...

Este texto noticioso foi-me enviado hoje, mas aparentemente trata-se de uma informação que circula desde o início do mês de Abril e que de certo modo pode fazer-nos pensar sobre a sociedade que estamos a construir, ou então simplesmente terá a ver com a contextualização da situação que foi criada. Em todo caso trata-se de um assunto que gerou já alguma discussão...

«Joshua Bell no Metro - Pérolas a porcos ou falta de contexto?
Numa experiência inédita, um dos mais famosos violinistas do mundo tocou incógnito durante quase uma hora numa estação de Metro de Washington, despertando pouca ou nenhuma atenção.

Numa iniciativa do jornal Washington Post, o violinista Joshua Bell, com o seu Stradivarius de 1713 avaliado em 3,5 milhões de dólares, tocou recentemente durante 45 minutos na estação L`Enfant Plaza no centro de Washington entre as 07.15 e as 08:00.

Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall em Boston, onde os melhores lugares custam cerca de cem dólares, mas na estação de Metro foi praticamente ignorado pela esmagadora maioria das 1.097 pessoas que passaram à sua frente durante esse período de tempo. A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, pode indicar que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.

Bell, vestido de jeans e t-shirt branca e com boné de um clube de basebol local, começou por interpretar "Chaconne", de Johann Sebastian Bach, que é, na sua opinião, "não só uma das maiores peças musicais jamais compostas, mas também um dos grandes sucessos de qualquer homem na história".

Este facto, obviamente, não impressionou os utentes do Metro, porquanto só passados três minutos e meio é que alguém decidiu recompensar o violinista deitando um dólar na caixa do violino.

E só passados seis minutos, assinalou o jornal, alguém parou para escutar Joshua Bell.

"Foi uma sensação muito estranha aperceber-me de que as pessoas me estavam a ignorar", disse Bell, habituado aos aplausos dos amantes da música.

"Num concerto eu fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas na estação de Metro as minhas expectativas rapidamente diminuíram. Comecei a ficar agradecido pelo mínimo dos reconhecimentos, mesmo um simples olhar. E fiquei muito agradecido quando alguém punha um dólar na caixa e não apenas alguns trocos", acrescentou Bell.

Os resultados surpreenderam também o director nacional da Orquestra Sinfónica Nacional, Leonard Slatkin, que declarou ao jornal esperar que, em cada mil utentes, "35 ou 40 reconhecessem a qualidade e entre 75 e 100 parassem para escutar".

O próprio Post tinha adoptado medidas para o caso de a presença de Bell provocar uma acumulação de transeuntes e "engarrafamentos" na estação de Metro, preocupações que provaram ser totalmente escusadas.

Para Bell, o pior foi quando acabou de tocar "Chaconne" e "nada aconteceu".

"As pessoas, que não notaram que eu estava a tocar, também não notaram que eu tinha acabado", disse Bell, que, como prodígio do violino, está habituado desde muito jovem a enormes aplausos.

Depois de "Chaconne", Joshua Bell tocou "Ave Maria", de Franz Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce, e a indiferença foi quase que total. Apenas sete pessoas pararam por alguns poucos minutos para escutar. »

O resto do texto poderá ser consultado aqui. Existe ainda um filme no YouTube que pode ser visto aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Projecto Vocal: Café Concerto

Grandes amigos e excelentes profissionais. O Projecto Vocal vai subir ao palco do Auditório do Centro Cultural da Branca, Albergaria-a-Velha, para um Café-Concerto no próximo dia 12 de Maio, com início previsto às 21h30.

Seis vozes que enchem o ar de forma verdadeira harmoniosa e até mesmo divertida que valerá a pena ver.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

E as Assembleias de Freguesia?!

A maior Câmara Municipal do país está neste momento atolada num autêntico pântano político. Em pouco mais de uma semana o país assistiu ao apertar do cerco sobre o (ainda) actual presidente da câmara, Carmona Rodrigues, após este ter sido confirmado como arguido no processo Bragaparques.

