sexta-feira, 25 de abril de 2008

Só Neste País

«Portugal é nosso p'ro bem e p'ro mal»

Sérgio Godinho

Liberdade

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

Sérgio Godinho

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Um dia a casa vem abaixo

Até parece uma parábola sobre a justiça portuguesa:

Tribunal de Santa Maria da Feira está em risco de derrocada

Actualização: Lamentavelmente, como parece ser em quase tudo neste país, apenas as decisões são tomadas quando se chega a situações in extremis

(imagem obtida aqui)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O que é isso das "bases"?

Por vezes "m'espanto" com o que Pacheco Pereira tem vindo a escrever no seu blog. Desta feita, procura desmontar a dicotomia bases - notáveis do PSD. Para Pacheco Pereira não há notáveis mas sim «pessoas que pela sua profissão, actividade, mérito, tem influência profissional, capacidade e credibilidade junto do país, que vai para além da sua qualidade de serem militantes do PSD»; por outro lado as bases não existem, em vez disso o que há é «um grupo de verdadeiros funcionários do partido, cuja actividade profissional é ou depende de serem dirigentes locais do PSD».

Ou seja, há os "iluminados e desapegados" e os "interesseiros e caciques", respectivamente. Fora desta classificação ficaram os vários militantes anónimos que não encaixam nesta nova forma de catalogar as pessoas que fazem parte do PSD e que, pelos vistos, não passam de um conjunto de ignorantes que não percebem nada de política, sem actividade, mérito ou influência, às quais é preciso indicar em quem votar. Pessoas sem qualidade que, ainda por cima, são militantes do PSD. É preciso ter azar!

Nem vou comentar a frase «E têm independência, têm onde cair mortos», ainda a respeito das pessoas que "para além da sua qualidade" são militantes do PSD.

terça-feira, 22 de abril de 2008

PS irreconhecível

As críticas hoje apresentadas no documento emitido pela Associação 25 de Abril correspondem a uma chamada de atenção - mais uma! - dos históricos do PS ao actual governo, enterrado num mar de auto-elogios.

Basta olhar para alguns dos nomes que assinam o documento: Mário Soares, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues, Almeida Santos. Figuras conotadas com a verdadeira esquerda portuguesa, muito longe da actual posição do PS no espectro político nacional. Para Mário Soares, este governo colocou definitivamente o socialismo numa gaveta. Aliás, e como já tive oportunidade de escrever aqui uma vez, Sócrates não se limitou a pôr o socialismo na gaveta. Não contente com isso, pegou no respectivo móvel, encheu-o de cimento e atirou-o para a Fossa das Marianas, tentando garantir assim que ninguém mais lhe põe a vista em cima.

Esta desfiguração do partido socialista tem levado a que as políticas do PS e do PSD se confundam e, por vezes, sejam quase indistinguíveis. Disso deu conta esta semana José Miguel Júdice, ao defender uma fusão do PS e do PSD. Para Júdice, o PSD deveria virar mais a direita porque o PS já o fez.

Interpolação política

Pacheco Pereira, hoje no se blog Abrupto, apenas escreveu:

«Há condições para haver uma mudança no PSD com uma candidatura séria e credível reconhecível por todos, dentro e fora do partido. Há mesmo.»

Nada mais. O jornalista da TSF, na sua versão online e em relação a estas duas linhas, escreve:

«Pacheco Pereira e Macário Correia vão apoiar a candidatura de Manuela Ferreira Leite à presidência do PSD.

(...)

Pacheco Pereira saudou, esta terça-feira, a candidatura de Manuela Ferreira Leite à presidência dos sociais-democratas, considerando que, a partir de agora, estão reunidas as condições para haver uma mudança no partido.

No seu blogue "Abrupto", o comentador político e militante social-democrata classificou de «séria e credível e reconhecível por todos dentro e fora do PSD» a candidatura da ex-ministra das Finanças.»

É o que eu chamo de grande poder de interpolação política.