O Bastonário da Ordem dos Advogados, numa intervenção periódica que detém na TSF, já teve o cuidado de esclarecer que "arguido" é uma figura jurídica que, em simples palavras, implica a existência de uma investigação sobre uma pessoa sobre a qual recai a suspeita de práticas ilegais. Isto não quer dizer necessariamente que tenha agido ilegalmente, podendo muito bem no final ficar demonstrado que determinada pessoa até agiu bem dentro dos limites da lei. "Arguido" e "Culpado" não são conceitos que andem de mão dada.

Mas em política as coisas não funcionam de maneira tão simples. A política é um jogo de espelhos e onde para ser mulher de César não basta sê-la.

O PSD assumiu o princípio de que detentores de cargos públicos, para uma maior clareza da vida política, não podem ter sobre eles qualquer tipo de suspeita, o mesmo é dizer que não poderão ser arguidos, isto naturalmente em casos de gestão pública (penso que a vida privada não será para aqui chamada). Foi o que aconteceu com os casos de Isaltino Morais e Valentim Loureiro nas últimas eleições autárquicas (com os amargos de boca que se conhecem) e agora com o Carmona Rodrigues.

O actual executivo lisboeta encontra-se politicamente ferido de morte, e Marques Mendes não teve outro remédio senão manter a posição que assumiu assim que tomou as rédeas do partido. Ainda perante a actual situação da câmara da capital teve que ir mais longe: demissão do presidente da câmara e convocação de eleições intercalares.

Intercalares. É aqui que começa talvez a grande confusão com os partidos da oposição.

O PS, PCP e BE pretendem desde já não apenas as eleições à Câmara Municipal mas também eleições à Assembleia Municipal de Lisboa. Este último órgão, completamente independente do executivo camarário, tem estado a funcionar perfeita e legitimamente. Então qual é o problema? Simples, o PSD detém a maioria e o PS vê aqui uma oportunidade de poder derrubar a actual Assembleia Municipal, numa espécie de tentativa de assalto ao poder.

A Assembleia Municipal, tal como a Câmara Municipal e as Assembleias de Freguesia, são órgãos eleitos normalmente no mesmo acto eleitoral. Apesar disto, são entidades completamente distintas e independentes. A queda de um deles não implica uma eleição dos outros.

Assim não o entendem os partidos mais à esquerda. Temendo a maioria actual do PSD na Assembleia Municipal, pretendem aproveitar a actual conjectura política, pouco favorável ao PSD em Lisboa, para poder conquistar também este órgão. Argumentam que um outro executivo que não seja do PSD terá dificuldades de governar, uma vez que é pela Assembleia Municipal que passa a aprovação dos Plano de Actividades e Orçamento todos os anos.

E então como é que a Câmara conseguiu funcionar no mandato anterior?

Se vamos por esta ordem de ideias então teremos que avançar já com eleições intercalares nas Assembleias de Freguesia, afinal os presidentes das Juntas de Freguesia têm lugar por inerência na Assembleia Municipal, mergulhando assim a capital em dois anos de autêntico clima de pré-campanha. É preciso não esquecer que as eleições intercalares não correspondem a um acto eleitoral antecipado: dentro de os lisboetas serão chamados novamente para eleger um presidente da Câmara, havendo ou não agora eleições.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Civilização e Cultura

«Uma mesa cheia de feijões.

O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão.

O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.

Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.


O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.

O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.

É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização.

A civilização é um fenómeno colectivo.

A cultura é um fenómeno individual.

Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.»

Almada Negreiros, in 'Ensaios'

A propósito da II Semana Cultural de Vagos...

terça-feira, 1 de maio de 2007

"Más notícias para as abelhas"

Bandeira, in Diário de Notícias (2007.04.30)

Para quem está mais desligado da temática sobre campos electromagnéticos e interacção com seres vivos basta dar uma espreitadela a esta notícia.