Dia da Terra - 4

Já temos caixões que não matam o ambiente

«Os tecidos de poliéster que rodeiam as pessoas, por serem artificiais, dificultam a decomposição do corpo. A madeira não é a mais apropriada para se degradar e os vernizes sintéticos que a cobrem são poluentes. Os metais que fazem as pegas dos caixões estão longe de serem inertes e com o tempo os elementos metálicos vão desaparecendo terra abaixo.
(...)
A Servilusa, a empresa que gere mais agências funerárias em Portugal, empenhou-se em “matar” metade do problema. Desde Março de 2007 que tem uma larga oferta de caixões ecológicos. Nestes caixões os vernizes sintéticos são substituídos por aquosos, os tecidos são feitos a partir de fibras naturais, estudaram-se as madeiras para se utilizar as que se degradam mais rapidamente, os caixões articulam-se sem precisar de dobradiças e as abas de metal são retiradas antes de a urna ser enterrada.»

Ah! Homem de convicções!

Aguiar Branco desiste da corrida para apoiar Manuela Ferreira Leite

Tanto "estardalhaço" com a entrevista a revista Visão para, à primeira contrariedade, desistir...

Dia da Terra - 3

Via Público on-line

Dia da Terra - 2

Via Google

Dia da Terra

Via Blogotinha

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Dama de Ferro

E pronto! Estava eu a escrever o post anterior e, quando olho para o Público, - zás! - temos novos desenvolvimentos.

Depois do parecer favorável do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa - sim, porque cada vez ficou convencido que todos estavam a espero de saber As Escolhas de Marcelo - eis que que Manuela Ferreira Leite avança para a corrida e Rui Rio se guarda para as próximas autárquicas. Exactamente como delineado e esquadrinhado pelo professor.

Será que vem aí a nova Dama de Ferro? Fico a aguardar pelas suas ideias...

A vaga de fundo

Compreendo que os apoiantes e aqueles que são mais próximos de Luís Filipe Menezes desejem que ele se recandidate. Hoje, na TSF, levantou-se mais uma voz nesse sentido: Marco António Costa veio dizer que Menezes não deve ser pressionado e deve ter espaço para reflectir. Uma imagem que faz lembrar aquela cena típica de verão em que o nadador-salvador retira do mar uma vítima de afogamento; a seguir os curiosos começam a aproximar-se e a amontoar-se junto da vítima e ouvimos o nadador-salvador: "Dêem espaço! Dêem espaço!".

(Ou "deem", se tivermos em atenção o novo (des)acordo ortográfico)

Repito: compreendo perfeitamente. Aliás, a distrital do Porto do PSD, liderada pelo Marco António Costa, aprovou por unanimidade e aclamação, a recondução de Menezes ao cargo, uma posição interessante caso Menezes não avance (muito provável) e Rui Rio decida entrar na corrida.

No entanto, continuo a achar que o avanço de Menezes à presidência do PSD é contraproducente. Menezes afirmou categoricamente, por duas vezes, que não é candidato e, acrescentou ainda na SIC Notícias, que tinha direito a um período de nojo. Continuo a achar que a credibilidade de Luis Filipe Menezes seria posta em causa se agora voltasse atrás, consolidando as críticas que o apontavam como um homem que hoje diz uma coisa e amanhã outra.

Das palavras do Marco António Costa ficam, no entanto, duas afirmações interessantes: «O que interessa é saber se os candidatos derrotados estarão disponíveis para aceitar os resultados» e, a respeito do próximo lider, interessa saber se ele «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade.»

Seguem-se cenas dos próximos episódios.

As lições do Professor

Via We Have Kaos in the Garden. A respeito do background necessário para entender a actual situação do PSD, na sua rubrica semanal na RTP.

(In)justiça portuguesa

Independentemente de saber de que lado está a razão, e sobre isso a opinião pública está algo inclinada para uma das partes, é de uma profunda indignação a aberração que a justiça portuguesa está a acometer contra uma criança que nada tem a ver com as trapalhadas que os adultos fazem, trapalhadas às quais temos que juntar aquelas que os adultos do tribunal têm vindo também a fazer.

Era (e é!) uma obrigação da justiça resolver este grave e delicado problema que está, em primeira linha, a penalizar fortemente uma criança que não consegue compreender o que está a suceder a sua volta, uma situação que eu ouvi hoje ser classificada de terrorismo psicológico.

Outro que se queime!

Não foi surpresa para ninguém saber, pela boca do próprio Marcelo Rebelo de Sousa, que não será candidato à liderança do PSD. Certamente que ele prefere guardar-se e ser imolado numa campanha presidencial...

domingo, 20 de abril de 2008

Mais um...

Ontem anunciou que ponderava, hoje assumiu que é candidato à liderança do PSD.

Primeiro, discordo com ele quando diz que Menezes não resistiu às críticas dos opositores do partido, pelo menos não na forma como é dito. Falamos de críticos que, desde a primeira hora, começaram a pôr em xeque o presidente do PSD. Ainda não tinha sido dado um passo e os críticos já iam no adro, de megafone na mão, a pregar aos quatro ventos as desgraças que se tinham abatido no partido social-democrata.

Como se pode viver com esta oposição interna? Como se pode combater este tipo de críticos? Como é possível silenciar uma oposição que apenas quis fazer valer a sua opinião pessoal, desrespeitando a vontade expressa pelos militantes em eleições directas? Ficou claro desde a primeira hora que estes não pretendiam dar tréguas, críticos com grande exposição mediática que questionaram e melindraram a imagem de Menezes junto do eleitorado. Um exemplo da comunicação unidireccional que Al Gore tanto fala no seu "Ataque à Razão".

A partir daqui facilmente se percebe que o partido nunca conseguiu deixar de falar para o seu interior, os problemas estavam fundamentalmente centrados no partido e não no país. A posição ficou insustentável. Assim não é possível apresentar uma verdadeira alternativa governativa ao país. A demissão foi a melhor decisão.

Mas o que é que Patinha Antão fez para silenciar os críticos? Ou apenas o líder é o responsável? Ou será que aqueles que o acompanhavam, como era o caso do Patinha Antão, não deviam também ter agido no sentido de virar o partido para fora? Posto desta forma, Patinha Antão não se revelou exemplar no desempenho do seu cargo, pelo que não merece a confiança dos militantes do PSD.

Mau! Então em que é que ficamos?

Meu caro Ribau Esteves, penso que andar a anunciar aos quatro ventos as suas crenças, depois de o Luís Filipe Menezes ter afirmado categoricamente que não seria candidato nas próximas eleições para a liderança do PSD, poderá ter resultados contraproducentes: ou Menezes esteve até agora a fazer uma belíssima encenação ou então caímos no estereótipo do político que amanhã desdiz tudo o que disse hoje.

Em qualquer dos casos, as explicações seriam muito difíceis e a credibilidade seria posta em causa.

sábado, 19 de abril de 2008

Nas entrelinhas...

Penso que é impossível escrevê-lo mais claro:

«É evidente que Luís Filipe Menezes sabe muito bem que os seus opositores não querem o seu lugar de líder do PSD, querem sim o seu lugar de candidato a primeiro-ministro e esse lugar apenas é cobiçado se houver hipóteses de ganhar eleições, ou as próximas ou as que resultarem de uma crise de ingovernabilidade se o PS não conseguir a maioria absoluta.

O problema é que se os candidatos credíveis apenas avançam se tiverem a perspectiva de chegar ao poder a curto prazo dificilmente estas perspectivas existirão o que os levará a recuar, deixando o caminho aberto para que Luís Filipe Menezes continue no cargo. Não foi por acaso que Menezes decidiu demitir-se quando as sondagens bateram no fundo, ele sabe que o preço cobrado pelos candidatos a salvadores do PSD é o acesso ao governo, se este acesso não é viável eles deixarão a salvação do partido para outra oportunidade.»

O Brilho no Fim

Não posso estar mais de acordo. Apenas tenho a lamentar que esta acidez não se tenha manifestado mais cedo.

Criticar é fácil...

...mas tomar uma verdadeira atitude custa muito mais.

Luis Filipe Menezes apresentou-se ontem, na SIC Notícias, com um discurso carregado de vitupérios, disparando contra todos os críticos internos do PSD que, desde o primeiro minuto, tornaram a sua presidência uma missão impossível.

Ontem, Menezes deixou bem claro que não é candidato, mas estará "vigilante" ("Não andará por aí").

O problema é a data das eleições? Então os candidatos que escolham outra data, até pode ser "para o ano".

O certo é que, de entre os críticos e candidatos putativos, ninguém se chega rapidamente "à frente" com a mesma velocidade com que disparavam as suas críticas.

Aguiar Branco? Só se o PSD pretender manter-se, de facto, na oposição nas próximas eleições.

Passos Coelho? Poderá ser uma alternativa credível, mas penso que ainda precisa de tempo para maturar uma liderança sólida no PSD. Mas não deixa de ser uma verdadeira alternativa.

Mas onde estão Rui Rio, António Borges e Ferreira Leite? O que esperam? Tão rápidos no gatilho das críticas, mas tão indecisos sobre levar eles próprios o PSD pelos caminhos que entendem ser os correctos?

Como Jesus Cristo não desceu a terra, podemos descartar a candidatura do Professor e, em relação a Pacheco Pereira, pelos vistos o PSD conta com ele para uma candidatura à Junta de Freguesia da Vila da Marmeleira. No entanto, não deixa de ser interessante como Pacheco Pereira desatou a escrever no seu blog o que entende que deverão ser as linhas que devem ser discutidas pela próxima liderança do PSD. Se é tão crítico e perspicaz em relação a estes assuntos, porque é que ele não assume também uma candidatura e expõe as suas ideias?! Ou será que é mais fácil criticar?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Preso por ter cão...

Pois... e se tivesse marcado para mais tarde as eleições, de certeza que se teria queixado de que as eleições coincidiam com o Europeu de Futebol, ou porque o PSD perdeu demasiado tempo para o partido socialista, ou porque lhe deu na gana voltar a insurgir-se contra o Filipe Menezes.

Satisfeito Pacheco?

E pronto! Luís Filipe Menezes não resistiu aos constantes embates da oposição interna do partido, batendo com a porta e anunciando eleições antecipadas para a liderança do actual maior partido da oposição.

Há uma série de auto-intitulados "intelectuais" do partido que, arrogando-se defensores da democracia, nunca conseguiram engolir o sapo que foi a eleição de Luís Filipe Menezes pelas bases do PSD.

Desde a primeira hora em que Menezes ganhou a liderança do partido, os mais acérrimos detractores não perderam tempo. O sinal de partida foi a famosa bandeira do PSD colocada de "pernas para o ar" no blog do Abrupto. Incoerências de quem há pouco tempo criticava a falta de respeito pela simbologia do partido ao "estilizar" as cores e as setas que representam o PSD. Frei Tomás no seu máximo esplendor: "Faz o que eu digo...".

A principal função do líder do PSD, que seria acompanhar criticamente a (des)governação do partido socialista, foi completamente diluída pelo constantes achaques que vinham do interior do próprio partido. Quando se pretendia a unidade do partido, as auto-denominadas elites do PSD tudo fizeram para minar o trabalho de credibilização do líder perante o eleitorado.

Só uma pessoa ganha com tudo isto. Todos os problemas do país ficam ofuscados pela luta interna de um partido, permitindo ao governo socialista passar "desapercebido" das principais linhas editoriais, estas mais preocupadas e deliciadas com uma guerra fratricida.

Seria Luís Filipe Menezes uma boa escolha? Não sei. tenho de admitir que algumas das suas posições foram um pouco derivativas, mas tenho a convicção de que o "estardalhaço" provocado pela oposição interna em nada ajudou na afirmação de Menezes junto do eleitorado.

Chego por vezes a pensar se de facto não haverá por aí muitos "Sulistas, elitistas e liberais"...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Onde terá batido a borboleta as suas asas?

Edward Lorenz, matemático e meteorologista norte-americano, pai da chamada Teoria do Caos, faleceu hoje, aos noventa anos de idade.

Quem, numa conversa, já não recorreu àquela imagem de um tornado provocado pela bater das asas de uma borboleta noutro lado do mundo? Pode parecer um exagero, e muitos poderão pensar tratar-se de uma mera figura de retórica. No entanto, a Teoria do Caos, uma teoria que tenta explicar o comportamento de sistemas dinâmicos complexos, sustenta-se precisamente no princípio de que pequenos comportamento aleatórios podem reflectir-se no comportamento de um grande sistema.

A meteorologia é disso um bom exemplo, o não fosse este o campo onde se deu a génese desta teoria: pequenas variações aleatórias de parâmetros atmosféricos podem corresponder a resultados completamente distintos. Daí a imagem clássica da fiabilidade dos meteorologistas, em que as suas previsões nunca são tidas como acertadas: basta uma pequena variação aleatória fora dos intervalos previstos nos modelos de simulação utilizados para prever o tempo e, uma tarde que se pensava iria ser soalheira, desaba num temporal.

Indubitavelmente, um dos meus ícones científicos que vejo partir para a eternidade.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Litros de Luz...

Isto é o que se chama de "Ideia Luminosa"